Revestimento de reservatórios em chácaras ajuda na crise hídrica

Chácaras de Planaltina receberam 18 tanques, que contribuem para reduzir em até 15% a infiltração de água no solo.

Todo os anos o produtor rural Adriano Quirino, de 34 anos, preocupa-se com a época da seca em Brasília, porque depende da água do ribeirão Pipiripau, que diminui nesse período. A apreensão ficou maior em 2017, com a crise hídrica.O produtor rural Adriano Quirino, de 34 anos, fez revestimento com lona nos reservatórios da propriedade. Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília.

Para lidar com o problema, Quirino fez revestimento com lona nos reservatórios da propriedade. “O tanque antigo, que eu tinha há 20 anos, perdia muita água. Como veio essa oportunidade, não vamos ficar com medo de plantar na época da seca”, justificou.

Com 1,5 metro de profundidade, 18 reservatórios foram entregues nesta sexta-feira (23) a 15 chácaras do núcleo rural Santos Dumont, em Planaltina. Eles têm 20 metros de diâmetro e comportam de 270 a 300 mil litros de água. A propriedade de Quirino foi uma das que ficaram com dois tanques.

Uma escavação do solo é necessária para o espaço do tanque. Então a lona é disposta sobre a área a ser coberta por até 15 centímetros de terra. Essa cobertura aumenta o tempo de uso do material, que dura cerca de dez anos.

Antes, os tanques tradicionais eram escavados na terra, sem proteção. “Com essa tecnologia, os produtores continuarão abastecendo as propriedades para a colheita, mas reduzirão a perda de água”, explicou o secretário da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, José Guilherme Leal.
Segundo ele, a técnica de revestimento de lona é antiga mas, com a crise hídrica, a secretaria reforçou a divulgação entre os produtores rurais, que decidem fazer ou não uso dela. “Aqui, a comunidade se organizou por cerca de 40 dias para fazer as mudanças”.
"Com essa tecnologia, os produtores continuarão abastecendo as propriedades, mas reduzirão a perda de água"José Guilherme Leal, secretário da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural

“É uma tecnologia barata, que faz com que haja redução de 10% a 15% a infiltração de água no solo. O governo fomenta o uso da técnica”, detalhou o presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), Argileu Martins da Silva.

A Emater oferece apoio técnico de especialistas para fazer os trabalhos na propriedade, enquanto a Secretaria da Agricultura fornece máquinas com operadores para auxiliar nos trabalhos.

Com o apoio dos dois órgãos, sobrou para Quirino apenas pagar pela lona e pela mão de obra. Caso outros produtores tenham interesse em fazer uso do revestimento, devem procurar as unidades da Emater das regiões administrativas e formar um grupo organizado de agricultores para receber o apoio dos dois órgãos.
Plano de Enfrentamento da Crise Hídrica

A instalação de tanques lonados é uma das ações previstas no Plano de Enfrentamento da Crise Hídrica na área rural, lançado em 23 de janeiro deste ano. As medidas, em âmbito estrutural, têm o objetivo de melhorar o aproveitamento da água nas lavouras e evitar perdas por infiltração no solo.

Além disso, elas incluem a recuperação de sete canais de irrigação na região da Bacia do Descoberto. São eles:
Rodeador
Guariroba
Cristal
Olaria, 2ª fase
Capão Comprido, ramais 1 e 2
Índio

O plano prevê também a recuperação de estradas de terra que dão acesso às propriedades rurais, como forma de reduzir a erosão e o transporte de sedimentos para os cursos de água.

Outra forma de reduzir o assoreamento é por meio do terraceamento, ou seja, a divisão do solo em rampas niveladas para evitar a formação de sulcos e de erosões nas lavouras.A Emater reforça que o sistema de irrigação por gotejamento pode reduzir o uso de água em até 30%. Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília

A Emater atua ainda no reforço da assistência rural para manejo de irrigação. A ideia é que os produtores substituam o sistema de aspersão pelo de microaspersão ou de gotejamento.

Na propriedade de Quirino, por exemplo, o gotejamento hoje é usado para 80% do plantio, que era feito completamente com aspersão. A mudança foi calculada para que tenha o menor gasto de água possível sem comprometer a produção.

“Isso pode reduzir o uso de água de 15% a 30%, dependendo do sistema usado, e permite que o produtor gaste menos mão de obra e menos energia”, comentou o presidente da Emater.

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