DF tem quase 3 casos de ataques de escorpião por dia; veja como evitar

Nos últimos 10 anos, número de vítimas saltou de 124 para 959. Secretaria de Saúde diz que aumento de casos está relacionado a período chuvoso e desmatamento.

Por Marília Marques e Marcelo Parreira, G1 DF e TV Globo

Escorpião-amarelo foi encontrado em quadra de Palmas — Foto: Semus/Divulgação

Em 10 anos, o número de vítimas de ataques de escorpião se multiplicou no Distrito Federal. Em 2007 foram 124 registros de picadas, contra 959 em 2017. Os dados são do Ministério da Saúde e, no ano passado, representaram uma média de 2,6 casos de ataques por dia. Nesse período, três pessoas morreram por envenenamento.

Encontrados em áreas urbanas, os escorpiões se reproduzem com facilidade e costumam se abrigar da luz escondidos sob pedras, entulhos, material de construção e encanamentos. Na época chuvosa, costumam sair em busca de alimentos e locais secos.

"Eles vivem o ano todo dentro de tubulações e galerias pluviais", explica a agente de Vigilância Ambiental Adeídes de Macêdo. Chefe dos setor na Secretaria de Saúde, ela explica que com a chuva, esses locais ficam inundados e os animais "se veem desabrigados".
Casos de ataques de escorpião no DF ao longo de 10 anos

Outro fator responsável pelo aumento no número de vítimas (veja gráfico acima), segundo a pasta, é a intensificação do desmatamento no DF. "A ocupação irregular também contribui para desabrigar os escorpiões".

No DF, a espécie mais comum é a amarela, seguido pelo escorpião de patas rajadas e o preto. O indicado para quem encontra o animal é acionar a Secretaria de Saúde. O contato deve ser feito por meio do telefone 160.

Casos recentes

Pacientes do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), uma das maiores unidades de saúde pública do Distrito Federal, se assustaram ao encontrar um escorpião enquanto aguardavam atendimento nesta segunda-feira (26).

Segundo o paciente que enviou a imagem ao G1, o aracnídeo foi achado na área do pronto-socorro da oftalmologia. Ninguém se feriu.

Escorpião encontrado no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), nesta segunda (26) — Foto: Arquivo pessoal

Em outubro, uma mulher foi picada por escorpião dentro do Instituto Hospital de Base, também em Brasília. O acidente aconteceu enquanto ela acompanhava a mãe no pronto-socorro da cardiologia.

Segundo a Secretaria de Saúde, a vítima recebeu assistência dos próprios servidores da unidade de saúde e, depois, foi levada ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran).

Prevenção

Na natureza, os escorpiões costumam se alimentar principalmente de baratas, grilos e cupins, mas podem sobreviver longos períodos sem comida e sem água.

Para evitar a aproximação deles, a Vigilância Ambiental recomenda fazer o controle desses insetos e tomar medidas que impeçam o acesso dentro de casa. Veja recomendações abaixo:

Instalar proteção em ralos e tomadas da casa,
Nao deixar frestas nas paredes e muros;
Colocar proteção embaixo da porta e
Evitar o acúmulo de restos de materiais de construção


O escorpião amarelo é a espécie mais comum encontrada em área urbana no DF — Foto: Tony Winston/Agência Brasília

E em caso de picada?

Segundo especialistas, a orientação é lavar o local da picada com água corrente, sabão e, logo em seguida, procurar a emergência médica. "Se a pessoa tiver segurança, pode coletar o animal e entregar à equipe para identificação", explica Adeídes.

O tratamento depende dos sintomas que o paciente apresenta. Na maioria dos casos, o tratamento é voltado para controlar a dor, e as medicações utilizadas dependem da intensidade do incômodo.

Em alguns casos não há necessidade de administrar o antiveneno (o soro específico). Somente quando o paciente apresenta as manifestações sistêmicas – vômitos, suor pelo corpo, falta de ar ou aumento dos batimentos cardíacos – o antiveneno é indicado.

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