Festival de Brasília: atrizes de Luna conversam sobre cinema, feminismo

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O longa-metragem concorre nesta segunda-feira (17) à Mostra Competitiva.

Pouco antes da sessão de New Life S.A. (DF), de André Carvalheira, Ana Clara Ligeiro e Eduarda Fernandes vagavam pelo coração do Cine Brasília (EQS 106/107). Visualmente distintas às caracterizações que tomam hoje as tela do cinema, as jovens atrizes conversaram com o Jornal de Brasília sobre as principais temáticas que permeiam Luna (MG), o longa-metragem que concorre nesta segunda-feira (17) à Mostra Competitiva.

Além de acompanhar o lançamento do título, as mineiras, ambas nascidas na região metropolitana de Belo Horizonte, compartilham o momento de estreia na sétima arte. “Viemos de uma mesma escola de formação, uma escola técnica de BH. Nos conhecíamos mas ainda não tínhamos intimidade”, conta Eduarda, intérprete da protagonista que dá nome à película.

Designadas, e reconhecidas, pelo diretor Cris Azzi como grandes responsáveis pela construção dos papéis que trazem à vida, Ana Clara Ligeiro (Emília) e Eduarda Fernandes (Luana) trabalharam em simbiose com o cineasta, para o melhor encontro com as personagens que interpretam. “Se não fosse isso, o filme teria sido outra coisa” afirma Ana. “Foi um privilégio porque, apesar de não conhecer outros sets, acho que foi único”.

Pontuando a importância do lugar de fala das mulheres, Eduarda completa: “A equipe estava muito refinada e em sintonia, isso afetou diretamente na qualidade do produto, na fluência do set e na poeticidade da coisa”. Assim, a atriz estende a ideia à importância de uma filme permeado pelas opressões ao mundo feminino. “É um produto artístico que serve como uma resposta ao mundo. É importante a gente ter esse posicionamento reativo em relação à essas coisas, mas sempre entendendo o risco que é ser uma mulher empoderada no mundo machista”.

Dentro da pesquisa individual de cada uma, Luana é apontada por Eduarda como um misto de metamorfose (referenciando o livro de Franz Kafka que a inspirou) e curiosidade sobre o mundo – mesma característica levantada pelo diretor. Já Emília, para Ana, é “híbrida, dúbia e incerta”. Mesmo com essas particularidades, a atriz afirma: “Não sei direito quem ela é, e não sei se um dia vou saber”.

Mesmo com as disparidades de personalidade das personagens, a relação entre as duas é um dos enfoques do longa. Com 90 minutos de duração, as artistas divergem quando apontam as cenas preferidas. Ana destaca uma cena em conjunto para o posto. “Tem uma, em uma floresta atrás da casa da Luana, na qual gravamos em um dia muito frio com neblina. A cena é um sonho onde a gente se suja de barro, com máscaras, e ficamos dançando”.

“Esse momento foi o mais onírico, foi muito bonito porque é isso, você está no cinema, com uma linguagem totalmente realista, e ter esse respiro deu um espaço para a gente se manifestar mais teatralmente”, completa Eduarda. “Mas uma das minha é quando Luana grava um vídeo de despedida para a mãe. Eita, é um super spoiler! (risos) Mas foi muito marcante porque a personagem usa as palavras da menina que inspirou o filme”.

Imerso em diversas questões, Luna tem o suicídio como uma delas, coincidindo a estreia com Setembro Amarelo, um mês de prevenção. Ana, sem se recordar da data, destaca a complexidade de falar sobre esse assunto. Eduarda, com a temática do feminismo latente, utiliza o filme como exemplo. “A cultura machista, neste caso, é letal. E o filme propõe uma reação à isso, que no meu entendimento é positiva”.

Além de todas as estreias, Ana e Eduarda também participam do Festival da pela primeira vez. Conterrâneas do diretor André Novais Oliveira, a dupla destaca inquietação para o mineiro Temporada (MG). “Tem aquela coisa de Minas, né? Tem uma afetividade”, completa Eduarda. “E também Bixa Travesty (SP)”. Vivenciando ao máximo a festividade, Ana dispara: “Passei ao lado da Letícia Sabatella; fiquei sem ar”.

Fonte: Jornal de Brasília

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