Palestra orienta profissionais sobre diagnóstico e manejo da gripe e reforça a vacinação como principal forma de prevenção.

Com a proximidade do período de maior circulação dos vírus respiratórios, o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) promoveu, nesta terça-feira (4), uma atualização estratégica sobre o vírus da influenza, responsável pela gripe.

A palestra “Influenza: diagnóstico e manejo”, realizada no auditório da unidade, reuniu profissionais de saúde e reforçou a importância da vacinação, da identificação precoce dos casos e do combate à desinformação relacionada à doença.

A iniciativa foi organizada pelo Núcleo de Controle de Infecção Hospitalar (NUCIH) e integra as ações de educação permanente do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), voltadas à capacitação contínua das equipes.

O encontro teve como objetivo preparar os profissionais para o cenário epidemiológico de 2026, ou seja, o comportamento da doença na população, com base em protocolos oficiais do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo o infectologista do HRSM, Daniel Pompetti, a proposta vai além da atualização técnica. “Esta iniciativa visa lutar contra a desinformação, usando evidências científicas, ou seja, informações comprovadas por estudos, para combater o medo e as fake news (notícias falsas). Quando o hospital promove o uso e ressalta a importância das vacinas, ele reafirma para a sociedade que elas são seguras, eficazes e representam a nossa melhor arma contra a doença”, destaca.

Cenário epidemiológico exige atenção
A influenza permanece como um dos principais desafios da saúde pública, com aumento de casos em determinadas épocas do ano e impacto significativo nas internações, principalmente entre os grupos mais vulneráveis.

Dados do portal InfoSaúde apontam que, em 2025, o Distrito Federal registrou 1.434 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza. A SRAG é um quadro grave de infecção respiratória que pode exigir internação hospitalar. Do total, 721 casos ocorreram em mulheres (50,3%) e 713 em homens (49,7%).

A maioria dos registros esteve associada ao vírus Influenza A, com predominância dos subtipos H3N2 (24,8%) e H1N1 (22,9%), que são variações do vírus monitoradas pelos órgãos de saúde. Além disso, 34% foram classificados como Influenza A não subtipado, quando o exame confirma que se trata do vírus Influenza A, mas não consegue identificar qual subtipo específico, como H1N1 ou H3N2.

Grupos de risco, prevenção e vacinação

Durante a palestra, os especialistas reforçaram a importância da identificação precoce dos grupos de risco, como crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas imunossuprimidas, que possuem baixa imunidade, e pacientes com comorbidades, como doenças crônicas que podem agravar o quadro, incluindo cardiopatias, doenças respiratórias e diabetes.

A recomendação é que, diante de sintomas persistentes ou piora do estado clínico, principalmente nesses grupos, a busca por atendimento médico seja imediata para evitar complicações.

A vacinação foi apontada como a principal forma de prevenção. “O vírus da influenza sofre mutações todos os anos. Por isso, mesmo quem se vacinou anteriormente precisa atualizar a dose”, explica Daniel Pompetti.

O infectologista pediátrico do HRSM, Pedro Ribeiro Bianchini, chamou atenção para cuidados específicos na vacinação infantil. Bebês a partir de seis meses já devem ser imunizados e algumas práticas comuns podem comprometer a eficácia da vacina.

“Não se deve orientar o uso prévio de antitérmicos ou anti-inflamatórios antes da aplicação, pois isso interfere na resposta do sistema imunológico e pode reduzir a produção de anticorpos, que são as defesas do organismo”, alerta.

Ao final, os especialistas reforçaram que manter o esquema vacinal atualizado também é uma forma de proteger os profissionais de saúde e reduzir o risco de transmissão para pacientes vulneráveis. “A vacinação protege quem está na linha de frente e evita que o vírus seja repassado a pessoas mais fragilizadas”, conclui Pompetti.


Autora: Talita Motta
Fotos: Divulgação/IgesDF e Alberto Ruy


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