Preço da gasolina dispara no DF e se aproxima dos R$ 5

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Depois de dois aumentos nas refinarias em menos de uma semana, preços nos postos atingem níveis do tempo da greve dos caminhoneiros no ano passado

Os consumidores que foram aos postos de gasolina, ontem, levaram um susto com a nova disparada dos preços, que voltaram aos níveis observados durante a greve dos caminhoneiros de 2018. Em apenas seis dias, o valor da gasolina nas refinarias sofreu dois aumentos seguidos, de R$ 0,10 e R$ 0,07, elevando o preço médio sem tributos de R$ 2,045 para R$ 2,1758. Depois do aumento da Petrobrás, grande parte dos postos do Plano Piloto passou a revender o combustível acima de R$ 4,45. De acordo com a Secretária da Fazenda, em média, a gasolina comum está sendo vendida a R$ 4,49 no DF.

Levantamento feito pelo Correio em 27 postos na Asa Sul, Asa Norte, Estrada Parque Taguatinga (EPTG) e Setor de Indústrias Gráficas (SIG), mostra que 17 estabelecimentos cobram mais de R$ 4,50 pelo litro desde o início da semana. Enquanto o valor ultrapassa R$ 4,60 em alguns nos eixos L e W, chegando a R$ 4,67 no posto Petrobras da 103 Norte. Na EPTG, o combustível se mantém entre R$ 4,37 e R$ 4,45.

Em nota, o presidente do Sindicombustíveis, Paulo Tavares, que representa os postos do DF, afirmou que “os constantes aumentos são de inteira responsabilidade do governo federal”. Segundo ele, o governo teria adotado uma política de majoração de preços para manter uma melhor posição no mercado de combustíveis, em relação à concorrência. “Os sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis são o reflexo da política de preços da Petrobras e o aumento da carga tributária tanto emâmbito federal como distrital”, explica.

A nutricionista Sthefany Lima, 29 anos, é uma das brasilienses afetadas pelo preço da gasolina. Ontem à tarde, ela estava em uma longa fila para abastecer no posto Ipiranga da 112 Norte, que vendia o litro a R$ 4,54. “Sempre venho nesse posto, porque o crédito tem o mesmo valor do débito”, disse a nutricionista, que por morar no Noroeste e trabalhar no Plano, depende do carro para se locomover. “Quando a gasolina sobe, começo a calcular se vale mais a pena ir de Uber ou de carro para os lugares. Quando está muito alto (o preço), só uso Uber.”

A estratégia da fotógrafa Vanessa Vieira, 43, é abastecer com etanol quando a gasolina está muito cara e usar apenas um dos carros que tem em casa. Outra forma de economizar, segundo ela, é abastecer sempre em postos Ipiranga. “Eles têm um aplicativo, disponível na Play Store e App Store, que me permite economizar 5% a cada abastecimento”, explica. “Me recuso a pagar R$ 200 em um tanque de gasolina, morando em um país que produz combustível”, disse.

Explicação

O alto preço do combustível pode ser explicado. Para o economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), César Bergo, o valor da gasolina é influenciado, principalmente, por três fatores: pela Petrobras, que define o valor do petróleo nas refinarias; pelo valor do dólar, que influencia na parcela de petróleo não produzido pela Petrobras; e pelos impostos sob o combustível, avaliado em aproximadamente 40% do valor total. “Se a Petrobras produzisse gasolina suficiente, o preço teria queda. Enquanto dependermos da importação, o valor da gasolina nos postos também dependerá diretamente do mercado internacional”, explicou.

“Quando se aumenta o preço nas refinarias, se tem combustível antigo nos postos. Ou seja, o reajuste da gasolina não deveria ser imediato, porque o estoque ainda é o antigo. Porém, quando os preços abaixam na refinaria, o combustível continua caro nos postos”, afirmou o especialista.

Com informações do Correio

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