Crise impede brasilienses de viajar neste fim de ano

Em dezembro deste ano, o Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek deve receber 286 mil pessoas a menos em relação ao mesmo período de 2015. A projeção da Inframérica, concessionária responsável pela operação do local, é de 1,5 milhão de passageiros em trânsito no terminal em virtude do Natal e Ano Novo, com fluxo diário de até 55 mil clientes nos dias mais movimentados (entre hoje e amanhã e entre 29 e 30 de dezembro).

“O aeroporto me parece bem menos movimentado que no último ano mesmo”, atesta o supervisor de planejamento, Claudeílson Luís Oliveira, 31. Ele revela ser um viajante frequente, especialmente por conta do trabalho. “Eu até viajei mais cedo para pegar menos movimentação. 

A Inframérica informou, por meio de nota, que “as regiões mais procuradas, baseado na quantidade de voos disponíveis no Aeroporto de Brasília, são Nordeste e Sudeste, mesmo cenário de 2015”.
A concessionária ainda aconselha o usuário a chegar uma hora e meia mais cedo do que o horário marcado para o embarque, especialmente em dias mais movimentados.
Conforme as estatísticas da empresa, em novembro deste ano, circularam 1,4 milhão de passageiros no Aeroporto Internacional JK. Destes, apenas 40 mil foram oriundos de voos internacionais. No mesmo mês, circularam 12,3 mil aeronaves no terminal, das quais apenas 278 relativas a trajetos de ou para fora do País.
Janeiro costuma ser um mês mais movimentado que dezembro para o terminal aéreo de Brasília. Em 2016, por exemplo, foram registrados quase 1,9 milhão de passageiros, cerca de 200 mil a mais do que o mês anterior. Em janeiro de 2015, foram 1,8 milhão de pessoas embarcando ou desembarcando no local.

Ex-presidente da Infraero e especialista em transporte aéreo, Adyr da Silva enumera as razões pelas quais acredita que menos clientes buscaram viajar. “O primeiro fato foi o brutal aumento das tarifas (cobradas pelas empresas), que cresceram mais que o dobro da inflação. E também houve a retração devido à crise. As duas coisas estão ligadas em causa e efeito”, destrincha.

Ele projeta, ainda, que a autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para as empresas aéreas cobrarem por bagagem despachada afaste mais passageiros em potencial.
“O governo deixou os aeroportos na mão dessas concessionárias sabendo o que aconteceria. O sindicato das empresas também acabou e virou associação, então eles vão lá e combinam um preço e a gente tem que pagar”, acusa.

Voos extras

A quantidade menor de passageiros no Aeroporto JK, no entanto, não deve significar vida tranquila para quem pretende viajar nas vésperas dos feriados de dezembro. Devido à alta sazonal da demanda, a Inframérica projeta até 190 voos extras para o mês, totalizando quase 11,2 mil até o Ano Novo. A média de passageiros em um dia comum no terminal é de 50 mil, mas deve subir para 55 mil nas datas mais “quentes”.

Pensando nisso, o militar Mário Zam, 47, levou a família mais cedo para visitar os familiares no Rio de Janeiro, na semana passada. “Vamos voltar antes das festas de fim de ano, justamente para evitar o transtorno”, conta. Eles moram em Anápolis (GO), a menos de 60 km de Goiânia, capital do estado que conta com aeroporto próprio. Apesar disso, o patriarca prefere vir ao DF para embarcar.

“Geralmente sai mais barato comprar passagem daqui, mesmo tendo de pagar o transporte até Brasília”, justifica. Ele ainda elogia o Aeroporto JK, comparando com o da capital goiana. Sua única dificuldade é com a obtenção de informações. “A gente acaba recorrendo mais aos usuários do que a funcionários”, reclama.

Conforto

A secretária Kianne Sena, 38, critica a limpeza do terminal, especialmente dos banheiros. Apesar disso, ela gosta do local pelo espaço e conforto e prefere viajar por ele a utilizar os de Manaus e São Paulo. Também visando a evitar filas e outros tipos de transtorno, ela antecipou a saída de férias.

“Aproveitei que teve a formatura da minha filha e agora vamos para Manaus. Foi bom fazer isso mais cedo, porque no ano passado houve muita gente”, aconselha.
Foto: Hugo Barreto

Eric Zambon
eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br

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