Família que saiu de casa para morar em ônibus estaciona em Brasília após 1 ano de viagem

Rodrigo, Andreia e os três filhos pretendem visitar 80 países. Família abre as portas de 'casa' para visitação até 17 de setembro.

Por Luiza Garonce, G1 DF

Rodrigo Nunes, Andreia Razze e os três filhos trocaram a casa por um motorhome (Foto: Rodrigo Nunes/Arquivo pessoal)


Ficar rico viajando: esse é o propósito do casal Rodrigo Nunes, de 38 anos, e Andreia Razze, de 41, que trocou a casa no interior de São Paulo por um motorhome, uma espécie de ônibus adaptado para moradia. Desde agosto do ano passado, eles viajam pelo Brasil com os três filhos. A meta é conhecer 80 países.

A riqueza da família, porém, não é aquela que se pode monetizar. A fortuna é a da vivência. “A gente costuma ficar limitado a experimentar o que está ao nosso redor, mas, quando começa a viajar, essa experiência do viver se amplifica”, disse Rodrigo ao G1.

“Você passa a entender melhor as pessoas, religiões, opiniões e culturas.”


Rodrigo Nunes, Andreia Razze e os três filhos trocaram a casa por um motorhome (Foto: Rodrigo Nunes/Arquivo pessoal)

Ao longo de um ano, eles passaram por 13 estados, subindo pelo litoral do Rio de Janeiro até Fortaleza. Depois, começaram a descer, passando por Teresina e Palmas. Sem pressa, a estadia em cada cidade pode variar de dias a semanas.


Agora, a parada é Brasília, onde a família fica até a próxima segunda-feira (17), estacionada no Park Shopping. Para matar a curiosidade ou alimentar um sonho, o motorhome abre para visitação de quinta à domingo, das 15h às 21h.

Rodrigo Nunes, Andreia Razze e os três filhos visitam Brasília (Foto: Rodrigo Nunes/Divulgação)

“Muita gente vai embora chorando, emocionada, porque é um sonho delas também. Recebemos a foto de um casal que está de motorhome nos Estados Unidos porque se inspiraram na nossa história”, diz Rodrigo.

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Quando era sonho

A ideia de percorrer o mundo começou há 10 anos, quando a aventura ainda estava no campo das ideias e a família, na versão “pocket” – Rodrigo, Andreia e o filho Lucas, então com 8 anos.

Em 2008, Rodrigo era atleta de mountain bike e tinha acabado de completar a segunda volta pelas Américas em cima de uma moto. “No retorno, eu pensei: ‘só me faltam os outros dois terços do planeta’.”

Rodrigo Nunes, de 38 anos, no mirante da Cachoeira dos Saltos, na Chapada dos Veadeiros (Foto: Rodrigo Nunes/Divulgação)


Então, nasceu Mariane. Dois anos depois, Laura. “Aí, tivemos que esperar elas crescerem um pouco para pegar a estrada.” Enquanto isso, os pais estudavam uma forma de viabilizar a viagem sem patrocínio.


A solução foi anunciar a casa que Andreia havia herdado dos pais. Imóvel vendido, motorhome comprado, aventura garantida. A primeira meta é vencer o Brasil. Depois, percorrer a América Latina e subir até os Estados Unidos.

Rodrigo Nunes, Andreia Razze e os três filhos visitam a Chapada dos Veadeiros (Foto: Rodrigo Nunes/Arquivo pessoal)

Em território norte-americano, a família vai tentar embarcar com o motorhome em um navio para atravessar o oceano Atlântico até a Europa. De lá, seguirão caminho para a Ásia e a África. O último destino deve ser a África do Sul.

E a escola das crianças?

O filho mais velho, Lucas, de 18 anos, tinha acabado de se formar no ensino médio quando embarcou na aventura. “Imagina você, com 18 anos, ter a oportunidade de conhecer o mundo inteiro para só depois decidir o que quer ser? A gente com 40 anos, às vezes, ainda está se descobrindo.”

Já a meninas, que têm 6 e 8 anos, estudam a distância. Segundo Rodrigo, a escola onde estão matriculadas, em São Roque (SP), envia apostilas semestrais com os conteúdos. “A gente prevê o lugar onde vamos estar, enviamos o endereço e recebemos pelo correio.”

Quem assume a função de professora é a mãe, com atenção exclusiva às crianças. “Temos notado uma eficiência maior na evolução das meninas, porque elas recebem atenção especial.”

Laura, de 6 anos, filha de Rodrigo Nunes e Andreia Razze, em viagem pelo Brasil (Foto: Rodrigo Nunes/Divulgação)

O pai também aponta a vivência em diferentes lugares como fator de amadurecimento. “As meninas nem fizeram 10 anos e já mergulharam de cilindro no mar, conheceram pinturas rupestres de perto no Rio Grande do Norte. São experiências fantásticas.”




Como se manter?

A lógica de despesas da família é: quanto menos se tem, menos se gasta. “Não temos nenhuma conta fixa, nossos custos são muito baixos. Água, luz e IPTU não pagamos e o IPVA também não, porque o carro é muito antigo”, explicou Rodrigo.

Roupas, souvenirs, restaurantes e outros gastos supérfluos são raros. A média mensal de gastos varia de R$ 2 a R$ 4 mil.

“Nossa despesa se resume praticamente à alimentação, porque, às vezes, conseguimos apoio até para abastecer o motorhome. São empresas de ônibus, postos de gasolina que se sensibilizam com a nossa viagem.”

Segundo ele, até a manutenção do ônibus a família conseguiu com parcerias. “Todo mundo se vê nesse sonho e, não podendo concretizar, decide ajudar quem está fazendo acontecer.”

“Não temos patrocinador, mas pequenos anjos ao longo da estrada.”

Motorhome onde Rodrigo Nunes, Andreia Razze e os três filhos viajam pelo Brasil (Foto: Rodrigo Nunes/Arquivo pessoal)

A família também arrecada verba com a venda do livro “Fique rico viajando”, que o Rodrigo escreveu. Motivacional e incentivadora, a obra é um relato das experiências que o ex-atleta viveu ao viajar pelo mundo. O livro custa R$ 35.

“O sucesso está sempre ligado a um emprego bom, casa boa, dinheiro, mas esquecem de te dizer que, no meio disso tudo isso, é preciso viver.”

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