Exposição nas redes sociais faz aumentar demanda por cirurgias plásticas

Foto: Kleber Lima/Jornal de Brasília

33% a mais de pacientes procuraram cirurgiões para mudar algo no rosto em relação ano anterior

A demanda por cirurgias plásticas no rosto cresceu 55% no País, em 2017. O motivo, segundo a Academia Americana de Plástica Facial e Cirurgia Reconstrutiva (AAFPRS), são as selfies. Isso mesmo: a maior exposição do rosto em imagens nas redes sociais fez com que 33% pacientes a mais do que no ano anterior procurassem cirurgiões para mudar algo no rosto. Desse total, 57% desejaram a mudança para ganhar promoções ou se sentirem mais competitivos no mercado de trabalho.

No Distrito Federal, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP-DF) não tem indicadores sobre o aumento na procura, mas médicos confirmam a tendência in loco. Pacientes fazem até três procedimentos por vez e saem do hospital ou de clínicas especializadas com nariz, queixo, bochechas e até pálpebras modificados.

Mais procuradas

Para o cirurgião membro e secretário executivo da SBCB-DF, César Daher, houve aumento na demanda por cirurgias no rosto entre 2017 e 2018. Bichectomia — remoção de gordura das bochechas —, rinoplastia e mentoplastia (inclusão de uma prótese de silicone no queixo) são as mais procuradas no consultório. Procedimentos não cirúrgicos, como lifting facial e aplicação de preenchedores como toxina botulínica e ácido polilático, também são requisitados com frequência.

“As cirurgias são buscadas por pessoas jovens, a partir dos 20 e até os 40 anos. Os procedimentos não cirúrgicos são prioridade para quem tem mais de 50 anos”, detalha Daher. “O aumento desses procedimentos deve continuar. Quanto mais exposta uma pessoa fica, mais ela se avalia e é avaliada. No passado, os pacientes não tinham esse hábito”, analisa o cirurgião. Ele lembra o boom da bichectomia. “Começou em 2016, quando Angelina Jolie fez. Não era uma cirurgia tão famosa e que hoje é bastante indicada”, pontua.

Demanda alta

Outra especialista, Marcela Cammarota, é secretária-adjunta da SBCP-DF e destaca a necessidade de regionalizar a pesquisa nacional. Ela lamenta não haver dados a nível de DF e opina: “O aumento sentido no consultório pode ser uma realidade porque temos médicos bons e conhecidos na região. Logo, a demanda é sempre alta”, esclarece. Para Cammarota, médicos com mais de dez anos de experiência também experimentam aumento na demanda por cirurgias nessa fase da carreira.

Melhora na autoestima

A jovem Paula Machado decidiu alterar nariz e queixo antes de se casar. Duas semanas após as cirurgias, feitas no mesmo dia, ela se orgulha do resultado. “Mesmo com os hematomas, que foram muito menores do que o de muita gente, já me sinto mais bonita”, compartilha. “Não fiquei roxa”, destaca. “E são modificações que já melhoraram minha autoestima”.

Antes de operar, ela se sentia incomodada com os traços do rosto. “Meu nariz era grande e nunca ficava bom nas fotos. As espontâneas eram as piores”, lembra. Paula também colocou próteses de silicone nos seios. “Todos os procedimentos custaram, juntos, R$ 33 mil”, revela.

A empresária Tayná Antunes, 27, também ficou satisfeita com as mudanças que fez no rosto no fim do ano passado. Bichectomia, rinoplastia e mentoplastia foram as indicações médicas. “Eu sou uma pessoa muito exigente. Não estava satisfeita com a minha imagem. Na internet, a gente vê pessoas perfeitas o tempo todo e acaba buscando essa perfeição”. A mulher se considera viciada em cirurgias. “Quem julga é porque tem inveja. Estou muito feliz”, declara.Tayna Antunes /Foto: Kleber Lima


A polêmica da bichectomia

Desde dezembro de 2017, dentistas não podem fazer procedimentos no rosto de pacientes, como aplicação de toxina botulínica (botox) e ácido hialurônico com fins estéticos. A decisão foi da Justiça Federal no Rio Grande do Norte e vale para todo o País. A determinação foi oficializada após uma denúncia feita pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBPC). Na prática, ela suspende a resolução emitida pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) um ano antes, que concedia aos dentistas permissão para fazer os procedimentos.

Secretário executivo da SBPC no DF, o cirurgião César Daher defende que o treinamento dos dentistas é precário. Por isso, a proibição é válida. “Para cirurgia plástica e procedimentos não cirúrgicos, o profissional mais indicado é o médico especialista, porque ele é treinado para observar a harmonia do rosto”, sustenta. Daher chama a atenção aos cuidados necessários na hora de escolher um profissional. “Muitas clínicas e esteticistas autônomos oferecem tratamento, muitas vezes pela internet, sem avaliar se a pessoa realmente tem indicação para aquilo”, comenta.

O presidente do Conselho Regional de Odontologia (CRO), Samir Najjar, rebate. “Essa é uma briga por mercado, porque o dentista estuda rosto e pescoço com profundidade. Está apto a fazer os procedimentos”, opina. O CRO atua na fiscalização de estabelecimentos que descumprem a lei. Segundo ele, a maioria das denúncias vem de peças publicitárias de clínicas. “Após a oficialização da liminar, recebemos poucas denúncias. Mas ainda há oferta de produtos, principalmente nas redes sociais”, conta.

Fonte: Jornal de Brasília

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