(Fotos: André Amendoeira/SEEDF)

Alunos da rede pública ajudam a desenvolver satélite já em órbita

Estudantes da rede pública de ensino do Distrito Federal passaram a integrar uma missão espacial brasileira que amplia a presença do país em órbita. Cerca de 30 alunos do ensino médio participaram diretamente do desenvolvimento de um satélite já lançado, que agora faz parte da constelação da Ideia Space, startup com sede em Brasília. A ação integra o programa Desafio Espacial, voltado à formação científica e tecnológica de jovens da rede pública.

Entre os participantes está a estudante Stephany Santana de Araújo, de 17 anos, do Centro de Ensino Médio Integrado (CEMI) do Gama. Segundo ela, o interesse pelo projeto surgiu a partir do incentivo de professores e da curiosidade pela área espacial. A aluna destaca que a experiência possibilitou a aplicação prática de conhecimentos científicos e reforçou sua escolha profissional.

Ao longo do projeto, os estudantes participaram de todas as etapas, desde a concepção do satélite até o planejamento da operação em órbita. Com apoio institucional da Agência Espacial Brasileira (AEB), os alunos tiveram contato direto com áreas como engenharia, ciência de dados e sistemas espaciais, vivenciando uma experiência inédita no contexto da educação pública do DF.


Equipe da startup Ideia Space, sediada em Brasília

Para o fundador da Ideia Space, Leonardo Júlio Souza, a iniciativa demonstra o potencial transformador da educação pública quando aliada à ciência e à inovação. Segundo ele, a participação de alunos da educação básica em uma missão real amplia horizontes e cria novas perspectivas profissionais. O pesquisador avalia positivamente a ampliação do programa em 2026, com o objetivo de aumentar o número de estudantes atendidos e lançar novos satélites desenvolvidos por alunos da rede pública.

A meta para o próximo ano é superar mil participantes, dobrando o alcance registrado em 2025, quando mais de 500 estudantes integraram o programa. A proposta também inclui a ampliação de bolsas remuneradas e a manutenção de pelo menos um satélite desenvolvido por alunos em órbita, com a perspectiva de dois ou três lançamentos anuais nos próximos anos.

A egressa do ensino médio Rebecca Santos, de 18 anos, que participou da edição de 2025, destaca que a experiência foi decisiva para sua trajetória acadêmica. Segundo ela, o projeto contribuiu para o fortalecimento da confiança, a melhoria no processo de aprendizagem e a definição de objetivos profissionais. Rebecca também ressalta a metodologia adotada, que conecta conteúdos escolares à astronomia e à aplicação prática.

Além da formação educacional, o satélite desenvolvido com participação dos estudantes também terá função social, auxiliando no monitoramento de queimadas no Distrito Federal e no apoio a agricultores, parques ecológicos e autoridades ambientais. A constelação da Ideia Space reúne ainda satélites produzidos por universidades e iniciativas culturais, consolidando um modelo que integra educação, pesquisa e inovação, com protagonismo de alunos da rede pública.