Deputados repudiam corte em verbas destinadas à UnB

Leandro Grass trouxe o tema ao plenário e destacou que Grass destacou que a UnB formou líderes e "está sendo destruída pelo governo".

O corte de verbas das universidades públicas anunciado pelo governo federal foi repudiado por líderes de vários partidos na sessão ordinária da Câmara Legislativa desta terça-feira (7). Na avaliação do deputado Leandro Grass (Rede) a intenção "é acabar com a educação superior no Brasil". O parlamentar considera a situação "extremamente preocupante" e que afeta diretamente a cidade, referindo-se à Universidade de Brasília. "É uma guerra ideológica barata, sem fundamentação, na qual o inimigo escolhido foi a educação", discorreu. Para ele, esse é "um ataque à própria sociedade. Ao presente e futuro do País". Grass destacou que a UnB formou líderes, intelectuais, cientistas, artistas e "está sendo destruída pelo governo". Ao final do discurso, conclamou: "Vamos defender as universidades e a educação pública de qualidade".

O deputado Chico Vigilante (PT) referiu-se a um ato que promoveu, na manhã de hoje, um abraço simbólico à Biblioteca da UnB e uma visita à reitora da instituição. "Pude ver o quanto a sociedade já está se mobilizando contra a destruição do ensino no Brasil – não só superior, mas também o infantil e médio". Na opinião do distrital, o presidente segue orientações "desse maluco que é Olavo de Carvalho" visando à destruição do que é público. O distrital também demonstrou preocupação com o futuro dos hospitais universitários. "O Brasil hoje é um país triste. Precisamos reagir e dizer não", declarou

Já Fábio Felix (PSol), ao saudar o ato desta terça-feira em defesa da educação pública, lamentou que o corte orçamentário na UnB já chegue a quase 41%. Ele salientou que seis deputadas federais, os dois senadores do DF e 19 deputados distritais assinaram uma carta de repúdio à medida. Aludindo ao termo usado pelo ministro da Educação em entrevista na qual comentou os cortes, o parlamentar afirmou que "balbúrdia é esse governo cortar verbas do ensino e um ministro que, apesar de professor, age de forma vingativa". Segundo Felix, será necessária uma resposta à altura.

Ao elogiar iniciativas do governo federal que beneficiam os pequenos e microempresários – como a criação de empresas de crédito e a Medida Provisória da liberdade econômica –, a deputada Julia Lucy (Novo) também deplorou a decisão do Ministério da Educação de reduzir os orçamentos das universidades públicas. "É realmente lamentável o que está ocorrendo no âmbito daquela pasta", afirmou. Para ela, não se pode aceitar um corte arbitrário, sem justificativas, sem planejamento e sem dar oportunidade às universidades de se reestruturarem. "Há milhões de vidas envolvidas", comentou, julgando o ato como "um exemplo extremo do intervencionismo e do abuso do poder do Estado".

Cidadania – Ainda durante o comunicado de líderes, o deputado Delmasso (PRB) relatou os resultados do 1º Seminário Regional de Promoção e Defesa da Cidadania, promovido pela União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), nesta segunda-feira (6), no auditório da CLDF. Entre os temas estavam o combate à automutilação, ao suicídio e à violência contra a mulher. "Fiquei estarrecido com os números apresentados", comentou, lembrando que a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, fez um desafio aos legislativos estaduais e, especialmente, aos deputados para que se engajem no combate à violência. "Assumi o compromisso, que é em defesa da vida e se sobrepõe à ideologia", declarou, convidando os colegas de todos os partidos a participarem da construção de políticas públicas efetivas voltadas para essas questões. O distrital também sugeriu que 50% dos recursos recuperados pela Lava-Jato sejam usados "em campanhas e ações contra essas mazelas".

Metrô – O deputado Fábio Felix também denunciou o que chamou de "privatização do metrô". Ele informou que o GDF abriu chamamento para empresas da inciativa privada assumirem a "gestão, execução, ampliação e manutenção" do sistema, o que caracterizaria, de acordo com a legislação, um indicativo de privatização. "O governo não está levando em conta que a Câmara Legislativa precisa ser ouvida em casos de concessão do transporte público coletivo", acrescentou. A deputada Arlete Sampaio (PT) já apresentou um projeto de Decreto Legislativo "sustando os efeitos do edital para a apresentação de estudos visando à privatização do Metrô-DF".

Intérpretes de Libras – Por sua vez, o deputado Jorge Vianna (Podemos) anunciou a publicação na data de hoje, no Diário Oficial do DF, da Lei distrital nº 6.300/2019, de sua autoria, que determina a presença de intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras) nas unidades hospitalares. Em meio à comemoração, ele agradeceu aos colegas pela aprovação da matéria, sancionada pelo governador, e disse que está "deixando uma marca" que fará diferença na vida da população dos surdos e deficientes auditivos do Distrito Federal.

Marco Túlio Alencar
Fotos: Silvio Abdon/CLDF
Núcleo de Jornalismo – Câmara Legislativa

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