Rita Trevisan e Simone Cunha
O momento da visita é sempre sinônimo de alegria, em qualquer tipo de hospital. Porém, quando os visitantes têm quatro patas e chegam dispostos a doar e receber amor, o ambiente se transforma completamente. "Todo mundo se contamina com o alto-astral dos bichos, o clima do hospital inteiro muda", diz a psicanalista Silvana Fedeli Prado, fundadora da ONG Patas Therapeutas, de São Paulo, que atua com TAA (Terapia Assistida por Animais) nos hospitais infantis Darcy Vargas e Menino Jesus e no setor pediátrico da Irmandade Santa de Misericórdia, todos na capital paulista.
Segundo o médico Sérgio Sarrubbo, do Departamento de Emergência e Cuidados Hospitalares da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), a Terapia Assistida por Animais é muito comum na Europa e nos Estados Unidos e, por aqui, vem conquistando cada vez mais espaço. "A condição da doença, o fator de limitação e os procedimentos com agulhas e medicamentos causam muito sofrimento, elevando o estresse e provocando falta de estímulo para a recuperação das crianças", afirma o médico.
A chegada dos animais, em geral cães e gatos, funciona como uma espécie de contraponto, motivando a criançada a seguir firme no tratamento. "A sensação de prazer provocada pelo contato com os bichos contribui para a liberação de hormônios como a endorfina e a dopamina na corrente sanguínea, que minimizam a dor", diz Sarrubbo. Em contrapartida, essa interação ajuda a diminuir o cortisol circulante, o hormônio do estresse, acalmando os menores.
Para Silvana, as reações emocionais e fisiológicas que os bichos provocam nas crianças ajudam a melhorar a resposta do sistema imunológico delas. "Isso pode contribuir para diminuir o tempo de permanência no hospital", declara a psicanalista.
A visita dos animais assegura momentos mais brandos e descontraídos e, muitas vezes, serve de estímulo para uma criança acamada, por exemplo, ter vontade de levantar e passear um pouco pelos corredores, segurando o animal pela guia. "Nos dias de visita, até os procedimentos médicos são aceitos de forma mais tranquila", fala o pediatra.
No Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, o bicho de estimação do próprio paciente pode ser autorizado a visitar o dono. "O setor pediátrico é um dos que mais encaminha solicitações", diz Rita Grotto, gerente de atendimento ao cliente e responsável pelas ações de humanização desenvolvidas na entidade. "Essa é uma experiência muito agradável. Receber a família e os amigos –entre eles, os animais– é essencial para o processo de cura", afirma.
Os animais de pequeno e médio porte podem ir até o quarto visitar o dono. Já os grandes são recepcionados em um espaço destinado para esse fim. "No entanto, é fundamental que o pediatra autorize esse contato, e que o animal esteja higienizado e com a vacinação em dia", explica Rita.
As visitas podem ser contínuas, desde que haja acompanhamento da hospitalidade, setor do hospital responsável por esse tipo de ação. E, até hoje, vários cães, gatos e coelhos já foram liberados para visitar seus donos. "O objetivo é transformar esse período no ambiente hospitalar em um momento de bem-estar, facilitando a cura", comenta Rita.
Segundo ela, tais reencontros são emocionantes e, muitas vezes, proporcionam uma recuperação mais rápida e mesmo a alta precoce. "O simples fato de estar em contato com o bicho de estimação remete ao aconchego do lar, aliviando o estresse, elevando a autoestima e quebrando a rotina do clima de hospital."
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