Solenidade homenageia resistência dos povos indígenas no DF


Sessão solene proposta por Fábio Felix

O Dia do Índio, comemorado em 19 de abril, inspirou a Câmara Legislativa a realizar sessão solene, nesta quinta-feira (25), em homenagem à resistência dos povos indígenas no Distrito Federal. O evento aconteceu no plenário e teve a mesa composta em maioria por lideranças indígenas.

Ao som de chocalhos, a solenidade começou com ritual no qual os índios, com vestimentas tradicionais, trouxeram para dentro da Casa algumas de suas expressões culturais. De acordo com o autor da homenagem, Fábio Felix (PSOL), o objetivo foi dar voz aos povos indígenas para que pudessem "se pronunciar, debater e trazer demandas".

Mirim Ju Yan Guarany, coordenador do Conselho Indígena do DF, disse que "toda política que nos envolve tem que ter debate e não ser implementada de cima para baixo. De cima para baixo, só a chuva! Nossa cultura é de consciência", referindo-se à forma como os índios têm sido tratados há séculos.

"Nós, povos indígenas, temos conhecimento. Não é porque não estou usando cocar que vou deixar de ser Terena. Posso ser quem quero ser, sem deixar de ser quem sou", diz Mateus Terena, da reserva Kariri-Xocó.

A parlamentar Arlete Sampaio (PT) falou da importância de assegurar os direitos indígenas. "Os portugueses invadiram o Brasil e, desde então, todos os governos nacionais jamais compreenderam o direito dos povos indígenas à propriedade de terra", reiterou a deputada.

Felix ressaltou a importância de diálogos na sociedade para a quebra dos preconceitos: "É necessário trazer para o DF o debate da situação indígena. Ainda existe muito preconceito com relação aos povos originários, não só por parte da população em geral, mas também do próprio Estado".

"Somos tratados como entrave pelo governo, mas protegemos a natureza. As pessoas 'civilizadas' vão à floresta para matar e ganhar troféus com os animais exóticos. Não podemos esquecer da nossa ancestralidade porque ela nos alimenta", lamentou Airy Gavião, do Conselho Indígena/DF.

Já a assistente social Mirella Martins, do Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS/Diversidade) destacou: "É importante olhar a questão fundiária e regularizar a situação das comunidades reconhecidas como povos indígenas do DF. Elas estão marginalizadas e isso é muito sério!".
Karine Teles (estagiária)
Foto: Silvio Abdon/CLDF
Núcleo de Jornalismo – Câmara Legislativa

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