Palácio do Alvorada restaura mais de 400 peças 'esquecidas' e recupera projeto original de Niemeyer

Projeto levou 2 anos para ser concluído. Residência oficial está vazia desde março de 2017, quando família Temer voltou ao Jaburu.

Por Bruna Roma, TV Globo

Equipe de restauradores recupera 400 móveis e objetos de arte do Palácio da Alvorada
Bom Dia DF

Equipe de restauradores recupera 400 móveis e objetos de arte do Palácio da Alvorada

O Palácio da Alvorada, residência oficial da presidência da República, finalmente voltou a ficar do jeito como foi planejado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Os móveis assinados por ele e pela filha – a designer de móveis Ana Maria Niemeyer – passaram os dois últimos anos em restauração por uma equipe especializada.

Uma mesa que recebia os chefes de Estado, por exemplo, foi recolocada no espaço original, junto ao imponente painel do escultor Athos Bulcão.

Mesa utilizada para receber chefes de Estado no Palácio do Alvorada — Foto: TV Globo/Reprodução


Antes, a mesa estava guardada em um depósito, junto de outros itens que saíram de cena no Alvorada sem deixar vestígio.

O Palácio do Alvorada está vazio desde março de 2017, quando Michel Temer decidiu se mudar com a família de volta para o Jaburu. Eles passaram apenas duas semanas na residência oficial da presidência.

O tamanho da mudança

O processo de reforma e restauração conseguiu recuperar mais de 400 móveis e peças de arte, que agora foram devolvidos aos seus lugares.

Uma das peças restauradas é uma escultura do escultor francês André Bloc, que passou 40 anos longe do Palácio do Alvorada.

Escultura de André Bloc no Palácio do Alvorada — Foto: TV Globo/Reprodução

"Ela é responsável pela sensação de se estar num palácio. Porque ela, de alguma maneira, dá ênfase ao vazio", diz o presidente da comissão de restauração, Antonio Lessa.

A equipe que participou da restauração explica que o vazio é parte fundamental para dar uma ideia do tamanho real do palácio, que ocupa 7 mil metros quadrados distribuídos em três andares – por isso, a forma com que os móveis estão colocados também é tão importante.

Algumas poltronas brancas, por exemplo, tiveram de ser refeitas com base no projeto original, porque não foram ne sequer encontradas inteiras.

Poltronas brancas recuperadas no Palácio do Alvorada — Foto: TV Globo/Reprodução

O único ambiente que não pôde ser constituído igual ao original foi a biblioteca, onde não foi possível encontrar nem sequer os resquícios da maioria da mobília original.

Doações famosas

O piano de uma das salas de estar, doado ao Alvorada na época da construção de Brasília, também foi restaurado e entregue à sala originalmente pensada para ele. O instrumento pertenceu ao compositor Tom Jobim.

Piano de Tom Jobim doado para o Palácio do Alvorada — Foto: TV Globo/Reprodução
No mesmo cômodo, há, ainda, um tapete persa dado pelo xá iraniano Reza Pahlevi na inauguração do palácio.

Da tapeçaria de Di Cavalcanti, foi necessário restaurar as cores originais, praticamente perdidas, e tirar mais de 1 kg de poeira acumulada desde a década de 1960.

Tapeçaria de Di Cavalcanti no Palácio do Alvorada — Foto: TV Globo/Reprodução

O Palácio do Alvorada deve voltar a ser ocupado em janeiro, pela família do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). A futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro, visitou o espaço na semana passada, quando disse que planeja atuar em “todos os projetos sociais possíveis”.

Fonte: G1

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