Água fria é problema em pelo menos três hospitais do DF

Caldeiras quebradas no H.R.Taguatinga Eloisa Santos Oliveira Foto: Ariadne Marçal

Manuela Rolim
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A Secretaria de Saúde garante que já tomou as providências. Na prática, porém, o funcionamento das caldeiras nos hospitais públicos do Distrito Federal segue instável. Conforme indicam os pacientes, pelo menos nas unidades de Taguatinga, Gama e Base, os chuveiros seguiam sem água quente até ontem.

Desde que deu à luz no dia 2 deste mês, a auxiliar de limpeza Neuma Alves Lacerda, 38 anos, encara o problema da falta de água quente. Apesar de já ter recebido alta médica, ela segue internada no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) para acompanhar a bebê, que nasceu prematura e permanece na incubadora. “Tomei banho frio, ou melhor, gelado, todos os dias. Outra mãe, inclusive, teve que trazer um mergulhão para esquentar a água e limpar as crianças. Por enquanto, minha filha ainda não precisa, quero ver quando sair da incubadora”, afirma.

De acordo com Neuma, o problema nas caldeiras parece simples, mas muda a rotina dos pacientes. “Às vezes, a água sai quente durante duas ou três horas, no máximo. Estamos revoltados com essa situação. Tomar banho deveria ser algo prazeroso, mas é a pior experiência aqui dentro, ainda mais nesse frio. Fico com medo de gripar e passar para a filha. Até já fiquei sem me enxaguar por causa disso”, acrescenta.

A expectativa é de que a dona de casa volte para a residência na próxima semana. “A primeira coisa que vou fazer é tomar um banho bem quentinho. Atualmente, entro no chuveiro por partes e saio o mais rápido possível”, completa.

Chuveiro disputado

O padeiro Ediene da Silva Santos, 34 anos, passou pelo mesmo drama. Pai de uma menina, nascida no dia 24 de junho, ele lembra do relato da esposa: “Ela lamentou muito que só tinha água fria”.

Ainda segundo padeiro, por sorte, existe um chuveiro elétrico no setor de internação. “No entanto, não comporta a demanda. Minha mulher, por exemplo, pegou uma fila grande para conseguir água quente. O sentimento é de revolta e de decepção com a saúde pública do DF”, desabafa.

Versão oficial

A Secretaria de Saúde informou que, na última terça-feira, um dos canos da caldeira do HRT se rompeu, deixando parte da unidade sem água quente. Ontem, portanto, a tubulação passou por manutenção, sendo necessário o desligamento da caldeira. “A tubulação foi reparada e o funcionamento, restabelecido. No entanto, no início da tarde, a caldeira apresentou problemas técnicos e, no fim do dia, precisou ser desligada. A empresa que presta manutenção já foi acionada e trabalha no conserto. A caldeira retornará às atividades em poucas horas”, garantiu a pasta, negando qualquer problema antes de terça-feira.

Além disso, o órgão esclareceu que pagou, na última sexta-feira, cerca de R$ 1,2 milhão, referente ao fornecimento de óleo de caldeira. Desde então, os hospitais que dependem deste material foram reabastecidos, inclusive, o do Gama. “No Hospital de Base, o óleo foi reposto na quinta-feira à noite. No entanto, a empresa responsável não retomou o serviço. Ou seja, apesar do reabastecimento, os funcionários não voltaram a trabalhar. Na sexta e no sábado, o fornecimento de água quente estava normalizado. Já no domingo, mais uma vez, devido à falta de caldeireiro, a água só foi aquecida no período noturno”, finalizou a secretaria. A pasta garantiu que, na segunda-feira passada, a caldeira funcionou das 10h30 às 18h. Ontem pela manhã, a máquina foi religada.

Familiares seguem apreensivos

Na porta do Hospital de Taguatinga, a auxiliar de serviços gerais Eloisa Carlos Oliveira, 42, internava sua neta de quatro anos, no fim da tarde de ontem, quando soube da carência de banhos aquecidos. A preocupação tomou conta da família de imediato, mas, segundo eles, não há o que ser feito. “Hoje, infelizmente, conseguir uma vaga é um milagre. Por isso, nem pensamos em transferi-la para outra unidade. Ela já está debilitada, fico com medo piorar”, conclui.

No Hospital de Base, o problema se repete, afirmam os pacientes. Com o avô de 83 anos internado, a empresária Mônica Holanda, 35, se revolta com o cenário. Segundo ela, ele teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC). “Agora, também está com pneumonia. Como um idoso nesse estado pode tomar banho gelado? Hoje (ontem), eu presenciei ele gritando de dor ao entrar no chuveiro. Isso vem acontecendo há uns quatro dias. É lamentável ter de encarar essa situação depois de pagar todos os nossos impostos”, diz a empresária, que estava acompanhada da mãe, a aposentada Maria da Conceição, 85, e a amiga Gisele Alves, 28.

Caldeiras quebradas no Hosp. de Base
Esq p. Dir Gisele Alves Pereira, Maria da Conceição e Mônica Holanda.
Foto: Ariadne Marçal

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