Hospital da Criança de Brasília completa seis anos com mais de 2,5 milhões de atendimentos

“Eu gosto de andar de bicicleta, chutar bola, ficar com a minha família e brincar com o meu cachorro”, Lucas, cinco anos, portador de câncer, com a mãe, Luciana. Foto: Matheus Venzi

Matheus Venzi
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“Da noite para o dia a minha vida mudou. Eu pensei ter chegado ao fundo do poço”, desabafa Luciana Ramos da Silva, 41 anos, ao falar sobre o momento em que recebeu a notícia de que seu filho Lucas, 5 , tinha câncer. A doença é mais agressiva nas crianças do que em adultos e prejudica não só o paciente como toda a família. No Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil, lembrado em 23 de novembro, a reportagem do Jornal de Brasília foi até ao Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), que faz aniversário na mesma data, para conhecer o cotidiano de quem passa por ali.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), neste ano foram estimados aproximadamente 12.600 novos casos de câncer em pacientes até 19 anos em todo o País. De acordo com Isis Magalhães, oncologista e hematologista que atua como diretora-técnica no HCB, o câncer representa a primeira causa de morte por doença na faixa pediátrica, que vai do período pré-natal até os 18 anos. “O câncer infantil é agressivo, sistêmico, se espalha rapidamente”, comenta.

O HCB já prestou mais de 2,5 milhões de atendimentos em seis anos. A médica explica que muitas vezes o câncer é confundido com doenças comuns na infância. O caso de Lucas, descoberto em 2014, se encaixa nesse contexto. “Ele teve febre e acordou com a barriga inchada. Levei ao Hospital de Ceilândia e a médica falou que era cocô”, conta. Na verdade, Lucas tinha um tumor chamado neuroblastoma.

O menino fez tratamento por dois anos. Depois de um ano livre da doença, veio a má notícia: ela voltou. Em agosto passado, Lucas retornou com a quimioterapia. Moradores do Condomínio do Pôr do Sol, em Ceilândia, os dois vão semanalmente ao hospital. Luciana teve de largar os dois empregos que tinha e vive apenas com um salário mínimo de um Benefício de Prestação Continuada (BPC), além da ajuda de familiares.

Mesmo enfrentando a doença, Lucas se mostra um menino bastante comunicativo. Após ter ficado um ano sem falar por causa do tratamento, agora ele voltou a conversar e não para mais. “Eu gosto de andar de bicicleta, chutar bola, ficar com a minha família e brincar com o Luke [cachorro]”, declara.

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Assim como Luciana, Francisca de Sousa Moraes, 41, ficou em choque com a notícia de que o filho, Pedro Lucas, 17, tinha câncer no testículo. O diagnóstico foi em agosto de 2016 e o adolescente fez cirurgia para a retirada do tumor. Mesmo assim, as células se espalharam. “Se dependesse das minhas condições, eu não teria como tratar desta doença”, relata Francisca.

Apesar do sofrimento, a mãe enaltece que a família se uniu mais. “Na verdade é muito difícil tudo isso… Mas eu acho que fiquei mais próxima do meu filho”, completa.

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