Confusão em protesto contra Temer e as reformas monopolizam debate

Críticas aos atos de vandalismo na Esplanada

A sessão ordinária da Câmara Legislativa desta quinta-feira (25) foi monopolizada pelo debate sobre o ato contrário ao presidente Temer e as reformas propostas por ele que acabaram em confusão e deixaram um rastro de vandalismo na Esplanada dos Ministérios nesta quarta-feira.

O deputado Wellington Luiz (PMDB) usou palavras duras para classificar a manifestação e defendeu a Polícia Militar, corporação da qual faz parte. "Parabenizo a todos os policiais, especialmente os militares que enfrentaram a cambada de bandidos que vieram em ônibus de luxo, pagos pelas centrais sindicais, para acabar com a nossa cidade", declarou.

O parlamentar se disse indignado pelo fato de que "os saqueadores foram embora e os policiais terão de responder por excesso na conduta". Segundo ele, a postura dos PMs, os quais considera "heróis e heroínas", devia ter sido "baixar o cacete, a porrada, mesmo". Na avaliação de Wellington, os policiais ficaram acuados e precisaram se defender. Por esse motivo, apoiou a decisão do governo federal de convocar o apoio das forças nacionais.

Para Ricardo Vale (PT), que calculou em 100 mil o número de manifestantes, a presença de cidadãos de todo o País pedindo a saída de Michel Temer do Palácio do Planalto é uma prova inequívoca de que "o Brasil está contra as reformas que este presidente corrupto quer implantar". Ele se declarou "triste" pela baderna que presenciou: "Estive na Esplanada e vi que aqueles atos não representavam a vontade do povo que lá estava".

O distrital computou que cerca de 200 pessoas promoveram o quebra-quebra. "A intenção foi tirar o brilho de um evento que reuniu homens e mulheres de várias idades e categorias profissionais contra o governo Temer", afirmou. Ricardo Vale também sugeriu que "a baderna pode ter sido encomendada" e criticou o que chamou de "excessos" por parte da PM.

Praça de guerra – Raimundo Ribeiro (PPS) disse que "viu Brasília transformada em uma praça de guerra" e condenou a atitude do governador Rodrigo Rollemberg que, segundo o parlamentar, "havia sido avisado sobre a baderna e não tomou nenhuma providência". Ele considerou grave atearem fogo ao Ministério da Agricultura: "Isso é inaceitável".

O deputado fez também uma análise sobre o momento que o país atravessa: "A população brasileira não aguenta o que está acontecendo. Todos os poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – estão contaminados pelo vírus da corrupção". Para ele, a PM também falhou em sua missão.

Por sua vez, Chico Vigilante (PT) relatou que participou de todos os grandes atos na Esplanada dos Ministérios – como a visita do Papa João Paulo II, "que reuniu 200 mil pessoas e transcorreu em paz", passando pelas Diretas e o chamado "Badernaço", na área da Rodoviária. "A baderna de ontem não interessava à CUT nem às outras centrais", ponderou, culpando os ativistas conhecidos como "black blocks" pelos atos. "São os mesmo que botaram fogo no Itamaraty durante o governo Dilma e muitos apoiaram", lembrou.

Vigilante enfatizou que "não devemos confundir os black blocks com o movimento sindical" e se considerou impressionado "com o despreparo da PM". De acordo com o parlamentar, "se os policiais estivessem protegendo os ministérios e demais prédios públicos nada disso teria acontecido. Mas onde estava a PM?", perguntou. Ele criticou ainda os que "ficam indignados com o que ocorreu ontem em Brasília, mas não se incomodam com os diversos fatos que surgem a todo momento no País".

Diante da presença, na galeria, de alunos do Campus Ceilândia da Universidade de Brasília, que visitavam a Câmara Legislativa, a deputada Luzia de Paula referiu-se aos fatos desta quarta-feira e avaliou que, apesar de tudo, "a democracia está concretizada".

CLDF

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