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Terror de muitos corredores, a fascite plantar é uma inflamação que ocorre na planta do pé. Ela é mais comum no calcanhar, e gera mais dor no início da manhã e depois dos treinos. Pode demorar meses para melhorar, principalmente quando negligenciada ou se sua causa não é tratada. 

A fáscia plantar é um tecido que vai do calcanhar até os dedos dos pés e funciona como uma mola toda vez que tocamos o solo. Quando excedemos sua capacidade de resistência ela sofre microrrupturas e se lesiona. 

A doença se manifesta principalmente entre os 40 e 60 anos. Pode afetar homens e mulheres. Pessoas com sobrepeso, atletas, especialmente os corredores (como já citado anteriormente), bailarinos, ginastas. Mulheres por causa do uso freqüente de sapatos com saltos muito altos estão mais sujeitas a desenvolver essa condição. 

A fascite plantar é na maioria dos casos unilateral, afetando tanto o calcanhar esquerdo como o direito. A fascite plantar bilateral, ou seja, que afeta os dois pés em simultâneo é menos freqüente, ocorrendo em cerca de um terço dos casos. 

É importante não confundir a fascite plantar com o esporão do calcâneo. São duas patologias diferentes, embora possam ser desencadeadas por lesões muito semelhantes: microtraumatismos e inflamação crônica na região do calcanhar, nas proximidades da inserção do tendão de Aquiles. No caso específico do esporão, surgem depósitos de cálcio debaixo ou atrás desse osso. Eles formam saliências parecidas com ganchos que lembram as esporas dos pés dos galos. Esporões do calcâneo podem provocar uma dor aguda, em pontada, que piora com o movimento e melhora com o repouso. 

Geralmente a fascite plantar é um transtorno de bom prognóstico, mas a recuperação costuma ser bastante lenta. 
Causas 

Salto alto 

Uso contínuo do salto alto costuma levar a diminuição da mobilidade do tendão de Aquiles. Ao encurtar esse músculo, que liga a panturrilha à região do tornozelo, favorece a fascite plantar. 

Esportes 

Esforço dos pés em treinos pesados e corridas de longa distância, principalmente em superfícies duras, como asfalto, pressionam as solas dos pés. Corredores são atingidos com freqüência pela inflamação, por conta de não utilizarem calçados adequados para se exercitar ou pelo uso prolongado do mesmo tênis. 

Alterações genéticas 

Encurtamento da musculatura posterior da perna ou tensões em outras partes do corpo como um desnivelamento de quadril, pode inflamar a fáscia plantar e gerar a doença. 

Alterações genéticas nos pés, ou até mesmo possuir um padrão anormal de andar, pode afetar como o peso é distribuído pelo corpo quando se está em pé. Duas formas conhecidas de modificações no formato dos pés são: 

· Pé muito cavo: mais rígido e menos eficiente na absorção de impactos, o que ocasiona o encurtamento da fáscia; 

· Pé plano: comumente conhecido como pé chato. Também apresenta dificuldade em absorver impactos, gerando um contínuo estiramento da fáscia plantar. 

Outros fatores que podem desencadear a doença: 

· Alguns antibióticos enfraquecem os tendões e podem causar a ruptura do tendão de Aquiles; 

· Estar com sobrepeso submete os pés a uma pressão maior; 

· Uso de calçados inadequados que não fornecem o suporte adequado para o arco do pé, como, por exemplo, calçados de sola plana; 

· Ser portador de certas doenças, como artrite reumatóide ou lúpus; 

· Condições traumáticas como entorses de tornozelos. 

Tratamento 

Fascite plantar tem cura, mas o tratamento é lento, durando cerca de 1 ano à 18 meses, e depende do paciente realizá-lo corretamente para não esforçar mais a fáscia. Os métodos variam de procedimentos caseiros, utilização de remédios analgésicos ou anti-inflamatórios e fisioterapia. O objetivo do tratamento é desinflamar a região na intenção de melhorar a circulação sanguínea e, se houver nódulos, desfazê-los dos tendões. 

Gelo: Você pode aplicar gelo enrolado num papel de cozinha e deixar atuar durante cerca de 15 minutos, duas vezes ao dia, porque o frio é bom para aliviar a dor e combater a inflamação. Uma outra forma de aproveitar as propriedades do frio é colocar o pé numa bacia com água fria, com pedrinhas de gelo e deixar atuar 15 minutos; 

Repouso: evitar realizar atividades que agravam a dor; 

Massagens nos pés: para quadros intensos de dor, como os que os portadores enfrentam pela manhã, é aconselhável realizar massagens na sola dos pés utilizando um cilindro; 

Calçados e palmilhas: evitar calçados desconfortáveis, duros e inadequados para o tamanho dos seus pés. Utilizar também palmilhas ortopédicas indicadas pelo ortopedista ou fisioterapeuta, de preferência feitas sob medida; 
Fisioterapia: Na fisioterapia existem aparelhos como ultrassom, laser e iontoforese que podem ser usados em conjunto para desinflamar a fáscia, mas devem ser realizados quando prescritos pelo fisioterapeuta e por vezes pode-se optar por outros recursos; 

Alongamentos: Realizar alongamentos não cura a fascite plantar, porém auxilia no alívio dos sintomas temporariamente. O paciente não deve efetuar nenhum dos procedimentos a seguir sem antes se consultar com um médico especialista. 

Para fortalecer a musculatura, puxar uma toalha com os dedos do pé fazendo 10 a 15 repetições, 3 a 4 vezes por dia; 

Alongamento da planta do pé e da panturrilha, esticando a perna em uma superfície levemente inclinada durante 1 minuto. Realizar 3 séries de 15 repetições; 

Puxar a ponta do pé com a mão e pressioná-lo contra a parede, por 30 segundos. 

Flexão dos dedos com rolamento do pé sob uma bola de tênis. O movimento ajuda a diminuir a tensão na fáscia plantar, consequentemente a dor. Realizar 10 a 15 minutos duas vezes ao dia; 

Se inclinar contra uma parede com um joelho reto, o outro dobrado e o calcanhar no chão. O pé e o calcanhar se alongam de acordo que o corpo é inclinado. O paciente deve manter a posição por 10 segundos antes de relaxar, repetindo outras 20 vezes; 

Se inclinar e se apoiar em uma bancada, separando os pés um de frente pro outro. Flexionar os joelhos e se abaixar, mantendo os calcanhares fixos no chão. A cada descida de 10 segundos os calcanhares e a sola do pé vão se esticar. Repita 20 vezes. 

Órteses: Para imobilizar e auxiliar no alongamento da fáscia é indicado utilizar tornozeleiras no período diurno e talas no período noturno. No entanto, imobilização raramente é a melhor saída. Reeducação da atividade física, uso de palmilhas e exercícios específicos são indicados como soluções mais eficazes. 

Acupuntura: A aplicação da acupuntura atinge a dor e a inflamação, e, quando associada à outras formas de reabilitação, auxilia na redução da sobrecarga nos pés (combinado com o uso de palmilhas) e na restauração de força e flexibilidade (combinado com a prática de exercícios). 

Injeção: Em poucos casos, pode ser realizado a infiltração com corticosteróide, método evitado devido a possibilidade de problemas futuros, como a ruptura da fáscia. A aplicação da injeção pode fornecer alívios temporários para dor. 

Cirurgia: Normalmente, o tratamento recomendado para fáscia plantar é exclusivamente conservador, no entanto, a fasciotomia plantar parcial é indicada após a falha de qualquer outro método durante 12 meses de tentativa ou após a ruptura da fáscia. A fasciotomia plantar tem como objetivo aliviar a pressão da região da fáscia, mas não garante que ocorrerá melhora dos sintomas. O procedimento libera parcialmente a fáscia plantar, mas há o risco de acontecer a liberação total e desencadear problemas, como pé chato adulto adquirido. 
Medicamentos: Para alívio da dor, os profissionais de saúde costumam prescrever anti-inflamatórios não-esteroidais que devem ser tomados aliados a outras terapias (NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico). 

A fascite plantar é uma doença fácil de se prevenir, basta dar atenção às necessidades dos pés e evitar aplicar esforço excessivo nas solas, é uma inflamação comum que apresenta dificuldade para realização de qualquer atividade que envolva os pés. Apesar do tratamento ser simples, caso negligenciado pode acarretar diversas complicações. 

Procure SEMPRE um profissional qualificado. Saúde é coisa séria.