DF terá a primeira mulher no comando da Polícia Militar


Coronel Sheyla Soares Sampaio será a primeira mulher a assumir o comando-geral da PMDF

"O nosso maior propósito será resgatar os valores perdidos da corporação e mostrar que estamos prontos para atender toda a sociedade," afirmou Sheyla Soares Sampaio.

Tenente coronel PM Sheyla Sampaio(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press).

A coronel Sheyla Soares Sampaio, 46 anos, será a primeira mulher a assumir o comando-geral da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). O governador eleito do DF, Ibaneis Rocha (MDB), anunciou a escolha da atual comandante do Policiamento Regional Sul II na tarde de ontem. Responsável pela atuação da corporação no Núcleo Bandeirante, Recanto das Emas e Riacho Fundo 1 e 2, ela faz parte da PM há 26 anos. Em janeiro, completa 27 anos de atuação.

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Sheyla passou no curso de formação de oficiais como primeira colocada em 1994. A Polícia Militar foi o primeiro e único local onde ela trabalhou. Decidiu fazer o concurso da corporação enquanto estudava educação física na Universidade de Brasília (UnB). Entre as operações que comandou, estão as do carnaval de 2014, 2015 e 2016; a do ano-novo de 2013 para 2014; a Copa do Mundo de 2014; as Olimpíadas de 2016; e o primeiro turno das eleições deste ano.
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Como a senhora recebeu a notícia de que assumirá o comando da PMDF?
Tudo aconteceu nesta semana. Sondaram e me convidaram nesta semana. Só posso dizer que foi uma grande honra. Todos os oficiais são formados para conseguir chegar ao topo da carreira e ter a oportunidade de gerir toda a corporação. Nada melhor do que receber esse convite do governador. Sou grata pelo reconhecimento do meu trabalho. Tenho certeza de que tudo o que pesou foi o meu trabalho ao longo de toda a minha carreira.

Deram detalhes sobre como foi essa escolha?
Fui chamada ontem (terça-feira), no local onde está acontecendo a transição de governo, e o governador eleito me fez o convite. Aceitei, mas ele disse que a aprovação ainda não ocorreria naquele momento. Não me falaram como foi o processo de escolha ou quais foram os critérios adotados. Só fui comunicada e me coloquei à disposição.

Como será a sua atuação? 
Temos nomes que vão compor o alto comando da corporação, mas eles serão anunciados pelo governador. Também temos um plano escrito e desenvolvido por nós. Esse novo comando vem com veia de melhorar a corporação como um todo, tanto para atendimento externo, para a sociedade, bem como valorizar o nosso público interno, os policiais.

A senhora acha que haverá alguma diferença na gestão com uma mulher à frente do cargo?
Acredito que o que pesa não é o gênero nem o fato de eu ser mulher. Claro que esse fato é histórico. Óbvio que isso marca a história e envolve uma questão de empoderamento, não simplesmente pelo gênero, mas também pela capacidade de uma mulher estar à frente de uma corporação dessa magnitude. Acredito que as nossas ações serão vistas pela sociedade. O nosso comando trabalhará com base na honestidade, lealdade e no compromisso com instituição. O nosso maior propósito será resgatar os valores perdidos da corporação e mostrar que estamos prontos para atender toda a sociedade.

A senhora tem MBA em planejamento, orçamento e gestão pública. Como essa formação complementar auxiliará na nova função?
Ela foi um coroamento de tudo o que aprendi ao longo da carreira. Não posso negar que fui privilegiada na corporação: trabalhei nos departamentos de saúde, logístico, de gestão de pessoas e na área operacional. Confesso que fui privilegiada ao longo de 27 anos de serviço. Hoje, só posso dizer que esse curso coroa a experiência que tive.

Quais são os pontos que precisarão de mais atenção do comando?
Vivemos um problema de efetivo da corporação, mas, antes de assumir o comando regional, do qual estive à frente, fui subdiretora de Recrutamento e Seleção. Consegui realizar todos os concursos que estão em andamento, inclusive de turmas de oficiais. As ações com relação à reposição de efetivo foram resolvidas com trabalhos que desenvolvi. Outro ponto em que focaremos será o atendimento ao público interno, principalmente com relação à saúde dos nossos oficiais. Isso é prioridade do governador. São ações que foram previamente delimitadas para que sejam colocadas em prática e com foco no atendimento interno.

Como será a relação com o governador?
Quando fui chamada, ele me pareceu um excelente profissional, que atua baseado em questões éticas. Aparentou ser um político que quer ver o serviço andar, quer que a polícia se desenvolva, trabalhe, atenda a população e as demandas estatísticas. A proposta do governo veio com renovação e com o objetivo de resolver questões. Acho que a demonstração que ele deu foi de estar disposto a cumprir as promessas de campanha, os planos de ação desenvolvidos ao longo dela e de ter dinamismo. Ele parece ser contra a burocracia. Quer ver trabalho e resultados, e o time que estará na corporação colocará em prática todo esse planejamento.

Fonte:CB

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