A relatora especial das Nações Unidas sobre violência contra mulheres e meninas, Reem Alsalem, afirmou que mulheres com 60 anos ou mais são as principais vítimas de discriminação e negligência em todo o mundo. De acordo com a ONU, dados de estudo inédito apontam que o machismo e o etarismo agravam a situação dessas mulheres, levando à associação com práticas como feitiçaria, abusos econômicos e eutanásia psiquiátrica.
Segundo Alsalem, a percepção das pessoas idosas como guardiãs de experiência e memória coletiva enfraqueceu nas sociedades contemporâneas, ampliando a visão de que mulheres mais velhas representam um fardo para famílias e comunidades. Ela destacou que muitas rejeitam a classificação de idosas para evitar estigmatização e discriminação.
O relatório indica que idosas correspondem a cerca de 70% dos casos de eutanásia psiquiátrica em países onde o procedimento é legalizado. Elas também enfrentam violência econômica através da retirada de terras, fraudes de familiares ou cuidadores e exclusão digital, o que prejudica o acesso a serviços bancários e benefícios sociais. Em nações como Tanzânia, Quênia, Papua-Nova Guiné, Gana e Haiti, há registros de acusações de feitiçaria após perdas cognitivas, resultando no confinamento de centenas em “campos de bruxas”.
A recomendação do estudo é que Estados-membros reconheçam o cuidado como direito humano universal e implementem leis específicas para proteger mulheres idosas de abusos domésticos e institucionais. Alsalem defende a proibição da institucionalização involuntária sem consentimento pleno e a criação de redes de apoio jurídico e de saúde mental adaptadas. Os relatores de direitos humanos da ONU atuam de forma independente e não recebem remuneração institucional.











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