Segundo Lídia Dantas, a nova onda de internações no hospital é muito pior do que a registrada no ano passado

Gustavo Moreno/ Especial para o Metrópoles

A rotina dentro do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) não tem sido fácil para a enfermeira Lídia Rodrigues Dantas, 31 anos, primeira pessoa vacinada contra a Covid-19 no Distrito Federal. Segundo a profissional, a situação nas últimas semanas faz parecer que o começo da pandemia, nos meses de abril e maio de 2020, “foi tranquilo”.

Lídia trabalha no box de emergência. Ela afirma que o local virou praticamente mais uma unidade de terapia intensiva (UTI), tamanha a demanda. “Estamos recebendo pacientes em estado grave que aguardam um leito. A diferença é que essas pessoas já chegam muito graves. Ano passado, a gente ainda conseguia estabilizar o paciente, transferir. Agora, nem isso”, comenta.

A enfermeira do Hran conta que, até pouco tempo atrás, o espaço em que ela atua acomodava seis pessoas. Foi criada a possibilidade de comportar mais três pacientes, o que impossibilita rotatividade de atendimento. “Todos demandam um esforço muito grande. É gente que está com saturação de oxigênio em 70%, 80%, e precisa ser logo intubado”, relata.

Um fato que chama a atenção da enfermeira é a mudança do perfil de pessoas que chegam ao Hran. “Temos gestantes, puérperas e muito jovens. Dos nove que estavam internados esta semana conosco, seis tinham menos de 40 anos”, destaca. Lídia pontua que, mesmo sem comorbidades, os pacientes têm apresentado pouca resistência à doença. “O pulmão fica muito comprometido.”