Política e Sociedade | A qualidade do voto no DF

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Os primeiros habitantes de Brasília foram os milhares de candangos (pioneiros operários), provenientes de todas as partes do país, principalmente do norte, nordeste e centro-oeste, que, em busca de emprego e melhores condições que o campo não oferecia mais, se espalharam pelo Plano Piloto e deram forma à futura capital que se anunciava.

Os primeiros funcionários públicos chegaram à cidade e, a partir da inauguração, em 21 de abril de 1960, mais funcionários, provenientes especialmente do Rio de Janeiro, se instalaram em Brasília

Desta forma, havia uma mescla acentuada entre as classes sociais, fator observado no fato de que professoras primárias, políticos e altos funcionários do governo residiam nos mesmos edifícios. Contudo, essa mescla sofreu uma ruptura a partir de 1965, quando a elite brasiliense se transferiu para o lago Sul e o Plano Piloto passou a ser ocupado pela classe média. 

A primeira eleição para governador do Distrito Federal ocorreu em 1990 e foi vencida por Joaquim Roriz (PMDB), empossado em 1991, ano em que se efetivou a Câmara Legislativa Distrital, com 24 deputados distritais, além da representação na esfera federal com oito deputados, e de um senador. Considerando o nível de escolaridade e a renda percapita do brasiliense imaginávamos que as eleições do DF seriam de maior qualidade política, principalmente na Câmara Legislativa do DF. Nos enganamos.

No primeiro ano de mandato de Joaquim Roriz como governador eleito, sua política de doação de lotes deu origem aos núcleos urbanos de Santa Maria, Riacho Fundo, Recanto das Emas e São Sebastião. Mais populações de outras regiões do país foram atraídas para o Distrito Federal e, com isso, o inchaço da periferia se consolidava.

Por meio de políticas sociais assistencialistas de estilo imbecilizante, principalmente por meio da transferência de rendas residuais, o opressor, ardilosamente, tenta manipular o oprimido que se rebela e vai à luta com o objetivo de construir sua autonomia possível. Quando o assistido percebe que a condição de sobrevivência melhorou um pouco, pode contentar-se facilmente com essas migalhas, aceitar seu desígnio e responder com o voto favorável. 

Desta forma, desenvolvem-se mecanismos de aliciamento com ênfase nas artimanhas pretensamente inclusivas, mas que incluem na margem, e assim o pobre continua marginalizado, embora se sinta incluído porque recebe alguns benefícios residuais.

Essa falta de qualidade política encontra leito na ignorância historicamente cultivada, por meio da qual grandes maiorias são mantidas como massa de manobra para a sustentação dos privilégios de minorias cada vez mais minoritárias.

Dessa forma, a falta de qualidade política para os eleitores do DF, não se difere muito de municípios pequenos de até 10 mil habitantes, onde ainda prevalece o voto de cabresto.

A relação de barganha, em torno de vantagens materiais, entre o eleitor e o cabo eleitoral, representa uma expressão característica do clientelismo, cujo fundamento não se encontra na estrutura social capitalista, mas na herança de um passado pré- capitalista. Desta forma, nos países do Terceiro Mundo, a presença do clientelismo na democracia moderna encontra amparo no legado colonial.

O atual contexto político brasileiro, marcado por escândalos que envolvem corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, dilapidação da coisa pública e, sobretudo, impunidade, traz à baila questões eloquentes quanto ao papel daqueles que são eleitos pelo povo para representá-lo e atender suas necessidades mais emergentes.

A pobreza política não consolida o pressuposto empírico de que o povo não sabe votar. Pressupõe-se, na verdade, que o povo não tem muitas opções no atual cenário político.

Assim, a desejada mudança que queremos nas eleições do DF, acontecerá apenas se, estrategicamente, o governo olhar de forma diferente para a educação empreendedora, a mudança da cultura política do Distrito Federal para uma cultura participativa, a formação de novas lideranças políticas oriundas de setores progressistas baseados no crescimento econômico local, o aumento da capacidade de governo oferecendo educação de boa qualidade, dentre outros aspectos.

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