CPI da Pedofilia debate políticas de combate a abusos sexuais

Especialista diz que 90% dos abusadores são pessoas conhecidos da vítima.

Especialistas discorreram sobre possíveis métodos e adoção de políticas públicas voltadas para o agressor em casos de abusos sexuais contra crianças e adolescentes em audiência pública realizada pela CPI da Pedofilia na tarde desta sexta-feira (17). O presidente da comissão, deputado Rodrigo Delmasso (Podemos), lembrou que o tema se insere num dos eixos dos trabalhos da CPI, que é a discussão e elaboração de políticas de combate e prevenção ao abuso sexual contra crianças e adolescentes.

Especialista em atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica (PUC), a psicóloga Rozangela Justino disse que o abusador "precisa de limites". Defendeu a "quebra de silêncio" e alertou para a invisibilidade dos casos de abusos sexuais contra meninos, uma vez que as campanhas de prevenções são majoritariamente voltadas para meninas. A psicóloga, que trata de vítimas e de abusadores, foi assertiva ao afirmar que mais de 90% das vítimas são abusadas por pessoas que elas conhecem e confiam. Justino se opôs, com veemência, à "normalização dos abusos sexuais e da pedofilia" que, segundo ela, vem ocorrendo no País. 

Uma mudança de paradigma foi a abordagem do psicólogo, mestre em Psicologia e Cultura (UnB), Bruno Costa. De acordo com ele, "violência e vingança não geram soluções" e é necessário tratar o agressor para não haver reincidência. Ele explicou que o perfil do abusador é amplo e complexo; acrescentou, inclusive, que não existe uma relação direta de causalidade entre indivíduos que foram abusados na infância se tornarem abusadores. Para ele, deve haver "diferentes terapêuticas para diferentes perfis" e o Estado deve adotar "políticas públicas que desenvolvam competências em habilidades sociais e relações saudáveis".

Castração química - A advogada Thais Maia, que é mestre e especialista em Bioética e Saúde Pública (UnB), disse que a castração química, como método para ser ministrado em agressores, apresenta falhas que não podem ser ignoradas. Segundo Maia, a castração química inibe os impulsos e pensamentos sexuais, contudo seus efeitos duram apenas de seis a oito meses, além de provocar danos colaterais ao organismo, como depressão e outras disfunções.

Audiência pública – Durante a audiência, questionamentos do público foram encaminhados aos especialistas, entre eles o posicionamento do Estado em relação à prevenção e reincidência dos casos de abusos sexuais contra crianças e adolescentes. Delmasso anunciou que a prevenção será um dos temas da próxima audiência pública da CPI da Pedofilia no dia 27, às 10h 30, na sala de reunião das comissões. 

Franci Moraes - Coordenadoria de Comunicação Social

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