Transporte público do DF está entre os dez piores do mundo, revela estudo

Levantamento mostra que 5,77% da renda mensal do usuário é comprometida com passagens. Secretaria de Mobilidade se defende e considera a pesquisa "superficial, imprecisa e ineficaz"

Um estudo realizado pelo Expert Market, instituto de pesquisa americano, revelou que Brasília tem um dos 10 piores sistemas de transporte público do mundo. O levantamento foi feito com base em dados coletados em 74 dos principais centros urbanos do planeta. Questionada pelo Jornal de Brasília, a Secretaria de Mobilidade considerou a pesquisa “superficial, imprecisa e ineficaz”.

Perdendo apenas para Salvador, a capital do país apresenta o pior tempo de espera por transporte público: 28 minutos. Na capital baiana, o tempo de espera é de 33 minutos. Já a média de deslocamento diário equivale a 1 hora e 36 minutos. Com relação ao valor gasto em passagens, 5,77% da renda mensal do usuário é comprometida com transporte público. Situação pior, somente em Curitiba e Rio de Janeiro.

O instituto afirma que a pesquisa foi realizada com base em indicadores como tempo de espera para embarque, tempo de viagem, custo mensal para transporte com base no salário médio da população, baldeações e distância total.

Tempo de espera

Moradora de Ceilândia Norte, Thainara Cristina Batista Ribeiro, de 22 anos, trabalha como jovem aprendiz em um posto de gasolina em Taguatinga Sul. Ela sai de casa para pegar ônibus às 5h40 da manhã, mas só consegue embarcar por volta das 6h20. “O tempo de espera é ruim, mas para fazer qualquer coisa precisamos ficar esperando na parada”, reclama.

A jovem pondera sobre a frota reduzida no período de férias. Segundo ela, os ônibus estão passando uma hora após seu horário normal. “Minha rotina mudou. Com os horários dos transportes alterados, não consigo pegar meu ônibus no horário de costume”, diz.

Para melhorar o tempo de espera, Thainara acredita que os ônibus deveriam passar no horário estipulado. “Tem muito atraso e descaso com a população. Às vezes eles não param e passam direto. Falta mais preparo e não há frotas suficientes para todos”, completa.

A diarista Magnólia Longo, 64, utiliza o transporte público com frequência: “Pego ônibus do Núcleo Bandeirante para o Plano Piloto, Ceilândia, Guará. Utilizo para ir ao trabalho e para fazer tudo que preciso, como consultas médicas, por exemplo”, conta.

A senhora diz que é preciso saber o horário dos ônibus para que o usuário não espere por eles durante muito tempo nas paradas e pontos. “Se você não sabe o horário, vai ficar até uma hora esperando. Dizem que para saber os horários é preciso ter um aplicativo. Eu não preciso pois já conheço os horários, mas para quem não conhece, é problemático”.

Magnólia reclama da qualidade dos ônibus e da sujeira. Para ela, é necessário um olhar atencioso voltado a questões que são tratadas com descaso, como limpeza, e tempo de espera. “Se comprometeram a colocar a empresa, tem de cumprir com requisitos básicos, afinal, estamos pagando pelo serviço”.

Valor de passagens

Lucas Alvarenga, de 20 anos, é estudante e utiliza tanto ônibus quanto metrô para ir à faculdade. Ele considera absurdo o valor cobrado pelos transportes públicos se levar em consideração o tempo de espera, a qualidade e, no caso do metrô, a distância percorrida por ele.

“Os ônibus são caros e não tem qualidade. Não possuem ar condicionado, são sujos e em época de chuva estão sempre molhados. Tem passagem custando R$ 5. Já o metrô, você paga um valor alto, mas ele não leva o cidadão para vários pontos da cidade. Na Asa Norte, por exemplo, não existe sequer uma linha”.

Lucas acredita que o governo deveria dar mais atenção à população que necessita de transporte público: “Quem precisa do transporte público passa grande parte do seu dia em função de esperar pelo transporte e gasta igualmente o mesmo tempo para chegar no local de destino. Já que a distância não é algo que dê para solucionar, poderiam ao menos criar uma solução para que o deslocamento fique mais acessível e confortável”, opina.

Versão Oficial

Em nota, a Secretaria de Mobilidade informou que a pesquisa realizada pelo instituto americano Expert Market, que “é superficial, imprecisa e ineficaz, além de conter distorções graves em relação ao transporte público das cidades”.

Para a pasta, a pesquisa não leva em consideração elementos importantes e fundamentais para se avaliar um Sistema de Transporte Público de uma região, como por exemplo, a densidade demográfica de cada localidade, o processo de urbanização das cidades, a qualidade da frota, entre outras.

“Brasília, por exemplo, tem uma série de peculiaridades que a diferenciam de outras cidades do país, mas principalmente do mundo. A começar pelas grandes distâncias entre as regiões administrativas da cidade, o que faz com que os usuários passem mais tempo dentro dos ônibus e, que portanto, não torna o sistema de transporte da capital ruim, mas demonstra que no Distrito Federal o esforço que tem sido realizado pelo governo é muito maior do que em outras cidades/países para promover uma melhor mobilidade pra cidade”, diz.

“Além disso, não foi levado em conta o processo de integração entre os modos de transporte, onde em Brasília, o usuário, desde a implantação do Bilhete Único, passou a ganhar mais rapidez, agilidade e economia no sistema de transporte. Não foi realizada ainda uma avaliação da frota de cada cidade. Brasília por exemplo, possui uma das mais novas do mundo que, inclusive utiliza combustível renovável. A qualidade dos terminais rodoviários, a implantação de faixas exclusivas e do BRT também não foram considerados”, defende a pasta.

A reportagem do Jornal de Brasília entrou em contato com o DFTrans, mas até o fechamento desta reportagem, a demanda não havia sido atendida.

Fonte: Jornal de Brasília
Foto: Kléber Lima/Jornal de Brasilia

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