Em um cenário de adiamento da maternidade e frustração nos tratamentos, especialistas defendem que a medicina avance além da idade e incorpore avaliação mais precisa da qualidade dos óvulos.
Março de 2026. Ela planejou a carreira, organizou as finanças, escolheu onde morar. Pensou no momento certo para viajar, estudar fora e crescer profissionalmente. Mas quando decide engravidar, descobre que nem tudo pode ser planejado. No Mês da Mulher, a fertilidade surge como um dos temas mais sensíveis, e talvez menos discutidos, da vida feminina contemporânea. Se, por um lado, as mulheres conquistaram autonomia para decidir quando querem ser mães, por outro enfrentam um fator que ainda escapa ao controle: o tempo biológico.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de uma em cada seis pessoas no mundo enfrenta algum tipo de infertilidade ao longo da vida. No Brasil, aproximadamente oito milhões de pessoas podem ser inférteis. E para entender o porquê disso, o que até então não se discutia muito, agora entra em questão: a qualidade do óvulo.
Evidências científicas mostram que a qualidade dos óvulos varia significativamente entre mulheres da mesma idade e até mesmo entre os óvulos coletados em um único ciclo de tratamento. Isso significa, por exemplo, que duas mulheres de 35 anos podem ter realidades biológicas completamente distintas, algo que a simples comparação da idade cronológica não é capaz de revelar.
“Durante muito tempo, a medicina reprodutiva avaliou os óvulos principalmente pela aparência. O problema é que essa análise visual não consegue revelar, de fato, o potencial de desenvolvimento embrionário”, afirmou Dan Nayot, cofundador e diretor médico da Future Fertility, empresa canadense que está revolucionando a análise da qualidade dos óvulos e que já está presente em diversas clínicas de reprodução humana no Brasil.
Segundo o especialista, análises baseadas apenas na observação visual não foram suficientes. “A avaliação baseada apenas na observação visual tem limitações. A inteligência artificial muda esse cenário porque consegue analisar grandes volumes de imagens e identificar padrões extremamente sutis que não são perceptíveis ao olho humano”, explica.
De forma prática, ao coletar um óvulo para congelar ou para realizar a fertilização in vitro, os relatórios da Future Fertility utilizam algoritmos validados cientificamente para oferecer dados adicionais que apoiam a tomada de decisão clínica, com um banco de dados com mais de 650 mil imagens de oócitos associadas a desfechos clínicos reais.
A proposta não é substituir o olhar médico, mas reduzir incertezas e avaliar detalhes não visíveis a olho nu. “A tecnologia permite que médicos tenham uma compreensão mais aprofundada de como a qualidade dos óvulos influencia os resultados do tratamento. Com essas informações, é possível planejar ciclos futuros de forma mais personalizada e até acompanhar possíveis melhorias na qualidade ovocitária associadas a mudanças no estilo de vida ou a intervenções médicas”, explica Alex Krivoi, cofundador e diretor de Tecnologia da Future Fertility.
Em poucos minutos, a plataforma gera uma avaliação objetiva do potencial de desenvolvimento embrionário. Estudos de validação clínica indicam que os modelos apresentam melhoria de 28% na precisão preditiva em comparação com a avaliação tradicional realizada por embriologistas ao prever o desenvolvimento até o estágio de blastocisto. “Ter acesso a dados objetivos sobre cada óvulo oferece um contexto adicional muito relevante para a prática clínica. Essas informações ajudam na interpretação dos resultados, tornam as conversas com os pacientes mais claras e contribuem para o planejamento de estratégias de tratamento mais individualizadas", concluiu Emerson Cordts, médico diretor do Instituto Ideia Fertil.
Falar de fertilidade, hoje, é falar de autonomia informada. É permitir que mulheres tenham acesso a dados mais individualizados sobre seu próprio potencial reprodutivo, abrindo um leque de possibilidades para tratamentos e a formação de novas famílias.
Sobre a Future Fertility:
A Future Fertility é uma empresa canadense de biotecnologia médica e Inteligência Artificial (IA), fundada em 2018 e sediada em Toronto. Foi a primeira empresa no mundo a desenvolver um software de IA clinicamente validado capaz de avaliar o potencial reprodutivo dos oócitos humanos por meio da análise de imagens e dados.
Sua plataforma fornece informações não invasivas, objetivas e personalizadas sobre a qualidade ovocitária, apoiando a tomada de decisões em tratamentos de fertilidade por meio dos relatórios VIOLET™ (congelamento de óvulos), MAGENTA™ (IVF/ICSI) e ROSE™ (programas de doação de óvulos).
Marcella Oliveira
(11) 98815-2992

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