Areia de parquinhos do DF tem até parasitas de fezes humanas, aponta pesquisa

Até parasitas de fezes humanas, aponta pesquisa. Amostras foram colhidas em 14 regiões do DF
Foto: Ariadne Marçal

Os parquinhos se tornam a atração principal das crianças durante as férias. O problema é que eles são moradia de parasitas e vermes, e no DF a chance de sair contaminado após a brincadeira é alta, segundo pesquisa da Universidade de Brasília (UnB), em conjunto com a Faculdade Anhanguera.

O estudo coletou 70 amostras de areia de parquinhos em 14 regiões: asas Norte e Sul, Núcleo Bandeirante, Cruzeiro, Cruzeiro Velho, Estrutural, Recanto das Emas, Riacho Fundo 1 e 2, Samambaia, Taguatinga, Ceilândia, Guará e Brazlândia. Os responsáveis foram os professores Eleuza Rodrigues e Rodrigo Gurgel e três alunos de Medicina.

Além da incidência de parasita nas areias, o que deixou os pesquisadores espantados foi o alto índice da Ascaris lumbricoides, a lombriga que vem das fezes humanas. “Nós ficamos bastante surpresos. E ela foi encontrada em todos”, relata o professor Rodrigo Gurgel.

De acordo com ele, existem três possibilidades para a origem: moradores de rua que podem defecar nesses locais, o descarte de fraldas e quando as crianças estão sujas e os pais não percebem.

“A gente pensa que a lombriga é um problema que já acabou, mas ela ainda existe e é frequente. Há pessoas que chegam a ter cem lombrigas no intestino”, conta Gurgel. Os sintomas podem variar entre diarreia, prisão de ventre, dores abdominais e desnutrição.

O estudo detectou outros seis parasitas que vêm de fezes de animais como cães e gatos, mas isso não surpreendeu os pesquisadores. “Geralmente o animal está lá e defeca na areia. O impressionante foi mesmo a presença de parasitas das fezes humanas”, aponta.

Cuidados com a higiene

Roberto e Maria Rosa, de 5 anos, costumam brincar sempre no parquinho embaixo do prédio onde moram, na 306 Sul, mas a avó, Sônia Paulino, 62, não dispensa a higiene quando a brincadeira acaba. “A primeira coisa que a gente faz é lavar as mãos ao subirmos”, conta.

A aposentada acredita que o parquinho do prédio é sempre limpo. “Ele é todo cercado, não entra cachorro ou outro bicho, pelo menos não que eu veja”, detalha a avó.

A mesma regra da limpeza é válida na casa da professora Sascha Habu, 43 anos, que tem a pequena Erica, de 5 anos. “Nossa lei é: não se entra com sapato em casa. Já chega pela lavanderia e dali vai para o banho”, conta. Ela avalia que o parque do prédio é bem cuidado pelos vizinhos, mas o problema está na terra que fica fora do cercado. “As pessoas vêm passear com os cachorros e não recolhem as fezes. E já vi fezes de pessoas”, critica.

Segundo o professor Rodrigo Gurgel, é necessário que a comunidade continue cercando os locais: “Outra solução é trocar periodicamente a areia. Mas o que conta é a questão da higiene: não dar alimentos para as crianças assim que sair do parquinho e sempre lavar as mãos com água e sabão”.Foto: Ariadne Marçal
Sônia sempre pede para que os netos lavem as mãos após o passeio
O estudo detectou seis parasitas que vêm de fezes de animais

Versão oficial
A Secretaria de Saúde informou, em nota, que a Dival (Diretoria de Vigilância Ambiental) e a Divisa (Diretoria de Vigilância Sanitária) fiscalizam os parquinhos infantis atendendo a demandas da população. O morador pode solicitar a inspeção por meio do telefone 99269-3673.

Já a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) esclarece que está em curso novo processo licitatório para a manutenção de equipamentos públicos, tais como praças, parquinhos infantis, quadras poliesportivas, além de Pontos de Encontro Comunitário (PECs). No entanto, o processo está suspenso pelo Tribunal de Justiça do DF. Além disso, a companhia está em processo para adquirir novos kits de parquinhos. A licitação está em análise no Tribunal de Contas do DF (TCDF).

A Novacap alegou também em nota que o levantamento das necessidades de manutenção de equipamentos públicos é realizado pelas administrações regionais, com base nas demandas dos cidadãos, recebidas via ouvidoria das RAs ou por líderes comunitários. “As administrações listam suas prioridades e as encaminham à Secretaria das Cidades, que dará o encaminhamento para o atendimento das demandas”, informa.Foto: Ariadne Marçal
O estudo detectou seis parasitas que vêm de fezes de animais.
JBR

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