O Romantismo foi um movimento literário que teve início no século XVIII e durou aproximadamente 40 anos. Esse movimento tinha como principais características: negação à estética Clássica (Antiguidade) e Neoclássica, culto às razões do coração e a rebeldia individual, adoção de heróis, criação como impulso, subjetivismo e valorização do eu, representação da realidade interior, primado dos sentimentos, ênfase no primeiro amor e na pureza feminina, valores burgueses.
Tendo
em vista que os valores burgueses ditavam regras no contexto social e
por consequência norteavam a escrita dos romances de folhetins, as
histórias apresentavam o mito do primeiro amor, a valorização dos
valores burgueses, o primado pelos sentimentos, a pureza feminina e sua
atuação no contexto social. Nota-se através dos romances, A Moreninha,
de Joaquim Manoel de Macedo, A Viuvinha e Senhora, de José de Alencar,
por exemplo, que essas mulheres eram criadas para atender a expectativa
de uma sociedade que primava por valores como família e casamento. As
mulheres eram recatadas no modo de vestir, de falar, de se comportar à
mesa, tinham problemas como todo e qualquer ser humano, mas a sua
essência de idealização se mantinha acima de todo e qualquer defeito,
ela era pura e virgem, sinônimo de candura e beleza. No entanto, as que
passassem dessa caracterização, eram “mulheres de vida fácil” e serviam
apenas para o divertimento dos homens.
O
Romantismo, de certa forma, escondeu as mazelas da sociedade para
agradar ao público alvo dos seus romances, as mulheres, público que se
mostrava muito forte no século XVIII quanto à leitura de folhetins.
Hoje,
século XXI, essa idealização de mulher perfeita existe, mas não está
atrelada ao movimento literário do Romantismo, está ligada à imposição
da Mídia. A mulher deve ser bela, ter traços faciais delicados como os
de modelo, deve ter cabelo liso, ser obcecada por cremes anticelulite e
antiestrias, dietas mágicas, ter um corpo com silhueta bem marcada, deve
ter silicone e, principalmente, para ficar bonita, precisa ir ao
cabeleireiro pelo menos três vezes por semana.
Além
dessa imposição e padronização para o novo modo de ser mulher, a Mídia
encarregou-se de vulgarizar a imagem feminina através de personagens de
novela, como por exemplo, a “Bibi” da novela Insensato Coração, fútil no
modo de pensar e agir, “pegadora” e desesperada por homem, personagens
de comerciais de cerveja, de sandálias, até mesmo de Postos de gasolina
como, por exemplo, a nova propaganda dos postos Ipiranga. As mulheres
perderam seu posto de delicadeza, fidelidade, de mãe, de protetora, dona
do lar, simplicidade, elegância e requinte para assumir, na maioria
delas, o posto de troféus dos homens, a exemplo das “Maria Chuteiras”,
enfeites de programas de auditório, adeptas do top, da mini saia e do
salto 15. Infelizmente, esse é o modelo que a mídia quer incutir, e já
conseguiu, na maioria dos casos, propor para a sociedade.
Portanto,
se levarmos em consideração a comparação das mulheres deste século com
as mulheres do século XVIII, veremos que na verdade o que a maioria
delas quer é aparecer na Mídia e sobressair-se em relação aos homens, e
nessa eterna competição o que mais interessa é curtir a vida.













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