CLDF debate qualidade da alimentação na primeira infância

Audiência sobre segurança nutricional apontou desafios do combate ao sobrepeso e obesidade.

O acesso a alimentos de qualidade, especialmente na primeira infância, concentrou os debates da audiência pública sobre segurança alimentar e nutricional na tarde desta segunda-feira (27) em plenário. O mediador do encontro, deputado Leandro Grass (Rede), destacou que cerca de seis mil famílias no DF estão em situação de insegurança alimentar crítica, o que significa que elas sofrem com a escassez de alimentação adequada. Nessas circunstâncias, as crianças têm alimentação saudável apenas nas escolas e, por esse motivo, é fundamental acompanhar a implementação do Programa Nacional de Alimentação Escolar no DF, de acordo com o parlamentar.

No ano passado, foram destinados cerca de R$ 12 milhões para aquisição de frutas, verduras e legumes para atender quase quatrocentas escolas em dez regionais de ensino da rede pública do DF, segundo Grass, que atentou ainda para a importância da melhoria do cardápio pautado por refeições nutritivas ao invés de "políticas pobres para os mais pobres", a exemplo do "pão e leite".

Sobrepeso – Opinião similar manifestou o representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Gustavo Chianca, ao informar que "a desnutrição está estreitamente relacionada à pobreza". Hoje um dos grandes desafios mundiais, de acordo com Chianca, é o sobrepeso e a obesidade, uma vez que as populações mais pobres passaram a consumir alimentos com alto teor de sódio e açúcar. Ele destacou a necessidade de desenvolver hábitos alimentares saudáveis na primeira infância, medida corroborada pela coordenadora do Programa de Alimentação, Nutrição e Cultura da Fundação Oswaldo Cruz, Denise Oliveira e Silva.

Segundo ela, na primeira infância, ao invés do aleitamento materno – do qual o Brasil já foi referência mundial – foram adquiridos hábitos como o aumento do consumo de leite e a precoce introdução de alimentos processados, fatores que têm contribuído para o aumento do excesso de peso na primeira infância. Também focada na primeira infância, a pesquisadora sobre insegurança alimentar da Universidade de Brasília, Muriel Gubert, disse que a deficiência na qualidade dos alimentos, aliada a circunstâncias adversas, têm efeitos devastadores no desenvolvimento cognitivo infantil.

Alimentação saudável – Para o presidente do Conselho de Alimentação Escolar, André Luiz Santos, as escolas do DF estão mais próximas de uma alimentação saudável, por isso, o uso do termo "merenda" foi abolido e no seu lugar foi adotado o conceito de "alimentação". Santos comemorou o fim das cantinas comerciais dentro das escolas públicas do DF, as quais concorriam com a alimentação saudável ofertada gratuitamente pela escola, afirmou.

Proteger a alimentação adequada nas escolas também está entre as diretrizes apontadas pelo Conselho Federal de Nutricionistas, de acordo com a representante da entidade, Luiza Torquato. Ela anunciou ainda a adesão dos conselhos à campanha da ONU sob o lema "Pela saúde do coração, gordura trans não", cujo objetivo é eliminar essa gordura dos alimentos até 2023.

Vários participantes defenderam a manutenção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar, como o assessor de políticas sociais da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag), Antônio Souto. Ele também enfatizou a importância da agricultura familiar, responsável por 70% do que chega na mesa do brasileiro, disse.

Banco de Alimentos – Pela continuidade do Banco de Alimentos, o presidente do Ceasa-DF, Wilder Santos, destacou que o programa é uma das principais ferramentas de política pública de segurança alimentar do governo. O banco recebe, seleciona e distribui alimentos para entidades como creches, lares de idosos e centros de apoio sócio educativos. São distribuídos os alimentos que não estão aptos para comercialização, mas ainda aptos para consumo. Segundo técnicos do Ceasa, 132 instituições e cerca de 32 mil pessoas são atendidas semanalmente, sendo que a maioria abarca crianças na primeira infância.

Alimentação vegetariana e reaproveitamento de alimentos também foram pontos levantados por participantes da audiência, que apoiou a inclusão de produtos orgânicos no cardápio escolar e a criação de hortas comunitárias no DF.

Comissão geral dia 6 – Em defesa da priorização da primeira infância, a deputada Júlia Lucy (Novo) convidou os presentes para comissão geral, no próximo dia 6, às 15h, para discutir sobre como o DF e a CLDF investem na primeira infância. A parlamentar defendeu ainda a implementação, no DF, do projeto Criança Feliz do governo federal, o qual envolve também aspectos de segurança alimentar. 

Franci Moraes
Fotos: Carlos Gandra/CLDF
Núcleo de Jornalismo - Câmara Legislativa

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