Histórias verdadeiramente falsas

Na era da internet, é difícil pensar em um mundo sem as regalias que ela traz. O meio se tornou uma ferramenta para todos os tipos de pessoas, onde qualquer um pode usar da mesma como algo um meio projetor. Afinal, a facilidade de poder comprar qualquer conteúdo ou de até mesmo resolver problemas com documentos sem sair de casa, é algo muito precioso atualmente. Mas como toda moeda possui dois lados, a agilidade da internet é também motivo para causar alguns desentendimentos, principalmente quando se trata das temidas fake news. Essas histórias falsas se fazem mais do que presente nos dias atuais e agora é quase impossível de diferenciar uma história verdadeira de uma mentirosa.

DISSEMINAÇÃO RÁPIDA

Pelo Facebook, Twitter e principalmente pelo Whatsapp, disseminar esse tipo de história é algo tão fácil e rápido, que em pouco tempo, toda uma comoção é gerada. Como a história de um novo tipo de assalto que toma conta de Brasília, onde os bandidos chegavam até as vítimas em meio ao trânsito, em quando próximos, as atacavam com um ácido no rosto. Pesquisando um pouco e procurando dados, é fácil descobrir que isso se tratava de uma fake news. Ou então, quem não se lembra da caso da rede de fast-food McDonald’s que aparentemente deu folga para todos os funcionários masculinos no Dia da Mulher, descoberto bem depois que se tratava de uma notícia falsa.

ESCLARECIMENTO

Ao mesmo tempo que essas notícias conseguem se espalhar pelas redes, leva um tempo considerável para que as mesmas demorem a ser esclarecidas. Para Paulo José da Cunha, professor de Telejornalismo e criador da disciplina Jornalismo e Fake News na Universidade de Brasília (UnB), essa demora em que a notícia seja esclarecida parte por uma ânsia de notícias de impacto. ‘’Normalmente, as fakes são impactantes, mas as informações verídicas, não causam curiosidade. Por isso, desde sempre, mesmo antes da existência da internet, há um fascínio pelas informações bombásticas, fi lhas do sensacionalismo’’, disse o professor, que afi rma ainda essa situação não vai mudar, afi rmando que hoje nenhum cidadão irá se lembrar de receber uma mensagem pelo Whatsapp desmentido de uma fake. O mesmo explica um pouco melhor sobre como essa ação acontece: ‘’O whatsapp funciona à velocidade dos bits que circulam à velocidade da energia elétrica, enquanto a correção de uma informação falsa depende de uma denúncia à justiça, de uma investigação, de uma sentença de retirada da informação de alguma plataforma,’’ fazendo assim com que seja mais prático divulgar essa notícia do que mostrar que se trata de algo que não é verdade.

A falta de interesse em procurar fontes sobre a notícia ou algo que a comprove, faz com que essas histórias circulem por toda a internet e acabem voltando em momentos aleatórios. Como a história do anúncio de Mark Zuckerberg afi rmando que o Facebook será pago, algo que também já foi esclarecido. Com essa agilidade, fi ca difícil para o leitor comum encontrar os fatos, Paulo José explica que isso se dá devido a internet ser um grande acelerador de conteúdos, segundo ele ‘’Está provado que as notícias falsas “viajam” em velocidade 70 vezes maior que as notícias verdadeiras. Daí a velocidade com que as fake news se propagam.’’ De fato, essa é uma área que precisa ser levada em bastante consideração e necessita de atenção, ainda mais agora em época de eleição, já que a fake news pode ser utilizada como uma arma contra oponentes, ou até mesmo para se autopromover. Algo que, segundo o professor, não vem apenas de hoje, antes do Whatsapp e de outras redes, ‘’era comum a distribuição nos locais de votação de boletins anônimos com “denúncias” contra algum candidato.’’, este foi apenas substituído. O mesmo ainda afi rma que isso pode sim mudar a decisão do eleitor no momento de escolha de candidato: ‘’a informação gerava no eleitor um sentimento de desconfi ança, que o fazia mudar o voto diante da urna. É a velha história do “pode até não ser verdade, mas, na dúvida, não vou arriscar”. O fato é que, após estar na internet, é muito difícil apagar completamente algum conteúdo e isso vem se tornando cada dia mais um problema, que dá bastante trabalho. O aconselhado é que, caso a notícia pareça muito absurda, o leitor procure sempre saber a fonte da notícia e que verifi que os fatos, fazendo sua parte para que consequências devastadoras não ocorram.
Fonte: Alô Brasília
Foto: Divulgação

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