Brasília concorre ao título de Cidade Criativa, da Unesco

Candidatura visa mostrar que a capital federal é nascida do design, área em que é candidata, e tem potencial para ser referência no turismo criativo.

O governador Rodrigo Rollemberg lançou nesta terça-feira (6) a candidatura de Brasília à Rede de Cidades Criativas, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A cidade concorre no design, uma das sete áreas temáticas, pelo desenho do Plano Piloto, pelo desempenho dos profissionais que aqui atuam e pelas políticas públicas do Executivo local. A cerimônia ocorreu no Palácio do Buriti nesta terça-feira (6).“A base é sair do turismo contemplativo”, definiu a cofundadora do Experimente Brasília, Tatiana Petra, de 40 anos. “Ele engaja moradores e empreendimentos locais a ir além do óbvio e revelar a alma da cidade por meio de experiências e produtos.” Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília

Brasília entra na disputa no mesmo ano em que o Plano Piloto de Brasília completa 30 anos como Patrimônio Cultural da Humanidade, e o objetivo é mostrar a vocação da capital da República, projetada e nascida do design.

“Acho muito natural Brasília se candidatar porque ela é fruto da criatividade brasileira. Ao longo dos anos, reunimos aqui uma diversidade grande, com características de todo o País na culinária, na música, na cultura”, disse o governador.

O chefe do Executivo local destacou o seu compromisso com o desejo de fazer com que o turismo, a educação, a cultura, o turismo, a ciência e tecnologia e o meio ambiente sejam a base de um novo modelo de desenvolvimento.

Com isso, a ideia é transformar a capital federal em destino atraente e competitivo do turismo criativo. Uma das principais consequências é o fomento da economia criativa, com soluções modernas e sustentáveis.

Caso a candidatura seja aprovada pela Unesco, Brasília terá acesso a um intercâmbio de projetos com outras cidades do design. A lista inclui mais de 20 lugares no mundo, entre elas Curitiba (PR), Buenos Aires (Argentina) e Xangai (China).

O governo deve entregar até 16 de junho o documento para a Unesco, que vai anunciar em 31 de outubro as novas integrantes da Rede de Cidades Criativas. O reconhecimento por parte da organização internacional é objetivo do Plano de Turismo Criativo de Brasília.

O trabalho será avaliado na sede da Unesco, em Paris. Maria Virgínia Casado, oficial de projetos do setor de cultura da representação da entidade no Brasil, destacou que a unidade no País “valoriza a dinâmica que o governo de Brasília constrói por meio do diálogo com empreendedores e a população”.
Designers de Brasília

O turismo criativo vai além da visita guiada e protocolar nos pontos tradicionais das cidades. É, na visão de profissionais do ramo, fazer o destino ser mais atrativo.

“A base é sair do turismo contemplativo”, definiu a cofundadora do Experimente Brasília, Tatiana Petra, de 40 anos. “Ele engaja moradores e empreendimentos locais a ir além do óbvio e revelar a alma da cidade por meio de experiências e produtos.”
O turismo criativo vai além da visita guiada e protocolar nos pontos tradicionais das cidades. É, na visão de profissionais do ramo, fazer o destino ser mais atrativo

O empreendimento, na 215 Norte, trabalha com design de destinos. Uma ação de destaque é o Mapa afetivo de Brasília, com a proposta “explore a cidade como um local”. Além dos tradicionais monumentos tombados, o mapa lista lugares frequentados por brasilienses, como cafés, bares e restaurantes.

Entre outros produtos e serviços, a loja ainda oferece a bike tour, um passeio pela cidade na Nuvem, bicicleta tipicamente brasiliense, e camisetas com frases sobre Brasília, como a de Lucio Costa, “o céu é o mar de Brasília”. “Isso é mostrar Brasília além da Praça dos Três Poderes”, definiu Tatiana.

Fabricante de móveis com a temática Brasília, o designer Aciole Félix, de 34 anos, discursou em nome dos colegas. “Temos levado a criatividade e a beleza da cidade para fora. Este evento é importante para valorizar Brasília como um lugar criativo”, disse.

Alguns dos trabalhos de destaque de Félix são a Quadradinho, mesa com o formato do mapa do DF e com o Plano Piloto e o Lago Paranoá recortados a laser; e o Banco Alvorada, feito de madeira maciça e metal e inspirado nas colunas do Palácio da Alvorada.

Outro que expôs o trabalho na cerimônia foi Fabrício Zago, de 39 anos, fundador do projeto autoral de fotografia Escrito à luz. O mote são suporte às imagens em quadros, camisetas e luminárias. “Sempre gostei muito de fotografar e pensei em colocar as imagens em quadros. Expandi a ideia e agora imprimo em outros meios”, explicou.
O Plano Turismo Criativo de Brasília e suas metas

O Plano de Turismo Criativo de Brasília foi lançado em novembro de 2016, fruto de parceria entre a Secretaria Adjunta do Turismo, vinculada à Secretaria do Esporte, Turismo e Lazer, e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Distrito Federal (Sebrae-DF).

O intuito é atrair mais visitantes e fazer com que fiquem aqui por mais tempo ao promover a cidade como destino turístico reconhecido pela excelência na qualidade de vida e pelos diferenciais associados à diversidade cultural, criatividade, arquitetura moderna, mobilidade e acessibilidade.
“O Plano de Turismo Criativo de Brasília coloca a criatividade como eixo central da promoção e do posicionamento da cidade como destino turístico”Jaime Recena, secretário adjunto de Turismo

“O Plano de Turismo Criativo de Brasília coloca a criatividade como eixo central da promoção e do posicionamento da cidade como destino turístico”, disse o secretário adjunto do Turismo, Jaime Recena. “O turista hoje tem tudo na palma da mão, no celular, e não quer mais apenas contemplar, mas ter uma experiência de como a cidade realmente funciona.”

Outras metas além da candidatura incluem captação de eventos a partir de projetos colaborativos, implementação do Brasília Cinematográfica — transformar a cidade em referência nacional para set de locações de filmes —, e a revitalização da Torre de TV.
Governo de Brasília tem o design como marca em políticas públicas

Tendência do mercado mundial, o turismo criativo confunde-se com o design em algumas políticas públicas no DF. Um exemplo dado na argumentação para a candidatura é o Plano Orla Livre, de recuperação de área pública às margens do Lago Paranoá, que retoma a escala bucólica de Brasília e entrega o espaço à população.

“É um acesso livre a um local importante no projeto urbanístico de Brasília, antes tomado apenas por quem privatizava o espaço. É uma reconfiguração da cidade, um design de política pública por excelência”, explicou a subsecretária de Produtos e Políticas de Turismo da Secretaria Adjunta de Turismo, da Secretaria do Esporte Turismo e Lazer, Caetana Franarin.

Outro projeto do governo de Brasília que Caetana destacou é o fechamento do lixão da Estrutural e o reposicionamento dos resíduos para o Aterro Sanitário de Brasília. Segundo ela, essa mudança traz sustentabilidade para o DF.

O título significa, portanto, um novo posicionamento para Brasília, com potencial para atrair mais visitantes e criar oportunidades de negócios ao incluí-la em uma rede com cidades do mundo inteiro.
O que é a Rede de Cidades Criativas da Unesco

Criada pela Unesco em 2004, a Rede de Cidades Criativas tem como objetivo desenvolver cooperação internacional entre cidades que enxergam a criatividade como fator estratégico para o desenvolvimento urbano sustentável, a inclusão social e o aumento da influência da cultura no mundo.

Cento e dezesseis cidades, de 54 países, fazem parte da Rede de Cidades Criativas. São sete áreas temáticas: artesanato e artes folclóricas, design, filme, gastronomia, literatura, artes midiáticas e música.

A cada dois anos são abertas novas candidaturas. Brasília entrou com um pleito em 2015 na área da música, no início da gestão e com pouco tempo para desenvolver um projeto. Não foi aceito.

Leia o pronunciamento do governador Rodrigo Rollemberg no lançamento da candidatura de Brasília ao título de Cidade Criativa, da Unesco.

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