Estreias dão ares nordestinos ao 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

A noite de segunda-feira do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro está com ares nordestinos. Concorrente ao candango de hoje, Café com Canela é o primeiro longa dirigido pelos baianos Ary Rosa e Glenda Nicácio, que têm sua estreia nacional nas telas do Cine Brasília (106/107 Sul), a partir das 21h. Já o curta da noite, As Melhores Noites de Veroni, vem de Alagoas e tem direção de Ulisses Arthur.

Para filmar Café com Canela, os diretores emergiram na cultura, história e tradição do Recôncavo Baiano, onde se passa a história. Durante as filmagens, a dupla se preocupou em integrar os agentes locais, tanto a população, que participou do elenco, na equipe e nos serviços prestados, quanto os novos profissionais realizadores de cinema. “O figurino, por exemplo, foi realizado por uma cooperativa de costureiras que nunca haviam prestado serviços para cinema, mas que tinham total domínio sobre o estilo que precisávamos”, contam.

Com roteiro de Ary Rosa, Café com Canela tem como característica relevante o espaço dado para o protagonismo de corpos muitas vezes negligenciados na produção audiovisual brasileira. Duas atrizes negras protagonizam o longa, que direciona olhares para o interior da Bahia. “A história que propomos é composta por dramas universais, já sofridos por tantos outros personagens no cinema. Porém descobrimos uma outra potência dentro dessas histórias: são histórias que não foram contadas – não com esse ponto de vista, não com essa possibilidade de representação”, explicam os diretores. “Para nós, pulsa a vontade de compartilhar as histórias e o cotidiano do Recôncavo”, afirmam.

Entre visitas, faxinas, cafés com canela, adversidades do dia a dia e traumas do passado, as personagens Violeta e Margarida vivem, juntas, um processo de transformação. O encontro inesperado das duas personagens é o motivador da trama, capaz de revirar caminhos e destinos.

“O filme se nutre do tempo de cada personagem, mulheres que transitam por momentos de vida distintos, cada uma do seu jeito, cada uma no seu ritmo. O filme existe para possibilitá-las o encontro”, descrevem os diretores.

De acordo com a dupla, a ideia inicial do filme era contar uma história do dia a dia que atravessasse as histórias de mulheres comuns que têm suas graças e seus dramas. “O filme não carrega em sua estrutura narrativa uma crítica específica, mas deixa muitos espaços para questões – até mesmo críticas, que possam surgir no indivíduo que o assiste”. O desafio era tornar uma história tão regional, do Recôncavo da Bahia, em algo universal, que possa ser visto e reconhecido em qualquer lugar.

“Acreditamos que ser selecionado para o Festival de Brasília já é um indicativo que conseguimos nos aproximar desse lugar desejado, de termos uma história universal sem perder as cores da região que escolhemos para fazer o filme”, declaram Ary e Glenda.

Baixo orçamento
Outro impasse enfrentado pelos cineastas estreantes foi a captação de recursos e busca por financiamento. No final, o filme foi desenvolvido com quantia considerada baixa para um longa-metragem, em volta de R$ 800 mil.

Do interior da Bahia, os diretores não deixam de reconhecer a importância dos incentivos para o audiovisual no Brasil. “O novo momento de produção está se solidificando a partir de uma política de descentralização, que invade os estados de diferentes regiões do País, impulsionando a criação e o desdobramento de outras histórias, de outros cinemas”, contam.

Glenda é uma das quatro diretoras que marcam presença na mostra competitiva de longa-metragem nesta edição. “Não é apenas ocupar os espaços, mas evidenciar os passos dados. É importante que as mulheres ocupem cargos de liderança dentro da composição das equipes e interajam nos processos de seleção”, finaliza.

O curta-metragem que antecede a exibição do longa é As Melhores Noites de Veroni, primeira ficção do diretor Ulisses Arthur, que narra a história das noites de Veroni na cidade enquanto seu marido passa os dias na estrada.

Os documentários Santo Forte, de Eduardo Coutinho, e Rota ABC, de Francisco Cesar Filho, são exibidos hoje no Cine Brasília, às 14h, e o clássico Iracema, Uma Transa Amazônica, de Jorge Bodanzky e Orlando Senna, tem sessão às 18h, no Museu Nacional da República, com entrada gratuita, como parte da mostra 50 Anos em 5 Dias.

A Mostra Brasília estreia com 6 produções brasilienses em cartaz, também no Cine Brasília, a partir das 18h30, com entrada franca.
A criançada pode comemorar porque começa também começa hoje mais uma edição do Festivalzinho.

Divulgação

Larissa Galli/JBr

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