Começa na capital federal a 4ª Bienal do Livro

(Wilson Dias/Agência Brasil)

Festa literária reúne, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, leitores de todas as idades e oferece debates, estandes, apresentações e muito mais

Na literatura, as páginas são palco para o espetáculo, as palavras são o instrumento de trabalho e a interpretação fica por conta do leitor. O figurino também é importante. Se vestindo como prosa ou poesia, a trama pode abraçar da ficção à biografia. Afinal, entre capa e contracapa, um universo inteiro pode ser criado. Inspirada nessa grandeza, a 4ª Bienal Brasil do Livro e da Literatura traz, a partir deste sábado (18), diferentes eventos para o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, mergulhando o brasiliense no mundo das letras. São nove dias de evento, com encontro de escritores, lançamentos de livros, mesas de debates, estandes de editoras e apresentações artísticas.

Toda a programação é sustentada pelo tema “Os outros somos nós”, que explicita um dos objetivos da Bienal 2018: quebrar barreiras e preconceitos.

“Quando lemos, vemos personagens totalmente diferente de nós, e ainda assim ficamos curiosos. É uma forma mais segura de conhecer coisas que não temos contato. No fim, somos todos humanos, são as organizações sociais que mudam isso”, aponta Sérgio Leo, jornalista e curador do evento, em entrevista ao JBr.

Dessa forma, a produção se pautou em dar voz a grupos minoritários. Grande parte dos debates, por exemplo, é voltada para questões relacionados à etnia, racismo, representatividade feminina e sexualidade. Jessé Souza e Miriam Alves dão início às discussões, amanhã, às 10h, na Mesa 1 – O Racismo na Cultura. Lembrando que para participar das mesas, é preciso retirar o ingresso na bilheteria duas horas antes.

A professora da Universidade de Brasília e escritora Gina Vieira Ponte é homenageada, também, neste sábado. Dona do premiado projeto “Mulheres Inspiradoras”, a ativista virou ícone da luta contra preconceitos e de incentivo à literatura. Ela faz a palestra de abertura da Bienal, às 19h.O premiado escritor nigeriano Chigozie Obioma é uma das atrações do evento (Crédito: Divulgação)

“Também trouxemos autores da América Latina e da África que, apesar de (o brasileiro) pouco conhecer, fazem muita parte da nossa realidade”, explica Sérgio, destacando o nigeriano Chigozie Obioma. Nome por trás do romance Os Pescadores, o premiado autor de 32 anos teve a obra traduzida para 24 idiomas. No penúltimo dia de Bienal, 25 de agosto, Chigozie participa da Mesa 14 – África e Muitas Áfricas, às 14h.

Alice Oseman, Cildo Meireles, GOG, Zeca Camargo, o colombiano Juan Gabriel Vásquez e a tradutora da versão em inglês de Grande Sertão: Veredas, Alison Entrekin, são alguns dos nomes que participam das mesas do evento candango.

Produção feita no quadradinho

Escritores participam das mesas de debate, mas também têm destaque nos tradicionais lançamentos de livros. São 24 nomes locais, escolhidos entre 64 inscritos, projetando títulos de diversos estilos.

Às 10h, primeiro horário de domingo (18), o poeta e professor de literatura Augusto Niemar apresenta Era Uma Vez Uma Vez Outra Vez. Voltada para o público infantil, a obra explora a liberdade linguística e visual para construir suas páginas. “A poesia está muito certinha, então busquei tradições de fazer jogo de linguagens e poemas cantados”, explica. Goiano, Niemar mora na capital há 12 anos e diz ter uma visão positiva do mercado da cidade. Ele vê na Bienal uma forma de impulsionar o consumo. “Meus alunos não acreditam que exista produção aqui, então acho que é algo positivo. Quanto mais fomentarmos, mais pessoas vão ler”.

No outro fim de semana, no domingo (26), Carla Andrade é uma das responsáveis por fechar o festival. A poetisa lança Caligrafia das Nuvens, às 11h30. “É o meu quarto livro, uma mistura de muitas memórias da minha cidade natal e infância na roça, de uma forma bucólica, mas com erotismo no meio”.

Mineira que mora na cidade há 18 anos, Carla também tem uma visão otimista da produção literária brasiliense. “Sempre fui observadora, gostava de ler e de redações. Mas foi aqui (na capital) que os coletivos me aceitaram e que lancei dois livros”, frisa. Apesar disso, caracteriza o cenário como segmentado, pois “quem lê poesia em Brasília, são os poetas brasilienses”. Dessa forma, eventos como esse, para a escritora, são uma possibilidade de expandir o consumo de literatura do quadradinho.

Novidades

Uma das novidades da Bienal deste ano é o Espaço HQ, voltado para uma das tendências de produção no mercado brasileiro: quadrinhos. “O Brasil tem autores reconhecidos no mundo inteiro. O Marcelo D’Salete, por exemplo, acabou de ganhar o Prêmio Eisner, que é o Oscar dos quadrinhos”, conta o curador do evento, Sérgio Leo.

Já o Espaço Z é voltado para o ambiente virtual voltado ao mundo da leitura.

Buscando dar visibilidade à produção musical feminina, o ambiente ainda tem um espaço reservado para mulheres ecoarem sua luta. Os shows vão do rock ao hip hop e arrasta-pé, com apresentações de Chinelo de Couro, Cris Pereira, Litieh, Rebecca Realeza, Martinha do Coco, entre outras.

Serviço

4ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura
De 18 a 26 de agosto, das 9h às 22h. No Centro de Convenções Ulysses Guimarães (Eixo Monumental). Entrada franca. Informações: 3542.0340 ou www.bbll.com.br. Classificação livre.

Fonte: Jornal de Brasilia

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