Ambulatório do Hospital de Base para tratar colesterol ruim tem vagas abertas

Idealizado pela cardiologista Ana Cláudia Nogueira, serviço começou no início de 2017, com equipe multidisciplinar para acompanhar pacientes como Antônio de Souza, que já sofreu três infartos.

Antônio Damião de Souza, de 58 anos, já teve três infartos. O aposentado precisou mudar a dieta, incluir exercício físico na rotina e evitar estresse para tratar o colesterol ruim e evitar novos acidentes.

A nova maneira de encarar a doença veio depois das consultas no ambulatório de dislipidemia familiar do Hospital de Base, instalado em janeiro deste ano. “Foi determinante para eu mudar”, observa o morador de Luziânia (GO).

O ambulatório atende pessoas que têm colesterol ruim e triglicérides com taxa acima de 190 e 500 miligramas por decilitro, respectivamente. “Nós sabemos que o colesterol entope as artérias do cérebro e do coração. Por isso, é a principal causa de morte no mundo”, explica a idealizadora do serviço, Ana Cláudia Cavalcante Nogueira.

De acordo com a cardiologista, pacientes com essas taxas são considerados de alto risco. O objetivo do ambulatório, então, é identificar essas pessoas e estabelecer um tratamento ideal para cada uma delas.


A cardiologista Ana Cláudia Cavalcante Nogueira atende o paciente Antônio Damião de Souza no ambulatório de dislipidemia familiar do Hospital de Base. Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília

“O colesterol entope as artérias do cérebro e do coração. Por isso, é a principal causa de morte no mundo”Ana Cláudia Nogueira, idealizadora do ambulatório para tratar colesterol ruim no Hospital de Base

O espaço começou recebendo demanda encaminhada pelo próprio Hospital de Base. Ana Cláudia conta que, no primeiro semestre, o projeto funcionou como piloto, para que falhas fossem detectadas e pudessem ser resolvidas.

Agora, a ideia é atender qualquer paciente que precise do acompanhamento. Basta procurar o ambulatório, que fica na ala de cardiologia do hospital, na Asa Sul. É preciso ter um lipidograma recente. A médica, então, avaliará se o caso precisa ou não dos cuidados.

Os atendimentos ocorrem toda quarta-feira, a partir das 13 horas. “Eles chegam à consulta sabendo que passarão a tarde comigo”, ressalta Ana Cláudia. Isso porque, em um mesmo dia, o paciente tem acesso às consultas de todos os profissionais de que necessita.

O fluxo é determinado pela cardiologista, a primeira a receber o paciente. Com base no perfil de cada pessoa, ela faz o encaminhamento para a próxima especialidade. O ambulatório ainda tem:
Nutricionista — prescreve dieta e repassa informações nutricionais ao paciente
Fisioterapeuta — orienta a atividade física
Farmacêutica — tira dúvidas sobre a medicação necessária e explica como ter acesso a remédios na rede pública
Enfermeira — orienta, principalmente, sobre o autocuidado
Psicólogo — atende pacientes mais resistentes ao tratamento

Segundo Ana Cláudia, a estrutura foi pensada depois de perceber que muitos pacientes retornavam ao cardiologista sem ter feito mudança de hábito, mesmo sabedores da importância disso para o tratamento. “Eu mesma, quando falava sobre a dieta, acabava sendo muito generalista. Com a equipe, isso mudou.”
Equipe trabalha em conjunto no cuidado ao paciente

O plano de cuidado é fechado e acompanhado em conjunto por todo o grupo e atende às especificidades de cada paciente. “No final, nos reunimos e, onde há dificuldade, trabalhamos individualmente caso a caso”, detalha.

Para a médica, o resultado concreto do trabalho multidisciplinar é a diminuição nas taxas de colesterol ruim. “Estamos recebendo o retorno dos primeiros pacientes e vendo que eles realmente aderiram ao tratamento. Estão sendo mais bem cuidados.”
Mais de 15 mil pessoas no DF têm colesterol ruim acima da taxa

A Secretaria de Saúde estima que, no DF, pelo menos 15 mil pessoas tenham colesterol ruim acima dos 190 miligramas por decilitro. Por isso, é importante fazer frequentemente o controle, principalmente se há casos do mal cardíaco na família.

“Esses pacientes precisam ser identificados antes que haja a manifestação da doença. Muitos descobrem o problema quando têm um derrame ou um infarto”, alerta a cardiologista. Para isso, na visão dela, a responsabilização de cada pessoa pela própria saúde é fundamental.

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