Evangélica, Michelle Bolsonaro quer retirar obras sacras do Palácio da Alvorada

Com a posse de Jair Bolsonaro, obras de arte com imagens sacras devem ser transferidas do Palácio da Alvorada, onde irá morar a família do presidente eleito, para o Palácio do Jaburu. 

Segundo relatos feitos à Folha de S. Paulo por três funcionários do Palácio do Planalto, a transferência ocorrerá após a futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro, ter demonstrado um desejo na retirada das obras. Ela teria perguntado se seria possível que as obras deixassem o Palácio da Alvorada.

Hoje, a residência oficial apresenta como parte de seu mobiliário cinco peças de simbologia católica: um par de anjos barrocos tocheiros, na biblioteca, e quatro estátuas de santos nas salas de música e de estado. 

Uma das imagens é uma representação em madeira de Santa Bárbara, do século 18. O vice-presidente eleito, Hamilton Mourão, confirmou o recebimento da escultura. “Ela é, inclusive, padroeira da artilharia”, disse à Folha de S. Paulo.

Procurada pela reportagem, a assessoria da futura primeira-dama informou que ela não tinha interesse em falar. A mulher do presidente eleito frequenta a Igreja Batista Atitude, no Rio de Janeiro.

Por ser evangélica, Michele Bolsonaro não venera esculturas de santo.

Para o ex-curador da Presidência da República Rogério Carvalho, a futura primeira-dama tem sido mal assessorada. Na sua avaliação, é natural que o novo presidente faça mudanças na área privativa, cujo acesso não é público.

“Mas, na parte pública, o ideal é que as peças de arte sejam mantidas para preservar a leitura histórica”, disse.

Ele conta que, de acordo com relatos de antigos funcionários da Presidência da República, no passado, o presidente Ernesto Geisel, que era luterano, pediu a retirada da pintura “Orixás”, de Djanira da Motta. 
Obra Três Orixás da pintora Djanira da Motta e Silva, em exposição em uma sala do Palácio do Planalto em 2011 – Roberto Stuckert Filho – 20.jul.2011/Divulgação

A obra de arte, uma tela de grande formato de divindades do candomblé, só voltou a ser exposta nos palácios do governo anos depois, pelas mãos da ex-primeira-dama Ruth Cardoso (falecida esposa de Fernando Henrique Cardoso).

Sobre a mudança das obras com motivos sacros, o Palácio do Planalto informou, por meio de nota, que “não há pedido sobre a transferência de local”.

Recentemente, o acervo do Palácio da Alvorada passou por uma recuperação histórica. As peças restauradas são estimadas em R$ 2,5 milhões e a residência oficial voltou a ter mobiliário elaborado por Oscar e Anna Maria Niemeyer.

Fonte: Folha de S. Paulo

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