Buriti briga com oposição pelo voto de desempate

Sandra Faraj é eleitora de Joe Valle, mas foi convencida por Rollemberg a votar com o governo. O grupo opositor tenta levá-la de volta às origens. 

A briga pelos comandos das comissões permanentes da Câmara Legislativa segue indefinida. A deputada Sandra Faraj (SD) é disputada pelos dois grupos da Casa: o que apoia o governador Rodrigo Rollemberg e o que elegeu Joe Valle para a presidência da Mesa Diretora. Se, por um lado, o Executivo tentava emplacar as presidências dos dez colegiados, por outro, o grupo opositor tenta derrubar algumas indicações. A falta de acordo pode até adiar a votação, que está prevista para a tarde de hoje, para amanhã ou mesmo para quinta-feira.

O nome de Reginaldo Veras (PDT) para presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) é consenso entre a maioria dos parlamentares. Assim como o das deputadas Telma Rufino (Pros) para a Comissão de Assuntos Fundiários (CAF) e Luzia de Paula (PSB) para a Comissão de Assuntos Sociais (CAS). A Comissão de Orçamento e Finanças (Ceof) é reivindicada pelo Palácio do Buriti para Agaciel Maia (PR), derrotado na eleição para a presidência da Câmara – ele está no comando do colegiado desde o início deste mandato. Enquanto isso, os outros tentam o cargo para Rafael Prudente (PMDB).

A Comissão de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Turismo (Cdesctmat) já estava garantida a Bispo Renato (PR), mas Cláudio Abrantes (Rede) é o postulante do outro lado.


Saiba mais
O nome de Celina Leão (PPS) foi aventado para a Comissão de Constituição e Justiça, para desespero do Palácio do Buriti.
A primeira exigência do Executivo é de que ela se comprometesse a sortear os relatores dos projetos que chegassem ao colegiado, na tentativa de que a principal opositora ao governo não travasse a tramitação das propostas.
Ela se comprometeu a manter os sorteios, mas se recusou a assinar qualquer resolução garantindo. Este foi apenas um dos motivos que fizeram com que a candidatura dela não decolasse. Ela tenta, agora, espaço em nova composição buscada pelos opositores.

Divisão

A Câmara estava dividida em 12 a 12, entre os eleitores de Agaciel e Joe – a votação para eleição do presidente ficou empatada, mas as regras garantiram ao deputado do PDT o comando. Até que o Palácio do Buriti conseguiu convencer Sandra Faraj a fechar com o grupo de eleitores de Agaciel Maia. Agora, os 11 que ficaram no grupo opositor ao Buriti tentam trazê-la de volta às origens. Se ela topar, o empate beneficia os concorrentes que têm mais mandatos na Casa.

Cargos para os 3 petistas

As negociações de Rollemberg para passar o trator e comandar todos os colegiados incluem cargos de comando para os três deputados do PT – Wasny ficaria com a Comissão de Educação, Saúde e Cultura; Rodrigo Valle com a de Defesa Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar; e Chico Vigilante na Comissão de Defesa do Consumidor.

Tanta generosidade tem incomodado alguns deputados e até partidos políticos, que reclamam: embora o governador tenha mudado a estratégia e, agora, pareça querer mesmo negociar espaços com os aliados, os partidos não são chamados para as conversas. Só os parlamentares é que seriam contemplados nos acordos.

A previsão é de que, já nos próximos dias, uma reforma administrativa seja anunciada para contemplar justamente os fiéis ao Palácio do Buriti. E é com estas moedas que têm arregimentado apoio, embora algumas siglas queiram ainda mais espaço.

Reuniões

O PDT e a Rede se descolaram do grupo opositor e resolveram formar um bloco com os quatro deputados dos dois partidos. Cláudio Abrantes, Joe Valle, Reginaldo Veras e Chico Leite (Rede) têm se reunido com o governador, que tenta convencê-los a se juntarem ao grupo dos agora 13.

Fato é que o governador tem se dedicado pessoalmente a reuniões e encontros – inclusive no fim de semana – desde a derrota de Agaciel Maia para a presidência da Câmara. Tanto é que o cargo dele na Ceof é a primeira exigência do Buriti nos acordos.

A reportagem tentou contato com Sandra Faraj, mas ela não retornou as ligações.

Foto: Sérgio Kremer
Millena lopes - JBr

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