Alvos de Janot no DF receberam mais de R$ 7 milhões de empreiteiras

Responsáveis pelas maiores obras conduzidas pelo Governo do Distrito Federal (GDF) nos últimos anos, as empreiteiras Odebrecht, Via Engenharia e Andrade Gutierrez repassaram, em 2014, mais de R$ 7 milhões aos políticos do DF incluídos na lista de pedidos de abertura de inquérito do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Os valores foram declarados por eles nas prestações de contas da última eleição da capital.

Os ex-governadores Agnelo Queiroz (PT) e José Roberto Arruda (PR), além do ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB), do ex-senador Gim Argello (sem partido), Geraldo Magela (PT) e do distrital Robério Negreiros (PSDB) declararam ter recebido as cifras vultosas à Justiça Eleitoral como doação de campanha.

As construtoras ergueram duas obras faraônicas na capital federal: o Estádio Nacional Mané Garrincha, de responsabilidade do consórcio formado pela Andrade Gutierrez e pela Via Engenharia; e o Centro Administrativo do DF (Centrad), em Taguatinga, parceria entre a Odebrecht e a Via. No âmbito local, os espaços bilionários e ociosos estão no meio do imbróglio da Operação Lava Jato e são apontados como possíveis escoadouros de propina.

Fatias gordas
Dos quase R$ 7,3 milhões, quase todo o dinheiro foi abocanhado por Agnelo Queiroz e seu vice, Tadeu Filippelli – R$ 6,385 milhões. Só a Via Engenharia doou R$ 3,7 milhões à chapa encabeçada pelo petista. O segundo maior repasse veio da Andrade Gutierrez, que remeteu R$ 2,485 milhões. Por último, a Odebrecht transferiu aos candidatos à reeleição R$ 200 mil. Todas as doações de campanha ocorreram por meio de cheque ou transferência eletrônica.

Oficialmente, José Roberto Arruda recebeu, via depósito em espécie, R$ 170 mil da Odebrecht. Pelas receitas declaradas à Justiça Eleitoral, as construtoras Via Engenharia e Andrade Gutierrez não fizeram doações de campanha ao ex-governador, que abandonou a disputa, em setembro de 2014, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrar o registro da sua candidatura.


Arruda tomou a decisão de construir tanto o Mané Garrincha quanto o Centrad. O primeiro foi fechado por meio de uma licitação organizada pela Secretaria de Obras, então comandada por Márcio Machado. A Parceria Público-Privada (PPP) do Centrad teve início em 2009, também na gestão de Arruda, por meio da Codeplan, presidida por Rogério Rosso (PSD), hoje deputado federal.

Apesar de os dois empreendimentos terem começado no governo de Arruda, a gestão seguinte, de Agnelo Queiroz e o seu vice, Tadeu Filippelli, deu andamento às obras. O Centro Administrativo custou mais R$ 1 bilhão e, até hoje, está sem uso por conta de uma série de questionamentos do Ministério Público e do Tribunal de Contas do DF. Já o estádio, saiu por quase R$ 2 bilhões – o mais caro do país.

Os dois ex-governadores do DF na Lista de Janot já tinham sido acusados pelo ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Azevedo de receberem “comissões” para favorecer a construtora nas obras do Mané Garrincha. Segundo Azevedo, Arruda e Agnelo ganharam um percentual na construção da arena que foi palco de jogos da Copa do Mundo e das Olimpíadas. A revelação foi feita em delação premiada do ex-executivo.

“Investimento” nacional e local
As doações das empreiteiras não ficaram restritas aos candidatos ao governo. Em 2014, Gim Argello se lançou à reeleição no Senado com o segundo maior montante na conta, do total doado pelas empreiteiras. Foram R$ 612,5 mil repassados pela direção regional do PTB, tendo como doador originário a construtora Andrade Gutierrez. Uma transação de R$ 412,5 mil, por meio de cheque, em 15 de setembro de 2014, e outra no valor de R$ 200 mil, via transferência eletrônica, datada de três dias antes.


O ex-senador também virou alvo dos investigadores ao ter intermediado uma doação de R$ 950 mil ao seu aliado padre Moacir Anastácio, líder da Paróquia São Pedro, em Taguatinga. Os repasses foram feitos pelas empreiteiras Andrade Gutierrez, Via Engenharia e OAS e, oficialmente, teriam sido usados para obras na igreja.

Outro político alvo da lista de Janot que recebeu doações de empreiteira foi Geraldo Magela. De acordo com o registro da prestação de contas no TSE, o montante repassado pela Andrade Gutierrez para o candidato ao Senado em 2104 chegou a R$ 20 mil. A fatia entrou na conta do político em 18 de setembro, por meio de transferência eletrônica da direção nacional do PT.

Já o distrital Robério Negreiros (PSDB) recebeu R$ 50 mil da empresa Braskem, controlada pela Odebrecht e cujos ex-executivos também firmaram delações premiadas com o MPF. O valor total foi repassado, de forma fracionada, a Robério, que, na época das eleições de 2014 era filiado ao PMDB.

De acordo com o TSE, uma transferência eletrônica foi feita para o distrital no valor de R$ 20 mil, em 24 de setembro de 2014. O outro pagamento da Braskem, esse em cheque, ocorreu três dias antes da eleição, no valor de R$ 30 mil. A quantia foi destinada a ele por meio do partido. O deputado não declarou repasses das empreiteiras Via ou Andrade Gutierrez.

O outro lado
O Metrópoles procurou os seis políticos para comentar as doações recebidas da Odebrecht, Via Engenharia e Andrade Gutierrez, mas não conseguiu contato com as defesas até a última atualização desta reportagem.

Assim que Janot encaminhou os pedidos de abertura de inquérito, o deputado distrital Robério Negreiros negou haver ilegalidade na doação da Odebrecht. O ex-governador José Roberto Arruda disse que não iria se pronunciar, pois não conhece o teor das denúncias e sequer sabe se seu nome realmente consta na lista do procurador. Tadeu Filippelli se mostrou surpreso com a notícia e afirmou não ter conhecimento da citação de seu nome nos pedidos de inquérito.

Por: Metrópoles

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