Comissão discute melhorias para alimentação escolar

Caso de desmaio na escola foi gancho da discussão.

A Comissão de Educação, Saúde e Cultura discutiu, em reunião na manhã desta quarta-feira (22), a questão da alimentação escolar em referência ao caso do aluno de 8 anos que teria desmaiado de fome enquanto assistia à aula em uma escola do Cruzeiro na semana passada. O presidente do colegiado, deputado Wasny de Roure (PT), defendeu aprofundar o debate sobre a qualidade nutricional e a aplicação dos recursos. Nesse sentido, Wasny disse que houve queda na evolução dos gastos liquidados na área, com base em levantamento elaborado pela comissão, em fase de consolidação.

O assessor da Secretaria de Educação, Fernando Ribeiro, alegou que "as informações ganharam uma repercussão desproporcional" ao que de fato ocorreu com o aluno do Cruzeiro. "Não houve apuração da verdade", segundo ele, ao afirmar que a criança não comera há dias quando chegou à escola. A nutricionista e coordenadora de apoio educacional, Elizabeth Benedik, defendeu que a Secretaria prima pela qualidade nutricional, mesmo diante dos recursos limitados e do custo sustentável do Estado. Disse que são oferecidas cerca de 410 mil refeições por dia na rede pública de educação e refutou, com veemência, as alegações de que o cardápio se reduz a biscoitos com suco. Pelo contrário, o cardápio adota 96 gêneros alimentícios, mais que o dobro de cinco anos atrás, acrescentou Benedik.

Wasny argumentou que a CESC tem feito constantes visitas às escolas do DF, inclusive nas cozinhas, e questionou a qualidade, conservação e condicionamento dos alimentos. Nesse propósito, o deputado Juarezão (PSB) lembrou projeto de lei (PL nº 1.504/2017), de sua autoria, sobre análise e classificação como controle de qualidade em todos os produtos e subprodutos de origem vegetal e animal no DF. A matéria tramita nas comissões da Casa.

Enfermeiros – Alterações na forma de atendimento na rede pública de saúde também foi assunto discutido na CESC durante a reunião de hoje (22). De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem (Sindate-DF), Jorge Viana, a Secretaria de Saúde quer que os enfermeiros desconsiderem graus da classificação de risco do protocolo de Manchester, padrão internacional usado por profissionais para auferir o grau de urgência no atendimento a pacientes por meio das pulseiras nas cores azul, verde, amarelo, laranja e vermelho. Segundo Viana, é orientação da Secretaria de Saúde dispensar os pacientes classificados nas cores azul e verde. A medida tem causado grandes transtornos aos profissionais, segundo Viana, porque os pacientes se revoltam com o não atendimento em hospitais.

"A Secretaria deveria conscientizar primeiro a população antes de impor novos modelos, como a reestruturação da atenção primária", declarou o sindicalista. "Os pacientes ficam peregrinando em hospitais e postos de saúde em busca de atendimento", disse. Para Viana, apenas no "mundo fantasioso do secretário de Saúde" o modelo passa a vigorar a partir de portarias, no mundo real as coisas são diferentes. E citou, como exemplo, a determinação para que cada enfermeiro atenda seis pacientes. No entanto, no Hospital de Base há cerca de vinte pacientes por profissional, acrescentou.

Participaram da reunião de hoje (22) os deputados Wasny de Roure (PR), Prof. Reginaldo Veras (PDT), Juarezão (PSB) e Raimundo Ribeiro (PPS).

Franci Moraes - Coordenadoria de Comunicação Social

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