Ideologia do lixo zero cresce em eventos culturais na capital

Lei nº 5.610 impõe que geradores de resíduos sólidos sejam responsáveis por gerenciamento da coleta, transporte e disposição final destes resíduos

Por Camila Demienzuck
Jornal de Brasília/Agência UniCEUB 

Desde fevereiro de 2016, está em vigor a Lei nº 5.610 que impõe que os grandes geradores de resíduos sólidos sejam responsáveis pelo gerenciamento da coleta, transporte e disposição final destes resíduos. A medida influenciou não apenas estabelecimentos comerciais, mas também o mercado de eventos culturais em Brasília que passou a adotar medidas mais sustentáveis.

Em grandes eventos, a maior quantidade de resíduos produzidos geralmente são de lixos sólidos. Empresas que promovem eventos, cada vez mais, recebem a responsabilidade de dar a destinação correta desses resíduos e, para isso, buscam parcerias com associações de catadores da região. Um exemplo disso foi a parceria desenvolvida no evento Picnik com a Acobraz, uma associação de catadores de materiais recicláveis de Brazlândia. A Acobraz promove serviços de coleta seletiva, triagem e educação ambiental em eventos, escolas e até mesmo em residenciais.
De etapa em etapa rumo ao lixo zero

O evento Picnik, que acontece periodicamente na capital, desde 2018, adota medidas para promover a consciência ambiental. “A primeira edição onde algumas mudanças foram adotadas foi a edição de 12 de outubro de 2018, no dia das crianças. Achamos que essa data era bom momento para começar, já que as crianças em geral aprendem muito rápido e levam esse aprendizado para a vida. Tendo isso como motivação passamos a implementar o Ecoponto, onde a cooperativa de catadores Acobraz é responsável pela separação dos resíduos. Além disso a partir dessa edição também contamos com o Projeto Compostar fazendo a compostagem dos orgânicos”, explica Maiene Horbylon, organizadora de programação do Picnik.

Nos Ecopontos, o público pode levar o lixo que foi produzido e em troca receber uma fichinha de água. O intuito é contribuir com o serviço dos catadores da empresa contratada responsável pela coleta seletiva e acima de tudo, com o meio ambiente.

A última edição ainda contou com algumas novidades com a causa da sustentabilidade: o evento promoveu uma parceria com a empresa júnior O2 Consultoria Ambiental, da 4 Hábitos para Mudar o Mundo e do Instituto Lixo Zero que abriram diálogos com o público para disseminar maior consciência ambiental. “A gente identificou que é necessário que haja uma comunicação a respeito do tema com o público para que haja uma compreensão e colaboração cada vez maior. Tanto que nessa última edição obtivemos os melhores resultados até agora, acredito que principalmente por causa da participação da O2 e da 4 Hábitos.”

Para os próximos eventos, a organização pretende melhorar ainda mais os resultados obtidos, diminuindo o número de lixeiras para evitar que o lixo se misture e estimular o público a utilizar os ecopontos, além de conscientizar mais os expositores, principalmente os da praça de alimentação.
Mudanças adotadas desde o planejamento do evento

O festival de música CoMa também adere à sustentabilidade desde sua primeira edição, em 2017. O engajamento com a educação ambiental no evento começa nas redes sociais onde divulgam a questão do lixo no cotidiano e incentiva o público a usar os Ecocopos que evitam a geração em larga escala de descartáveis. Além da importante participação do público, os próprios colaboradores e fornecedores adotam atitudes para contribuir com o meio ambiente: preferencialmente alimentos e bebidas são oferecidos em embalagens compostáveis, não é utilizado de forma alguma descartáveis de isopor.

Assim como o evento Picnik, todos os resíduos recicláveis do CoMa são destinados a uma associação de catadores de Brasília enquanto os resíduos orgânicos utilizados para a produção de adubo orgânico. Essas ações diminuem significativamente a quantidade de lixo que irá para aterros sanitários.

A própria estrutura do festival é planejada para que haja uma redução da utilização de energia: o sistema de luz de todo o espaço funciona com lâmpadas LED que reduzem em até 80% o consumo de energia. A estudante de 19 anos Jéssica Luizari, esteve presente nas três edições do evento e observa que a mudança mais marcante foi o público entre as edições, tanto na faixa etária quanto na quantidade. “Essa última edição foi a mais cheia, mas o ambiente do evento estava limpo. Pude notar que não houve presença de balões e decorações exageradas que poderiam gerar muitos resíduos sólidos”, exemplificou.

Além disso, ela lembra que as cervejas vendidas no local eram todas em embalagem de alumínio, material indicado para reciclagem. “Os ecocopos utilizados são essenciais para a redução da quantidade de plástico gerada, além de ser uma ótima recordação do evento. Para os próximos eventos seria interessante estimular ainda que as pessoas levem os ecocopos que já possuírem para também não acumular vários copos em casa desnecessariamente”.
Como estimular o público

Alguns outros eventos chegam a incentivar o público a adotar medidas sustentáveis em troca de descontos ou brindes. O Rolê Veggie, que aconteceu em 18 de agosto desse ano, por exemplo, ofereceu desconto de 10% em um de seus expositores para as pessoas que se deslocassem para o evento de bicicleta, 5% se utilizassem o transporte público e 5% pela utilização do próprio ecocopo.

Já no Picnik, há um espaço reservado para ciclistas, o “guarda-bike”, onde eles podem estacionar as bicicletas durante o evento, e estimular o uso destas ao invés do uso de carros que emitem gases nocivos ao meio ambiente.

Diariamente, o Serviço de Limpeza Urbano (SLU) retira das ruas da capital cerca de três mil toneladas de lixo. Uma parte desse lixo é composta por resíduos sólidos que poderiam ser reciclados, mas, a maior parte não recebe o descarte correto e acaba sendo enviado a aterros sanitários. Dentro deste cenário, a indústria de eventos em Brasília passou a adotar a ideologia do lixo zero.

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