Aneurisma cerebral: saiba mais sobre essa doença, que pode ser silenciosa

Visão dupla ou perda da visão, dor de cabeça, dor nos olhos, náuseas e vômitos, rigidez do pescoço e perda de consciência são alguns dos sintomas comuns para quem sofre de aneurisma cerebral. Mas nem sempre a doença emite sinais e, nesse caso, apenas um exame poderá detectar o problema, que atinge principalmente mulheres e pessoas na quinta e sexta década de vida (de 40 a 60 anos), segundo estudos. 

Antes de mais nada, é importante saber que o aneurisma cerebral é uma lesão das artérias dentro do crânio. Em uma dessas, forma-se uma dilatação local que normalmente toma a forma de uma “barriga”, um “saco” na parede da artéria e que é frágil, podendo romper em algum momento da vida.  

O neurocirurgião André Borba, da NeuroAnchieta, lembra que a influência do histórico familiar também deve ser observada a fim de detectar a doença. “O risco pode ser maior quando existem parentes diretos que já tenham apresentado a lesão”, mas, ainda assim, o fator mais importante para o risco de sangramento é a presença de outro aneurisma, especialmente se já houve ruptura antes. “Outras condições que elevam o risco relativo das doenças arteriais são a pressão alta, o aumento de colesterol e o uso de cigarro”, alerta. 

SEQUELAS 

“Quando há rompimento da lesão ocorre um sangramento intenso que pode causar diversos danos cerebrais e mesmo a morte súbita. Ao final do processo, a pessoa pode sofrer sequelas que vão desde uma pequena alteração de raciocínio, fala, movimento, ou até a um estado de coma profundo e irreversível”, diz o médico. 

É incomum que o aneurisma cresça a grandes tamanhos sem se romper. Nessas situações mais raras, quando ele aumenta silenciosamente, os sintomas são de difícil detecção e estão relacionados à compressão ou a irritação proporcionada na área vizinha à lesão vascular. Alterações na visão ou no movimento dos olhos, dor de cabeça ou até convulsão são alguns dos sintomas possíveis para um aneurisma que não se rompeu, mas está em crescimento. Em especial a dor de cabeça, conhecida como cefaleia sentinela, pode ser o único sinal de um aneurisma com alto risco de ruptura. 

PREVENÇÃO 

Identificar um aneurisma antes de sua ruptura é a melhor maneira de se prevenir, pois assim é possível determinar os riscos e a necessidade de tratamento. Segundo o neurocirurgião, “lesões muito pequenas e estáveis podem não necessitar de tratamento imediato, mas a identificação precoce é, sem dúvida, a conduta mais eficaz para se proteger dos danos que um aneurisma cerebral pode causar”. 

Estima-se que uma em cada 50 pessoas nos Estados Unidos tenha um aneurisma cerebral ainda não rompido. Das pessoas que sofrem a ruptura, 40% dos casos chegam a óbito; das que sobrevivem, dois terços sofrerão danos neurológicos permanentes. 

A prevenção deve ser baseada também no controle dos fatores de risco, como tratamento da pressão arterial, do colesterol, evitar o tabagismo e, para aqueles que têm um aneurisma cerebral não rompido, é essencial o acompanhamento regular com o médico e exames de imagem adequados, como angiotomografia, angioressonância e arteriografia, conforme avaliação individualizada.

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