Racionamento de água irá começar na próxima segunda-feira (16)

Hugo Barreto

Quase duas milhões de pessoas serão atingidas pelo racionamento de água, que começa nesta segunda-feira (16). O rodízio no fornecimento começa às 8h e abrange 15 regiões administrativas do Distrito Federal, que são abastecidas pela Barragem do Descoberto. De acordo com a Companhia de Água e Esgotos de Brasília (Caesb), o calendário dos cortes percorre um ciclo de seis dias. Um dia com interrupção completa, dois de estabilização e três de fornecimento normal. No sétimo dia, o corte volta a acontecer.

Segundo o presidente da Caesb, Maurício Luduvice, o objetivo é diminuir a pressão da água em mais 10%. “Isso deve garantir a preservação dos níveis da Barragem do Descoberto no período de seca. Vamos reduzir a captação de 5,1 mil litros por segundo para 4,4 mil litros por segundo”, afirma.

As regiões que participam do rodízio são Núcleo Bandeirante, Park Way, Recanto das Emas, Riacho Fundo I, Riacho Fundo II, Águas Claras, Candangolândia, Ceilândia, Santa Maria, Samambaia, Taguatinga, Vicente Pires Gama e Guará. Estabelecimentos públicos de saúde, educação ou internação estão fora do racionamento.

Luduvice afirma que o rodízio faz parte de uma decisão técnica tomada em conjunto com órgãos responsáveis pelo serviço de meteorologia. “Nós analisamos e ouvimos a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico (Adasa), a Secretaria de Agricultura, e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Essa decisão é importante porque precisamos recuperar o nível do reservatório até o final da estação chuvosa”, destaca Luduvice.

“Essas medidas só foram tomadas agora porque a crise hídrica foi decretada esse ano. O rebaixamento de um reservatório é natural. O importante é saber lidar com a estiagem para que esteja em um nível adequado na próxima seca”, explica o presidente. “É isso que não conseguimos, chegamos na metade da temporada de chuva com um nível muito mais baixo do que esperávamos”, completa Luduvice.

A decisão de racionamento foi tomada pela Adasa em conjunto com a Caesb para assegurar capacidade hídrica para o próximo período de seca. A medida foi adotada por causa do nível do reservatório abaixo de 20% e o índice de chuva menor do que o esperado nos últimos dois meses. A medida havia sido autorizada em novembro, mas ainda não tinha sido efetuada.

Para amenizar a crise hídrica, outras medidas foram tomadas. Além do racionamento, foi aplicada a cobrança de tarifa de contingência sobre a conta de consumo, a restrição no horário para captação por caminhões-pipa e a orientação para estabelecimentos como lava jato.

Crise poderia ter sido evitada

Na avaliação do especialista em direito urbanístico, Mateus Oliveira, várias ações de curto, médio e longo prazo poderiam ter sido tomadas para evitar a situação que o DF vive hoje. “A médio e longo prazo estão o redimensionamento da infraestrutura da cidade e a proibição das ocupações irregulares, que prejudicam imensamente o uso do solo no DF”, aponta.

“A curto prazo temos o projeto de lei de permeabilidade, de autoria do poder Executivo, cujo esboço foi disponibilizado em dezembro. O projeto obriga novos empreendimentos imobiliários de grande porte a construírem sistemas de captação da água da chuva e sistema de infiltração mecânica que devem diminuir a situação das enchentes para melhorar a recarga dos aquíferos”, explica Oliveira.

O especialista frisa que qualquer medida pode ser útil para resolver o problema. “A retomada das obras do Corumbá 4, que estava prevista há quatro anos, seria uma boa opção para evitar uma possível crise futura”, opina Mateus. “A água é um bem de prioridade ao cidadão. As questões relacionadas a ela não podem ser resolvidas por último”, finaliza.


Rodízio

16 de janeiro (segunda-feira)
Interrupção: Ceilândia Oeste, Recanto das Emas e Riacho Fundo II

17 de janeiro (terça-feira)
Interrupção: Vicente Pires, Colônia Agrícola Samambaia, Vila São José, Jóquei, Santa Maria, DVO, Sítio do Gama, Polo JK e Residencial Santa Maria
Religação e estabilização: Ceilândia Oeste, Recanto das Emas e Riacho Fundo II

18 de janeiro (quarta-feira)
Interrupção: Gama
Religação e estabilização: Vicente Pires, Colônia Agrícola Samambaia, Vila São José, Jóquei, Santa Maria, DVO, Sítio do Gama, Polo JK, Residencial Santa Maria, Ceilândia Oeste, Recanto das Emas e Riacho Fundo II

19 de janeiro (quinta-feira)
Interrupção: Águas Claras (zona baixa), Park Way, Núcleo Bandeirante, C.A. IAPI, Candangolândia, Setor de Postos e Motéis e Metropolitana, Vila Cauhy, Vargem Bonita, Ceilândia Leste e Samambaia
Religação e estabilização: Gama, Vicente Pires, Colônia Agrícola Samambaia, Vila São José, Jóquei, Santa Maria, DVO, Sítio do Gama, Polo JK e Residencial Santa Maria

20 de janeiro (sexta-feira)
Interrupção: Guará I e II, Polo de Modas, CABS, Lúcio Costa, SQB, CAAC, Taguatinga Sul, Arniqueiras, Areal e Riacho Fundo I
Religação e estabilização: Águas Claras (zona baixa), Park Way, Núcleo Bandeirante, C.A. IAPI, Candangolândia, Setor de Postos e Motéis e Metropolitana, Vila Cauhy, Vargem Bonita, Ceilândia Leste, Samambaia e Gama

21 de janeiro (sábado)
Interrupção: Águas Claras (zona alta), Concessionárias e Taguatinga Norte
Religação e estabilização: Guará I e II, Polo de Modas, CABS, Lúcio Costa, SQB, CAAC, Taguatinga Sul, Arniqueiras, Areal, Riacho Fundo I, Águas Claras (zona baixa), Park Way, Núcleo Bandeirante, C.A. IAPI, Candangolândia, Setor de Postos e Motéis e Metropolitana, Vila Cauhy, Vargem Bonita, Ceilândia Leste e Samambaia

22 de janeiro (domingo)
Interrupção: Ceilândia Oeste, Recanto das Emas e Riacho Fundo II
Religação e estabilização: Águas Claras (zona alta), Concessionárias, Taguatinga Norte, Guará I e II, Polo de Modas, CABS, Lúcio Costa, SQB, CAAC, Taguatinga Sul, Arniqueiras, Areal e Riacho Fundo I

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