Festival de Brasília: Filme desta segunda retrata transição para fase adulta

Gustavo Baxter/Divulgação

Luna retrata nas telonas temas como iniciação sexual, sexo virtual, suicídio e machismo

Luna tem um vídeo íntimo arremessado nas redes sociais. Utilizando a transição da adolescência para a fase adulta como pilar para a construção da narrativa, o longa homônimo retrata questões como iniciação sexual, sexo virtual, suicídio e machismo.

Natural da capital mineira, Cris Azzi teve, aos 29 anos, sua estreia como diretor marcada pelo documentário Sumidouro, participante da 40ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em 2007. Anos depois, viu o reflexo do machismo estampado em uma notícia jornalística, que, aos 40, o faria retornar ao festival candango.

Um dos três longa-metragens dirigidos por homens na Mostra Competitiva desta edição, Luna traz a interceptada trajetória de duas adolescentes projetada na telona do 51º Festival de Brasília nesta segunda (17) à noite.

Como homem, o diretor afirma que sentiu a necessidade de buscar ajuda para abordar temáticas voltadas às opressões do gênero feminino. Assim, foi arquitetado um time de 15 meninas para labutar em simbiose com o diretor. O grupo pautou discussões sobre vivências da juventude. “Me deparei com jovens mulheres superdecepcionadas com os homens, o que foi algo arrebatador, tinha que imprimir no filme”, explica Azzi.
O filme, primeira ficção do cineasta, é enlaçado pelo encontro de Luana (Eduarda Fernandes) e Emília (Ana Clara Ligeiro).

Destoando das personagens idealizadas por ele, Eduarda e Ana Clara deram alma às protagonistas. No caso de Luana, “Eduarda tinha um físico diferente, aparentava mais jovem, mas com algo de curiosidade pelo mundo”. Já para Emília, “encontrei uma menina que trouxe algo de misterioso e performático com voz e corpo”.

Além das assinaturas, as jovens atrizes tiveram voz ativa nas filmagens. Utilizando o roteiro apenas como costura e base para os percursos da trama, o diretor focou na improvisação guiada. “Elas não tinham que se preocupar com marcação. A equipe tinha consciência que nada era mais importante do que se preparar para deixar espaço [nas imagens] e tempo para que o encontro cênico acontecesse naturalmente”, conta Cris.

Força feminina

Na equipe, o diretor contou com Luís Abramo na fotografia. Na parte visual, a força feminina ganha peso com Caroleta Maurício nos figurinos, Gabriela Dominguez na maquiagem, e Maíra Mesquita a cargo da direção de arte. No caso de Maíra, o cineasta a convidou para Luna após encontrar elementos que queria em Boi Neon (2005), de Gabriel Mascaro, com arte assinada pela diretora. “O mais bonito é que ela teve abertura para podermos enxergar o filme além das superfícies do roteiro, sendo capaz de mostrar um universo subterrâneo do filme”, explica ele.

Ao abordar a história de duas adolescentes, o cineasta mira também em outras idades. “Achava que essa geração era totalmente diferente, mas arrisco dizer que de uma forma geral é muito parecida, apenas com alguns paradigmas alterados”, diz, colocando o papel tecnológico e a maior liberdade sexual e de gênero como maiores diferenças.

Currículo

Cris Azzi mergulhou no cinema após abandonar a faculdade de Comunicação Social a dois meses de se formar. Depois de executar trabalhos como assistente de direção, se lançou como diretor em um episódio de 5 Frações de Uma Quase História (2007), sobre cinco protagonistas. Além do mineiro, é assinado por Armando Mendz, Cristiano Abud, Guilherme Fiúza, Lucas Gontijo e Thales Bahia.

Lançando sua primeira ficção, Cris espera pautar debates para além das telas de Brasília, e “reverberar Luna no conjunto de jovens e pais”, conclui o cineasta.

Entre pais e filhosCurta-metragem Mesmo com Tanta Agonia (Crédito: Divulgação)

A relação entre pais e filhos é latente nesta segunda-feira de festival. Esquentando a plateia com a temática, Mesmo com Tanta Agonia, de Alice Andrade Drummond, toma as telas do Cine Brasília antes do longa-metragem Luna.

Em 20 minutos, acompanhamos o drama de uma mãe, que no dia de aniversário de sua filha, fica presa no trem por conta de uma pessoa caída nos trilhos.

Conterrânea de Cris, Alice é mineira, nascida em Belo Horizonte. Há nove anos trabalha como roteirista, diretora de fotografia e diretora, passando por diferentes áreas cinematográficas. Foi lançada no mundo dos curtas com Sem Você a Vida é Uma Aventura, que levou o prêmio de melhor filme no Festival Internacional Curta Cinema RJ e na Semana Paulistana do Curta-Metragem.

Serviço
Até 23 de setembro. No Cine Brasília (106/107 Sul), Museu Nacional Da República (Eixo Monumental), Riacho Fundo (IFB Campus) e outros. Para horários, valores e classificação indicativa, acesse a programação em festivaldebrasilia.com.br.

Fonte: JBr

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