Novo líder dos Democratas promete reconstruir e unir o partido

O recém-eleito líder do Partido Democrata, Tom Perez, prometeu neste domingo (26/2) unir um partido fraturado, reconstruí-lo em todos os níveis e alcançar partes da América rural que se consideraram esquecidas nas eleições de 2016.

Em entrevistas na televisão, Perez indicou que um importante primeiro passo foi juntar-se com o rival vencido, o deputado Keith Ellison, de Minnesota, que aceitou o convite de Perez para atuar como vice-presidente do Comitê Nacional Democrata (DNC, na sigla em inglês). Perez disse que os dois se esforçarão para expressar uma mensagem afirmativa do partido ao mesmo tempo em que se opõem às políticas do presidente Donald Trump, acrescentando que ele e Ellison já estavam recebendo um “bom chute” após Trump afirmar no Twitter que a eleição do Partido Democrata foi “fraudada”.

“Nós lideramos com nossos valores e lideramos com nossas ações”, disse Perez, descrevendo o foco do partido na proteção da Segurança Social, do Medicare e da “criação de bons empregos nesta economia”. “Você sabe, a nossa unidade como partido é a nossa maior força. E é o pior pesadelo dele (se referindo a Trump)”, acrescentou Perez. “E, francamente, o que precisamos olhar é se esta eleição foi fraudada por Donald Trump e seu amigo Vladimir Putin.”

O ex-secretário do Trabalho do governo Obama reconheceu que algumas partes dos Estados Unidos se sentiram negligenciadas, dizendo que ouviu de moradores da América rural que os Democratas não os apoiaram recentemente. “Isso é exatamente o que vamos fazer”, disse Perez, enfatizando os esforços de base em todos os Estados. Ele apontou para o sucesso dos democratas no sábado em uma das fortalezas do partido, Delaware. Stephanie Hansen ganhou uma eleição especial para um assento do Senado pelo Estado.

Como líder dos Democratas, Pérez deve agora reconstruir um partido que na última década perdeu cerca de 1 mil cargos eleitos, da Casa Branca ao Congresso, um déficit de poder que não era visto no âmbito nacional em 90 anos. “Muita gente se sente esquecida, e não vamos permitir que isso aconteça”, afirmou.

No sábado, o Comitê Nacional Democrata (DNC, na sigla em inglês) elegeu Perez como seu presidente, em uma disputa que teve duas rodadas de votação. Perez, apoiado pelo ex-presidente Barack Obama, foi escolhido, derrotando Ellison, apoiado pelo senador liberal Bernie Sanders de Vermont.

Os aplausos após a eleição de Perez foram misturados com vaias, gritos e palavrões de alguns jovens apoiadores de Ellison, alguns deles em lágrimas. A reação não foi entusiasta entre os grupos liberais que abraçaram Sanders e intensificaram seus esforços desde a vitória de Trump sobre Hillary Clinton nas eleições de novembro. “Nós não temos o luxo de sair dessa sala divididos”, disse Ellison no sábado sobre as vaias. Depois, ele disse aos repórteres que confia em Perez e que o florescente movimento de resistência contra Trump deve fazer o mesmo.

Neste domingo, Sanders elogiou a forte candidatura de Ellison para ser presidente do DNC. Descrevendo o partido como quebrado e precisando de uma “total transformação”, o senador de Vermont disse que Perez agora “tem uma oportunidade real em suas mãos. E espero que ele a aproveite”.

Sanders defendeu que o partido tem que se abrir aos trabalhadores e aos jovens e “deixar bem claro que o Partido Democrata vai enfrentar Wall Street, vai enfrentar a ganância da indústria farmacêutica, vai enfrentar a América corporativa que está fechando as fábricas neste país e movendo nossos empregos para o exterior”.

Perez, o primeiro latino a presidir o Partido Democrata, indicou que os democratas vão continuar criticando as políticas de Trump, mesmo que isso signifique serem vistos por vezes como um “partido de não”. Ele citou a proibição de viagens “racista” que afeta sete países predominantemente muçulmanos e os esforços administrativos que, segundo ele, vão restringir o pagamento de horas extras e tornar mais difícil guardar dinheiro para a aposentadoria como medidas prejudiciais de Trump. “Não vimos nenhuma evidência de algo construtivo deste presidente”, disse Perez. “Ele é governado pela extrema direita em tudo o que ele fez.”

Por: Metrópoles

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