
Comitê de Política Monetária encerra reunião nesta quarta-feira, com maioria do mercado apostando na manutenção dos juros diante da inflação, da alta do petróleo e das incertezas econômicas.
O Banco Central (BC) deve interromper a sequência de cortes na taxa básica de juros, a Selic, e manter o índice em 13,75% ao ano. Essa é a expectativa predominante no mercado financeiro para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que termina nesta quarta-feira (4/11).
A possível manutenção ocorre após cinco reduções consecutivas dos juros e reflete a preocupação dos analistas com o avanço da inflação, a valorização do dólar e a alta dos preços internacionais do petróleo.
Por outro lado, os sinais de desaceleração da atividade econômica ainda sustentam a expectativa de parte dos economistas de que o Banco Central poderá realizar um novo corte de 0,25 ponto percentual.
A decisão será divulgada após o encerramento da reunião, com anúncio previsto para depois das 17h.
Inflação acima da meta preocupa o Banco Central
Um dos principais fatores considerados pelo mercado é a piora das expectativas para a inflação brasileira.
Segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, as projeções dos economistas subiram para 5,22% em 2026 e 4,6% em 2027.
Os dois percentuais estão acima do limite superior da meta de inflação, fixado em 4,5%. O centro da meta é de 3%.
A prévia da inflação oficial também reforçou as preocupações.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou alta de 0,32% em outubro.
No acumulado de 12 meses, o indicador avançou 4,62%.
O principal impacto veio do grupo alimentação e bebidas, que subiu 0,88%. Os alimentos consumidos em casa apresentaram aumento de 1,01%.
Dólar e petróleo pressionam expectativas
Além dos fatores internos, o cenário internacional também influencia as projeções para a Selic.
A valorização do dólar e o aumento das cotações do petróleo podem pressionar os custos de produção, transporte e consumo no Brasil.
Na terça-feira (3), o dólar encerrou as negociações cotado a R$ 5,48.
O economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, avalia que a combinação desses fatores deverá levar o Copom a manter os juros no patamar atual.
“Os preços do petróleo registraram elevação desde a última reunião (do Copom em setembro). Considerando as sensibilidades dos modelos do Banco Central, acreditamos que as projeções de inflação para o horizonte relevante devem subir e ficar acima da meta”, afirmou.
Nos Estados Unidos, a manutenção dos juros e os sinais de enfraquecimento da atividade econômica também integram o cenário analisado pelos investidores.
Economia perde força
Apesar da pressão inflacionária, a economia brasileira apresenta sinais de desaceleração.
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado um indicador antecedente do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 0,6% no trimestre encerrado em agosto.
O resultado, divulgado em outubro, indica perda de ritmo da atividade econômica.
Em sentido contrário, o mercado de trabalho permanece aquecido.
A taxa de desemprego no trimestre encerrado em setembro ficou em 5,2%, o menor nível registrado para o período.
A combinação de atividade econômica mais fraca e desemprego baixo torna a decisão sobre os juros mais complexa.
Mercado aposta na manutenção dos juros
Uma semana antes da reunião, as Opções de Copom negociadas na B3 indicavam probabilidade implícita de 63,1% de manutenção da Selic.
O chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, Gabriel Magno, também considera mais provável a interrupção da sequência de cortes.
Segundo ele, a reação do mercado ao resultado do segundo turno da eleição presidencial, realizado em 25 de outubro, alterou as expectativas para a política monetária.
“Acredito que não haverá um corte de 0,25 ponto percentual na Selic. A expectativa que existia antes do segundo turno se perdeu após o caos do dia 26 de outubro”, afirmou.
Magno avalia que as mudanças nas expectativas já estão refletidas nas taxas de juros negociadas no mercado futuro.
Banco Daycoval ainda prevê redução para 13,5%
Apesar da expectativa predominante de manutenção, parte dos analistas acredita que o Banco Central poderá continuar reduzindo os juros.
Em relatório divulgado na terça-feira (3), o Banco Daycoval projetou um novo corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic para 13,5% ao ano.
A instituição considera que a desaceleração econômica poderá justificar a continuidade do ciclo de flexibilização monetária.
“A despeito da deterioração dos preços dos ativos pós-resultado eleitoral, o comitê não deve colher alteração relevante em suas projeções de inflação e, sob um quadro de contínua desaceleração da atividade, deve realizar mais um corte de juros”, informou o relatório.
A divergência entre as projeções mostra que o mercado ainda avalia os efeitos das mudanças recentes no cenário econômico.
Entenda como a Selic afeta a economia
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e funciona como o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação.
Quando os juros aumentam ou permanecem elevados, o crédito tende a ficar mais caro, afetando financiamentos, empréstimos e o consumo das famílias.
A medida também pode reduzir o ritmo dos investimentos e da atividade econômica, contribuindo para conter a alta dos preços.
Por outro lado, a redução da Selic tende a facilitar o acesso ao crédito e estimular o consumo e os investimentos.
O Copom precisa avaliar esses efeitos antes de decidir pela manutenção, elevação ou redução da taxa.
Confira os principais indicadores econômicos
IndicadorResultado ou projeção
Selic atual 13,75% ao ano
Projeção predominante para novembro Manutenção em 13,75%
Projeção do Banco Daycoval Corte para 13,5%
Inflação esperada para 2026 5,22%
Inflação esperada para 2027 4,6%
IPCA-15 de outubro 0,32%
IPCA-15 em 12 meses 4,62%
Taxa de desemprego 5,2%
IBC-Br no trimestre até agosto -0,6%
Dólar em 3 de novembro R$ 5,48
Próxima reunião do Copom será em dezembro
O Comitê de Política Monetária iniciou sua reunião na terça-feira (3) e divulgará a decisão sobre a Selic nesta quarta-feira (4).
O próximo encontro está previsto para os dias 8 e 9 de dezembro, encerrando o calendário de reuniões do colegiado em 2026.
Além da definição da taxa básica, os investidores acompanharão o comunicado do Banco Central em busca de indicações sobre os próximos passos da política monetária.










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