Governo do DF nega que deixará déficit de R$ 5 bilhões para a próxima gestão

Na segunda, Ibaneis disse que previa 'rombo' bilionário ao assumir o Palácio do Buriti. Balanço de todas as contas de 2018 só deve ser finalizado em janeiro de 2019.

Por Rita Yoshimine , TV Globo

Palácio do Buriti, em Brasília, — Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília

Os números oficiais sobre a "saúde financeira" do governo do Distrito Federal ainda não foram divulgados, mas já causaram mal estar entre a equipe que está no Palácio do Buriti e a que vai assumir a gestão em janeiro de 2019.

Nesta terça-feira (13), o governo Rodrigo Rollemberg (PSB) convocou coletiva para negar que entregará um rombo bilionário ao sucessor. A apresentação rebate a informação divulgada pelo governador eleito, Ibaneis Rocha (MDB), que "previu" um déficit de R$ 5 bilhões em janeiro.

“Tenho uma previsão de um rombo acima de R$ 5 bilhões de reais, principalmente, porque se deixou de pagar muita coisa no DF. Nós temos todo o passivo que ficou dos servidores, da terceira parcela do reajuste, temos todo um passivo também em relação às parcelas que existem em atraso com professores e as áreas da saúde”, apontou o emedebista.

A declaração do político deixou o clima pesado nos bastidores da equipe do governador Rodrigo Rollemberg (PSB). O grupo alega que fez cortes de despesas para manter as contas em equilíbrio – o que teria, inclusive, prejudicado a campanha de reeleição.

Na coletiva desta terça, o chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, informou que o reajuste da terceira parcela aos servidores não pode ser incluído no cálculo do déficit, porque essa questão ainda está sendo discutida na Justiça. Segundo ele, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu uma liminar suspendendo o pagamento sob a justificativa de que não há previsão no orçamento.

Sérgio Sampaio, secretário da Casa Civil do GDF — Foto: Letícia Carvalho/G1

Sem número definitivo

Apesar dos esclarecimentos, Sampaio não deu uma estimativa do possível rombo. Ele disse que aguarda a arrecadação de impostos do fim do ano (quando há tendência de alta) e os cortes de despesas que o governo vem adotando.


“Óbvio que o governador eleito poderá, dentro da sua política de governo, promover esses reajustes. Mas não como uma obrigação, ou como ele disse, um rombo deixado pelo governador Rollemberg”, apontou o chefe da Casa Civil.

Sergio Sampaio afirmou, ainda, que Rollemberg recebeu o governo com um déficit de R$ 3,5 bilhões, além de R$ 3,1 bilhões em faturas pendentes com fornecedores. De acordo com ele, o caixa do GDF será entregue em uma situação bem diferente – se não tiver equilíbrio, um déficit pequeno.

“Nós acreditamos será uma coisa mínima, perfeitamente administrável para o próximo governador”, disse Sérgio Sampaio.

O relatório de gestão fiscal do DF, com o balanço de todas as contas de 2018, só deve ser finalizado em janeiro de 2019 e publicado no Diário Oficial do DF. Como todos os órgãos de governo precisam fechar balanços e enviar ao Buriti para a consolidação, há um "atraso" de um mês nessa divulgação.

Na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2018, enviada por Rollemberg à Câmara Legislativa e aprovada em julho de 2017, o governo previa déficit de até R$ 2,154 milhões. No entanto, internamente, o GDF trabalha agora com um valor abaixo de R$ 1 bilhão.

A ex-secretária de Planejamento, Leany Lemos, durante entrevista — Foto: Renato Araújo/Agência Brasília

Déficit menor

Secretária de Planejamento durante quase todo o governo Rollemberg, Leany Lemos afirmou à TV Globo que, desde 2012, o GDF fecha o ano com déficit. O valor, contudo, diminuiu a cada ano conforme as dívidas com fornecedores têm sido quitadas.

“Foi justamente a não implementação desses aumentos que fez com que a gente vivesse uma certa normalidade no pagamento de salários e fornecedores”, apontou Leany.

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