Saiba qual é o legado que Rollemberg deixa para Ibaneis Rocha

 Além do ajuste nas contas públicas, o governador se destacou na regularização de condomínios, na desobstrução da orla do Lago Paranoá, no fechamento do Lixão da Estrutural e no enfrentamento à crise hídrica

AV Ana Viriato 

Rodrigo Rollemberg deu a primeira entrevista após a derrota nas urnas no comitê de campanha, no SIA: "Viveremos momentos desafiadores. Brasília e o Brasil vão precisar de todos nós para pacificar o nosso país"(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Às 20h13 de ontem, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) chegou ao Comitê Central de Campanha, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), e, sob aplausos e gritos de correligionários, iniciou o primeiro discurso após o resultado oficial das urnas, divulgado às 18h44, que mostraram a derrota com mais diferença de um candidato à reeleição da história do Distrito Federal, em segundo turno. Entre agradecimentos e autoanálises, o socialista despistou sobre a possibilidade de liderar a oposição ao adversário Ibaneis Rocha (MDB) ao longo dos próximos quatro anos e pregou a união. “Viveremos momentos desafiadores. Brasília e o Brasil vão precisar de todos nós para pacificar o nosso país”, afirmou.

Ao lado da primeira-dama, Márcia Rollemberg, do candidato à Vice-Governadoria da chapa, Eduardo Brandão (PV), e da senadora eleita Leila do Vôlei (PSB), o governador pediu perdão pelos erros cometidos ao longo da gestão. “Sempre tentei acertar. Dei o melhor de mim”, disse. Em discurso, adiantou que pretende fazer uma transição “tranquila”. “Faremos o que estiver ao nosso alcance para que Ibaneis (Rocha) possa iniciar o governo em condições muito melhores do que assumi, pelo bem de Brasília”, ressaltou.

Pela manhã, em carta enviada por WhatsApp a simpatizantes e integrantes do primeiro escalão, Rollemberg explicou que chegou àquele momento com “honra e sentimento de dever cumprido”. “Temos um legado. Mostramos que é possível governar sem corrupção. Não é pouca coisa no Brasil de hoje. E temos resultados”, escreveu, ressaltando feitos da gestão, como a inauguração do Bloco 2 do Hospital da Criança, a mudança no modelo de gestão do Hospital de Base e a menor taxa de homicídios em 30 anos.

O chefe do Palácio do Buriti acompanhou a apuração na fazenda da família, próximo a Luziânia. Ao saber do resultado, ligou para Ibaneis a fim de parabenizá-lo. Na sequência, visitou a mãe, Teresa, na Asa Sul. Ao chegar ao SIA, tirou selfies, distribuiu abraços e disse que “não era momento para tristeza”.

LegadoNa contramão dos quatro governadores eleitos na capital desde a conquista da autonomia política pelo DF, Rollemberg não ergueu obras milionárias e de grande projeção — à exceção do Trevo de Triagem Norte, intervenção viária que deve ser concluída em 2019. O legado do socialista divide-se entre cinco eixos principais, com destaque ao ajuste das contas públicas. O slogan da campanha à reeleição, “Casa arrumada, hora da virada”, refletiu o aspecto.

Ao assumir o mandato, o chefe do Palácio do Buriti herdou um rombo nas finanças superior a R$ 3 bilhões. Ao fim da gestão de Agnelo Queiroz (PT), servidores públicos, fornecedores e prestadores de serviços recebiam pagamento com atraso. Para equilibrar os caixas, o socialista reduziu o número de secretarias e cortou gastos com comissionados. Poucos meses depois, anunciou um pacote de ações com medidas impopulares, a exemplo do aumento de tarifas públicas e da suspensão do reajuste do funcionalismo.

Pela projeção atual, Rollemberg deixaria o GDF com um deficit de R$ 600 milhões — equivalente a um quinto do herdado. Na última sabatina promovida pelo Correio Braziliense, entretanto, ele destacou que o valor pode baixar ainda mais. Com o saneamento das contas, o governador havia garantido o pagamento da terceira parcela do funcionalismo em junho e a rediscussão dos vencimentos de professores a fim de respeitar as metas do Plano Distrital de Educação (PNE).

O chefe do GDF ainda resolveu o problema da crise hídrica do Distrito Federal pelos próximos 20 anos, conforme estimativas do alto escalão. As intervenções foram necessárias, pois, de 2000 a 2015, gastou-se somente R$ 15 milhões com obras de captação de água e afins. Como resultado, o DF experimentou o primeiro racionamento da história — o rodízio durou 17 meses. Para combater a escassez, entre 2016 e 2017, Rollemberg investiu R$ 100 milhões em novas captações de água, como a do Bananal e do Lago Paranoá, e reativou outras, a exemplo dos córregos Alagados e Crispim, no Gama. O governador também retomou as construções em Corumbá IV, paralisadas desde a gestão de Joaquim Roriz, sob o custo de R$ 272 milhões. A estimativa é de que a obra seja entregue em dezembro.
O governador Rodrigo Rollemberg votou logo na abertura do pleito, às 8h, em um colégio da Asa Sul(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

Moradia
Outro legado do socialista está na habitação. Com a aprovação da Lei nº 13.645, de 2017, no Congresso Nacional, Rollemberg iniciou a regularização de condomínios. A regulamentação beneficiou moradores do Ville de Montagne, Solar de Brasília e de trechos de Vicente Pires. No discurso adotado na campanha, Rollemberg também deu destaque às escrituras entregues em menos de quatro anos. No total, foram 63 mil, sendo 53 mil definitivas.

O fechamento do Lixão da Estrutural, o maior da América Latina, também é um marco na gestão do socialista. O aterro passou a receber somente resíduos da construção civil, material inerte, ou seja, que não compromete o meio ambiente. Os cerca de 2 mil catadores que trabalhavam na região foram realocados para galpões de triagem localizados no SIA, Setor Complementar de Indústria e Abastecimento (SCIA), Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (SAAN) e Ceilândia.

Motivo de críticas de adversários, o socialista desobstruiu a orla do Lago Paranoá. Conforme decisão judicial, o GDF retirou todas as construções feitas a menos de 30m das margens sul e norte do reservatório. Os responsáveis pelo projeto urbanístico em torno do espelho d’água foram selecionados em abril, por meio do concurso Masterplan Orla Livre. A proposta dos arquitetos indica o formato da distribuição de restaurantes, ciclovias, praia artificial, entre outras áreas de lazer. A expectativa da Casa Civil era lançar a licitação para as obras no início de 2019.

Três perguntas para Rodrigo Rollemberg (PSB), governador do DF

O senhor contestará a eleição de Ibaneis Rocha na Justiça Eleitoral sob a alegação de compra de votos e abuso de poder econômico?
As pontuações que temos foram feitas na campanha e terão o curso normal no Judiciário. Recebemos com muita humildade o resultado das urnas. Esse foi o desejo da população de Brasília. A gente respeita. Não tenho a menor pretensão de fazer um terceiro turno das eleições.

Qual será a postura do senhor nos próximos anos?
O futuro a Deus pertence. Mas sempre disse que, independentemente do resultado, vou continuar servindo Brasília e o Brasil. Essa é a minha missão. Deixo essa mensagem de união. Esse é o momento de respeitarmos o resultado das urnas e olharmos para frente com orgulho e reconhecimento do que fizemos. A nossa missão será dar a contribuição para pacificar. O radicalismo não serve a ninguém. Nós temos algo muito precioso, que é a Constituição Brasileira, que está acima e de todos.

Como será o processo de transição?
Isso vai depender do governador eleito. Temos toda a disposição de abrir os dados e colocar os nossos técnicos ao dispor dele. Alguns projetos que têm consequência para o orçamento do ano que vem, também. Tudo isso para que ele possa iniciar o governo em condições muito melhores do que assumi, pelo bem de Brasília. O que estiver ao nosso alcance para que a população sofra o menos possível na transição, faremos.
Fonte: CB

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