Entrevista com Igor Tokarski

Por – Ataíde Santos

O secretário Igor Tokarski foi incluído na lista de uma matéria do site Metrópoles como uma cara nova na política Candanga. Entretanto, já possui um histórico respeitável na política do Distrito Federal. Nas eleições de 2014, disputou uma vaga na Câmara Federal pelo PSB, onde obteve mais de 7 mil votos. Também foi administrador de Brasília e atualmente é Secretário Adjunto de Relações Institucionais e Sociais do Governo do Distrito Federal.

Quem é Igor Tokarski?

Fico honrado e bastante satisfeito em saber que meu nome esta dentro deste rool de promessas para a política do Distrito Federal. Eu entendo que hoje, uma nova geração deve assumir as responsabilidades na nossa cidade. Eu me incluo nessa geração. Em um momento em que se avizinha o período de eleições, de disputa por causas eletivas, eu acho que essa geração tem que se mobilizar mais. Não basta ter apenas caras novas, tem que ter novas ideias, tem muita coisa da política que esta ultrapassada, que teve seu momento, mas, agora não cumpre o seu papel no processo de decisão política, de formulação de políticas públicas.

Esses pensamentos mais retrógrados não convencem mais e não traz o benefício esperado pela população e pela cidade. Eu acredito que uma nova política, feita a partir da criatividade, parceria, inovação e transparência, tem mais chances de alcançar aquilo que a população espera de seus políticos e governantes atualmente. Em muitos modelos, inclusive de Estado, a administração pública hoje é bastante lenta, burocrática, e temos que diminuir esta burocracia fazendo com que o Estado não atrapalhe o cidadão ou empreendedor. Quando o Estado não pode estimular, incentivar, que ele não atrapalhe. Essa tem que ser uma forma de conduta do Estado.

Obviamente o Estado tem o seu dever de regular, fiscalizar, e nisso, tem ainda que se fortalecer para que essa fiscalização aconteça, a fim de que as concorrências sejam leais, que a ocupação e o crescimento das cidades aconteçam de forma regularizada, planejada. O processo de regulação do Estado deve acontecer observando as novas tecnologias, inovações, não pode ficar parado no tempo. Então, isto deve levar o Estado a ter capacidade de fazer com que a cidade se desenvolva de modo sustentável.

Eu venho da iniciativa privada, estou na administração pública a fim de cumprir uma missão, colaborar e cooperar com esse trabalho. Estou muito honrado de poder fazer parte do governo do Rodrigo Rollemberg.

O Governador gosta muito de repetir que esta cidade foi bastante generosa para os brasileiros que vieram para cá, principalmente no meu caso, já que praticamente nasci aqui. Então, se eu não estivesse hoje dentro do governo dando a minha contribuição, estaria ansioso por fazê-la. Estaria com um sentimento de omissão, por isso eu falo cada vez mais que as pessoas de bem devem se envolver dentro do processo político. As cadeiras não ficarão vazias, estarão ocupadas por alguém, e que sejam por pessoas que tenham princípios e propósitos com a cidade.

Secretário – Quais são os motivos que o levaram a se dedicar a vida pública?

Eu posso dizer que é um sentimento que se cria dentro de nós mesmos, obviamente a partir de apoio de amigos, das pessoas com as quais nos relacionamos, familiares, colegas de trabalho, isto se fortalece. Eu coloco que a minha ideia é contribuir com a cidade. Em outro momento, quando estava na iniciativa privada, eu participava do processo de seleção de uma grande multinacional e, certa vez o presidente desta multinacional na América Latina me perguntou “Se minha vida acabasse ali, como eu gostaria de ser lembrado”. Acho que é isso que nos estimula no dia a dia.

Como você quer ser lembrado, qual são os seus legados, o que você trouxe de bom para a população, para a cidade, o que você conseguiu ajudar a construir?
Isto é uma marca que daqui a 15 ou 20 anos, independentemente de estar na vida pública ou não, me trará grande satisfação ao lembrar que eu pude contribuir de alguma forma para a melhoria da qualidade de vida da população do Distrito Federal.

O senhor esta iniciando uma carreira política em um momento de crise no Distrito Federal e no Brasil. Como o vê a sua estreia em um momento como esse?

Não é fácil, mas a convivência com pessoas que também estão empenhadas e alinhadas com os nossos princípios e propósitos nos fortalece. Sei que a criminalização da política vigente na sociedade atual não favorece essa atividade. No entanto, acredito que podemos mudar esse cenário identificando bons atores, sejam em nível local e/ ou nacional, que possam valorizar este tipo de trabalho. Penso que somos criativos e inteligentes o suficiente para identificarmos oportunidades de mudanças na crise.

Venho trabalhando para que a gente consiga avançar nesse processo, visando a para melhoria na qualidade de vida na nossa cidade, enfrentando as crises financeira e hídrica que atravessamos. É importante ressaltar, que a crise é o reflexo de diversos anos, talvez décadas, de falta de planejamento. Nós temos que trabalhar para o presente, como temos feito, mas também pensar no que requeremos para o DF no médio e longo prazo, o que é fundamental para que a gente consiga em poucos anos avançar em questões que hoje nos coloca em uma situação a beira do colapso.

Temos que pensar em indicadores, planejamento ao longo prazo para que nossa cidade, daqui a 30, 40, 50 anos, possa conquistar um padrão de vida ainda melhor do que temos hoje. Atualmente, Brasília tem um crescimento demográfico aproximado de 60 mil pessoas por ano. Além disso, nós temos um território adjacente ao território do Distrito Federal, que são os municípios goianos e mineiros que chamamos de Entorno, região integrada ao desenvolvimento do entorno do Distrito Federal. São pessoas que também trabalham, tem suas famílias e merecem ter o serviço publico adequado e digno, e o Distrito Federal tem uma grande responsabilidade nisso, por que acaba sendo o centro de atendimento a essa população. É outra situação que temos que pensar. Qual será o futuro do Entorno, haja vista que são mais 2 milhões de habitantes, que somados aos 3 milhões do DF, perfazem o total de 5 milhões de pessoas. Já somos a terceira maior região metropolitana do Brasil. Temos que pensar no desenvolvimento econômico desta região de modo integrado ao Distrito Federal.

Senhor Secretário, com relação ao trabalho voluntario, parece que o Senhor tem um interesse maior nessa área. Em muitos países essa atividade é comum e são praticadas por pessoas que possuem suas vidas consolidadas. Aqui no Brasil o cenário é diferente, devido à situação econômica e social desfavorável de uma grande parcela da população. Como é fazer, aqui no Distrito Federal, trabalho voluntário em condições adversas?

Nós temos aqui em Brasília, em pleno funcionamento, o programa BRASILIA CIDADÃ. Uma parte integrante do Programa Brasília é o Portal do Voluntariado. Identificamos esta necessidade de criar um instrumento para facilitar a vontade do cidadão em ajudar os projetos que já temos aqui na cidade, não apenas do Governo, mas também da sociedade civil organizada. Temo grandes associações, instituições, organizações sociais que possuem belíssimos projetos para crianças e adolescentes, idosos, em nível de esporte, cultura, etc. A ideia do Portal do Voluntariado é unir estas pessoas, e ai fica o convite para quem nos lê, acessar o site www.portaldovoluntariado.df.gov.br para se cadastrar e se engajar nos projetos ofertados de acordo com o seu interesse. O Portal cria uma correspondência entre a demanda e a oferta de voluntários na nossa cidade, que é muito grande.

O Brasileiro tem o perfil de ser solidário, mas agora nós temos que incentivar a cultura do voluntário, que ainda é pequena em nosso país. Em outros países faz parte da grade curricular das escolas, e em alguns casos para poder ter acesso a uma universidade a pessoa tem que ter exercido algum tipo de trabalho voluntário. Então, esses tipos de ações podem facilitar e aumentar o interesse do brasileiro pelo trabalho voluntário.

O propósito é transformar Brasília na capital da solidariedade e do trabalho voluntario. Já temos quase 9 mil inscritos no Portal do Voluntariado, e atingimos quase 2 milhões de pessoas só dentro do portal do voluntário. Então, a ideia essa é estimular essa prática, mas dando os instrumentos necessários para que as pessoas executem esse tipo de trabalho. No Portal, o voluntário consegue acessar o projeto em que ela se sente melhor em ajudar, não só as pessoas, mas também aos animais. No caso específico do zoológico de Brasília, já temos mais de 800 voluntários trabalhando e ajudando na conservação do zoológico.

Como vemos, no Congresso está havendo uma ampla discussão sobre a reforma política e partidária. Gostaria de saber qual a sua visão dos partidos políticos hoje, no Brasil e no Distrito Federal?

A reforma política só vai acontecer se não tiver aplicação imediata. Atualmente os parlamentares não têm interesse que haja reforma, já que estariam colocando em risco a sua eleição. Então, porque não pensarmos em situações onde a aplicação vai demorar 8, 12 anos, assim facilitará a sua inclusão. Há quanto tempo discutimos a reforma política no Brasil? Se nós tivéssemos feito uma reforma política em 2002, ou mesmo em 2006, onze anos atrás, se esta aplicação se desse em 12 anos, ano que vem já teria a reforma política da forma que a gente deseja. Não adianta querermos aplicar a reforma política para daqui a 06 meses, na próxima eleição, isto gera um risco em que o próprio parlamentar, aquele que esta votando pela reforma, não tem interesse em fazê-la. A maior reforma política que podemos fazer é no voto. É o cidadão ter a consciência do voto, as implicações, os reflexos, qual o compromisso, o alinhamento de princípios, ideologia que aquele parlamentar e/ou gestor têm para com a cidade e a população. A grande reforma política se dá na urna. No entanto, eu vejo com bastante preocupação a reforma política que esta sendo discutida no Congresso Nacional. Embora haja alguns avanços, como o fim da reeleição, 05 anos de mandato, a extinção dos cargos de vice, alguns aspectos são preocupantes, como por exemplo, o voto em lista.

O voto em lista nada mais é do que uma tentativa de perpetuação de nomes da politica que não conseguiriam dentro do processo que hoje já existe, que já é ruim, permanecer dentro do cenário político. Vão permanecer caciques, donos de partido dentro destas listas, o que hoje não trás nenhum tipo de benefício para nossa cidade e para o país.

As legendas e os partidos estão bastante ultrapassados na sua forma de trabalhar a política. No entanto, alguns estão buscando um processo de reformulação e de discursão interna na tentativa de amadurecimento. Diante de todas estas mudanças na nossa política, estes partidos que buscam esta renovação serão fundamentais para o avanço do processo democrático de nosso país.

Acredito que uma reforma política deve acabar com essa proliferação de legendas. Já temos muitos partidos no Brasil, são mais de 30. Uma sopa de letrinhas que dificulta a escolha do eleitor. È difícil definir quais são as linhas de atuação, de pensamentos e as doutrinas de diversos partidos. Neste sentido, já que está esta grande demanda dos partidos, os eleitores devem se atentar as pessoas, votar menos em partido e mais em pessoas. Há pessoas de bem, há pessoas preparadas nos mais diversos partidos, só que o eleitor precisa ter essa compreensão, ter discernimento, senso crítico apurado para identificar as pessoas que merecem ser eleitas, aí sim, a gente consegue pensar em uma reforma política de maior atração para a politica brasileira.

Percebemos que as pessoas se preocupam muito com as eleições do executivo, quem vai ser o presidente, o governador, o prefeito, e esquecem o papel fundamental do legislativo. Esse comportamento do eleitor têm trazido alguns transtornos, chegando a inviabilizar governos em função do legislativo, que fica amarrando, querendo barganhar, enfim. Como o Senhor analisa esse posicionamento do eleitor em relação ao poder legislativo?

Eu vejo a necessidade premente de um legislativo forte, de um executivo forte, um judiciário independente, fundamental para que haja democracia no país. No entanto, é importante também, que o eleitor tenha total atenção, senso crítico, critério na escolha dos seus legisladores. Há uma brincadeira comum em nosso país, na qual após 2 anos da eleição, perguntam para quem você votou para deputado? E as pessoas não lembram, podem lembrar para presidente, para governador, mas para deputados não lembram. Isto é o primeiro sintoma de que o voto no legislador, no deputado, senador, não tem tido a atenção e o cuidado que merecem, embora a importância do poder legislativo para o funcionamento da cidade e do pais seja muito grande.

A independência entre os poderes deve ser mantida, mas o legislativo deve agir com grande responsabilidade. O legislador tem a oportunidade de fiscalizar o poder executivo, propor leis que facilitem o dia a dia do cidadão, que garanta a segurança aos direitos do cidadão, ajude a desburocratizar a vida do empreendedor, ou seja, uma série de ações que podem ser tomadas a partir do poder legislativo que facilita o dia a dia da cidade, que pode facilitar e integrar a ação do poder executivo e ainda cobrar, caso o poder executivo não esteja funcionamento em uma mesma velocidade, em um mesmo alinhamento de funcionamento.

Então, o eleitor tem uma grande responsabilidade, inclusive de estar presente no processo eleitoral, por que há uma abstenção muito grande, principalmente para Deputado Federal, quase 40% dos eleitores que vão as urnas não vota em Deputado Federal. È um número muito alto. O voto majoritário, para presidente e governador, é a maioria é de votos em algum candidato, mas, para a eleição proporcional, para deputado, o número é muito pequeno. Então, isso pode mudar o processo eleitoral, até porque nós ainda temos em funcionamento o coeficiente eleitoral. Isso faz com que os nomes que são poucos votados possam ser eleitos mesmo não sendo os primeiros em números de votos, podem ser eleitos sem representatividade, então, como o caso do deputado Tiririca, que com o voto de protesto conseguiu ser eleito no Estado de São Paulo, sem representatividade, então, o voto de protesto tem que ser analisado de que forma tem que ser feito. Além disso, cada vez mais, é necessário que a população entenda que a democracia representativa faliu. Nós temos que ter uma democracia participativa, em que os cidadãos tenham cada vez mais direitos, cada vez mais poderes nos processos decisórios, que sejam ouvidos, que sejam estimulados a participar no processo decisório, e mais do que isso, que tenha uma descentralização de poder.

O senhor anseia por uma nova candidatura a federal, ou acha que é muito cedo para falar sobre isso?

Eu tenho trabalhado no dia a dia para que todo esse trabalho que realizamos e ainda estamos fazendo junto ao governo de Brasília, resulte sim em uma proposta de candidatura. O ano que vem será muito importante para nossa cidade, pode acontecer, e há pesquisa e estatística que mostram isso, que haja uma renovação, não só de caras, mas também de ideias. Então, uma candidatura, seja ela a deputado federal ou a distrital, para fazer sentido, tem que buscar soluções, trabalhos e ações que estimulam a democracia participativa. O planejamento que nós queremos para nossa cidade é no sentindo da melhoria de vida das pessoas, da qualidade dos serviços públicos, da condição financeira e econômica da nossa cidade e da busca pelo desenvolvimento econômico e social. Enfim, tudo que nós já falamos aqui. Independentemente do cargo escolhido, hoje não está definido se é deputado distrital ou federal, a construção da candidatura não pode ser só minha, ela passa pelas pessoas que acreditam nesse trabalho e que querem fazer parte dele, além do apoio do Governador Rodrigo Rollemberg, que é quem oferece toda a condição para o desempenho desse trabalho aqui dentro do governo de Brasília e do partido. Então, é um processo de construção de diversos atores na qual será tomada a melhor decisão, a fim de que haja a possibilidade desse projeto ser vitorioso.

Secretário, eu gostaria de encerrar pedindo para o Senhor falar para nossos eleitores o que é podemos esperar do Igor Tokarski, seja ele Deputado Federal ou Distrital?
Posso dizer que as pessoas sempre podem esperar de mim muita franqueza, comprometimento e dedicação. Como disse na nossa conversa, o lema maior que levamos no dia a dia é: Como você quer ser lembrado? Isto é fundamental para que daqui a alguns anos, possamos conseguir um olhar de todas as pessoas e cidadãos que acreditaram nesse processo com a mesma franqueza e transparência.

Podem esperar de mim trabalho em parceria com a sociedade e com o setor produtivo, focado na criatividade, inovação e na busca de novas ideias. Entendo que o gestor, o parlamentar, pode colocar em prática as suas ideias, mas também é importante que busque experiências que já deram certo em outros locais do Brasil e do mundo. Então, esse senso de acompanhamento e monitoramento de boas praticas que já passaram pelo crivo da sociedade ou da própria economia, merecem ser implementadas aqui também na nossa cidade.

Tenho buscado estudar muito casos específicos que acontecem no mundo e no Brasil para entender se em Brasília daria certo também. Isso é importante a fim de que não tenhamos aqui processos iniciados só do zero. Podemos trazer práticas que já estão formadas e maduras suficientes para implantar na nossa cidade. Esta é uma forma que eu gosto de trabalhar, observar o que acontece no Brasil e no mundo, para que a gente traga para a nossa cidade o que há de melhor. Brasília sempre foi referência nacional, e há uma necessidade de novos gestores e pessoas comprometidas com a cidade, a fim de que ela continue sendo uma referência para o Brasil e para o mundo.

O meu trabalho é não é somente para as pessoas, mas, com as pessoas. Acho que a construção é coletiva, trabalhar em equipe e de forma integrada com a população é fundamental. Não gosto de trabalhar sozinho, até por que trabalhando em equipe a gente ganha junto ou perde junto, isto é importante para o sentimento de participação das pessoas. Elas se sentem contempladas no projeto. Trabalhar em equipe é uma característica que tenho, pois quando se ganha junto, o sentimento de vitória é muito saboroso.

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