Mulheres do sistema penitenciário farão cursos profissionalizantes

Parceria entre a Secretaria de Educação e a Fundação de Amparo ao Trabalhador vai beneficiar 85 detentas

Pela primeira vez em parceria com a Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap), a Secretaria de Educação do Distrito Federal vai oferecer a mulheres do sistema penitenciário cursos de educação profissional de três modalidades.

Distribuídas em três turmas, 85 alunas da Penitenciária Feminina do DF vão aprimorar os conhecimentos em 30 vagas abertas para assistente administrativo, 30 para recepcionista e 25 vagas para costureira de máquina reta e overloque. As aulas se iniciam em 10 de abril.

Após concluir os estudos, aquelas que farão cursos de costureira e de moda podem pedir o aproveitamento dos créditos para fazer disciplinas técnicas. “Estamos promovendo um grande resgate social com possibilidade de reintegração. Temos de entender que educação não é só na escola, qualquer espaço é lugar de aprendizado e acolhimento”, enfatiza a coordenadora de Políticas Educacionais para Juventude e Adultos da pasta, Fernanda Marsaro.

Cada curso terá duração de 160 horas. Ao término das aulas, as aprendizes receberão um cartão com crédito de R$ 2 por hora-aula assistida, de acordo com a frequência comprovada. O benefício será entregue às famílias de cada participante.

“Estamos promovendo um grande resgate social com possibilidade de reintegração. Temos de entender que educação não é só na escola, qualquer espaço é lugar de aprendizado e acolhimento”Fernanda Marsaro, coordenadora de Políticas Educacionais para Juventude e Adultos, da Secretaria de Educação

Além disso, as reclusas terão oportunidade de solicitar a remissão de pena por estudo, que as gratifica com menos um dia na pena por 12 horas de frequência escolar.

Os cursos fazem parte do projeto Mulheres Mil, desenvolvido pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), do Ministério da Educação.

Segundo o diretor-executivo da Funap, Nery do Brasil, a intenção da instituição — responsável pela inserção dos reeducandos no mercado de trabalho — em buscar vagas do Mulheres Mil surgiu a partir da observação do déficit de capacitação profissional no sistema penitenciário. “Percebemos que muitas delas não têm qualificações para iniciar os contratos de trabalho, e queremos mudar essa realidade. Essa é uma oportunidade para as internas conquistarem melhores condições quando retornarem ao convívio sociedade”, explica o diretor.

A metodologia específica é usada para privilegiar temas como direitos e deveres das mulheres, empreendedorismo, economia solidária, saúde e elevação da autoestima. O objetivo é promover a inclusão produtiva, a mobilidade no mercado de trabalho e o pleno exercício da cidadania.

A coordenadora nacional da iniciativa, Jussara Campos, ressalta que a educação de qualidade é um direito. “Já qualificamos mais de 10 mil pessoas em todo o Brasil e, desde o ano passado, estamos em parceria com a Secretaria de Educação do DF.”

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