Coluna Acilino Ribeiro | De uma época de mudanças para uma mudança de época

Por ACILINO RIBEIRO*

Todo ato de desobediência em tempos de crise e guerra é um ato revolucionário de amor ao próximo. E o mundo hoje vive uma crise humanitária sem precedentes históricos e o Brasil uma crise moral sem limites éticos, promovido por seu Chefe de Governo e de Estado. A desobediência civil está na ordem do dia e logo se espalhará.

Subserviente ao imperialismo, agente de um governo fascista como o de Donald Trump, Bolsonaro, nazista por convicção, oportunista por profissão, racista, sexista e homofóbico por formação, leva o Brasil a uma crise política, econômica e social também sem precedentes em sua história, transformando suas políticas reacionárias, de caráter fascista e ações totalitárias em uma crise institucional que culminará com seu afastamento do cargo antes do termino de seu mandato.

Diante da crise humanitária que vive o planeta entendemos que a humanidade não vive mais uma época de mudanças, mas uma mudança de época, tal como o foram as mudanças com o fim da Antiguidade e início da Idades Média, com a queda do império romano em 476; o fim daquela e o início da Idade Moderna com a tomada de Constantinopla em 1453; e a Idade Contemporânea que se iniciou com o advento da Revolução Francesa em 1789. 

O mundo nunca mais foi o mesmo com o fim de um ciclo e o início de outro. E assim será daqui por diante. O COVID-19 não veio para ficar, chegou para mudar, e mudou; hábitos, costumes e políticas. E historicamente podemos ver que a cada ciclo histórico no mundo as pessoas mudam seus hábitos que geram novos costumes sociais que terminam por socio-institucionalizar novas culturas humanas. E assim será daqui por diante.

Atos pessoais e coletivos, fatos históricos de procedência política, econômica e religiosa criaram condições que vem gerando transformações que num processo dialético sistematizaram um processo revolucionário de mudanças que culminou com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e dos muitos fatos gerados pela natureza ou contra ela, pelo homem ou contra ele, advindo de pequenas comunidades ou grandes sociedade que geraram uma nova civilização e institucionalizaram para sempre e nunca mais retroceder, a Revolução Cientifica Tecnológica. Revolução essa que pelas mazelas do capitalismo que tanto mal fez e faz a humanidade está a socializar o conhecimento e democratizar as decisões através de instrumentos como a internet e os algoritmos dando-lhe uma participação direta ao homem nas decisões que lhe permitem decidir seu próprio destino. Ele só precisa ter acesso e oportunidades que estão sempre a lhe serem retiradas. Tanto pela militarização dos experimentos e pesquisas quando se iniciam, como pelo conceito de propriedade que lhe é imposto como pedra fundamental de sustentação do capital.

O Brasil está servindo de projeto piloto para a instalação de uma nova sociedade alienada. Através de um presidente que nada manda e tudo obedece a potencias estrangeiras, e que em outros tempos e qualquer outro país seria levado a um Tribunal de Guerra para ser julgado e condenado por alta traição. Vivemos num país onde temos um presidente que não governa e apenas usufrui das mordomias do poder. Retira direitos dos trabalhadores, dilapida o patrimônio nacional vendendo a preço de banana tudo que foi construído com sacrifício pelo povo, planeja a morte de brasileiros aderindo aos projetos neoliberais do capital financeiro internacional e da indústria farmacêutica, entrega a soberania nacional aos EUA permitindo o acesso direto das Forças Armadas estadunidense não apenas a Base de Alcantara como a segredos de estado e tudo que seus patrões lhe mandarem fazer, e de sobra ainda tem três filhos que tal pai tal são os bebes. 

O governo de Vichi, na França ocupada pelos nazistas, instaurado durante a Segunda Guerra Mundial, em 1º de julho de 1940 até agosto de 1944, não foi nada diante do que estamos vendo. Bolsonaro é pior que o Marechal Philippe Pétain.

Diante desses fatos que acontecem simultaneamente as mudanças globais só temos que tomar medidas de proteção para sobrevivermos a pandemia que se instalou no mundo, enquanto o referido elemento que se diz presidente do Brasil, mas que só faz o que manda e interessa aos EUA vai destruindo a nação juntamente com alguns asseclas como o ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro, agente da CIA infiltrado no Brasil; Paulo Guedes, agente do FMI também infiltrado no país, dentre outros agentes do caos, da destruição e da subserviência como Ernesto Araújo, Ricardo Salles, Damares Alves e alguns generais como o submisso Augusto Heleno, conhecido como o Açougueiro de Cité Soleil* no Haiti, que nem sequer servem para serem agentes de nada ou de alguma coisa por nada entenderem e serem completos analfabetos políticos e terem como única características bajularem o chefe para se manterem nos cargos.

Para sobrevier a pandemia que tomou conta do Brasil é preciso se conhecer também a história das mesmas pois Bolsonaro não será o primeiro a ser vítima de uma pandemia. O Brasil já teve um presidente vitima de uma. Rodrigues Alves. Para isso é bom conhecermos a história das cinco pandemias que assolaram o mundo, conforme artigo de Leticia Rodrigues publicado na Revista Galileu sobre o tema. Assim tivemos:

“1. Peste bubônica - Causada pela bactéria Yersinia pestis que pode se disseminar pelo contato com pulgas e roedores infectados. Seus sintomas incluem inchaço dos gânglios linfáticos na virilha, na axila ou no pescoço. Outros sintomas são febre, calafrios, dor de cabeça, fadiga e dores musculares. A doença é considerada, historicamente, a causadora da Peste Negra, que assolou a Europa no século 14, matando entre 75 e 200 milhões pessoas na antiga Eurásia. No total, a praga pode ter reduzido a população mundial de 450 milhões de pessoas para 350 milhões. 2. Varíola - A doença atormentou a humanidade por mais de 3 mil anos. Do faraó egípcio Ramsés II, a rainha Maria II da Inglaterra e o rei Luís XV da França tiveram a temida “bixiga”. O vírus Orthopoxvírus variolae era transmitido de pessoa para pessoa, por meio das vias respiratórias. Os sintomas eram febres, seguida de erupções na garganta, na boca e no rosto. Felizmente, a varíola foi erradicada do planeta em 1980, após campanha de vacinação em massa. 3. Cólera - Sua primeira epidemia global, em 1817, matou centenas de milhares de pessoas. Desde então, a bactéria Vibrio cholerae sofre diversas mutações e causa novos ciclos epidêmicos de tempos em tempos e, portanto, ainda é considerada uma pandemia. Sua transmissão acontece a partir do consumo de água ou alimentos contaminados, e é mais comum em países subdesenvolvidos. Um dos países mais atingidos pela cólera foi o Haiti, em 2010. O Brasil já teve vários surtos da doença, principalmente em áreas mais pobres do Nordeste. No Iêmen, em 2019, mais de 40 mil pessoas morreram devido à enfermidade. Os sintomas são diarreia intensa, cólicas e enjoo. Apesar de existir vacina contra a doença, ela não é 100% eficaz. O tratamento é à base de antibióticos. 4. Gripe Espanhola - Acredita-se que entre 40 e 50 milhões de pessoas tenham morrido na pandemia de gripe espanhola de 1918, causada por um vírus influenza mortal. Mais de um quarto da população mundial na época foi infectada e até o então presidente do Brasil, Rodrigues Alves, morreu da doença, em 1919. O vírus veio da Europa, a bordo do navio Demerara. O transatlântico desembarcou passageiros infectados no Recife, em Salvador e no Rio de Janeiro. Os sintomas da doença eram muito parecidos com o atual Coronavírus Sars-CoV-2, e não existia cura. Em São Paulo, a população foi atrás de um remédio caseiro feito com cachaça, limão e mel. De acordo com o Instituto Brasileiro da Cachaça, foi dessa receita supostamente terapêutica que nasceu a caipirinha. 5. Gripe Suína (H1N1) – Conhecida como gripe suína, o H1N1 foi o primeiro causador de pandemia do século 21. O vírus surgido em porcos no México, em 2009, e se espalhou rapidamente pelo mundo, matando 16 mil pessoas. No Brasil, o primeiro caso foi confirmado em maio daquele ano e, no fim de junho, 627 pessoas estavam infectadas no país, de acordo com o Ministério da Saúde. O contágio acontece a partir de gotículas respiratórias no ar ou em uma superfície contaminada. Seus sintomas são os mesmos de uma gripe: febre, tosse, dor de garganta, calafrio e dor no corpo”.

Diante disso e do fato de Bolsonaro está usando o caos pandêmico para tentar a todo custo um autogolpe que lhe permita governar com poderes ditatoriais, o mesmo não encontra respaldo nem mesmo entre os militares, os quais ele bajula para ter apoio. Para tanto basta vermos o Diário Oficial da União, do dia 26 de março em que ele foi obrigado a assinar dezenas de atos afastando oficiais generais de sua confiança para cargos burocráticos e colocando no comando de tropa, oficiais generais legalistas e de confianças do Alto Comando do Exército, especialmente dos generais Punjol e Braga Neto. Ficou claro que general não bate continência para capitão. Mas o contrário.

Dito isso haveremos de entender que esse generalato, quando começar o processo de afastamento de Bolsonaro aceitarão a decisão do poder civil.

As Forças Armadas era última instituição a ser contatada. E precisava. Historicamente ela nunca se afastou da política brasileira. Sempre atuou, legal ou paralelamente. Pois todas as outras já o foram. Senado, Câmara, STF, CNBB, OAB, ABI, Partidos, Mídia, governadores, mercado e outros setores. As FFAA entenderam as transformações e se “auto reformou” ou se “auto-adaptou” a elas adaptando-se as mudanças da época e assim fazendo-me lembrar uma máxima de Charles Darwin que diz: “Não são os mais forte que sobreviverão, nem os mais inteligentes. Serão os que melhor se adaptarem as mudanças”. Falta apenas se adaptar a época das mudanças quando se iniciar o novo governo de um Novo Tempo. Agora ou mais tarde. Mas deve. Não pode mais querer tutelar a nação como sempre fez.

Porem todas essas instituições, através de seus líderes devem entender que antes dos interesses do Estado devem vir os interesses da Sociedade (assim mesmo com S maiúsculo). Que esse binômio Economia e Saúde não significa que o Estado deva proteger a Economia e deixar a Sociedade, pobre e explorada a cuidar da Saúde. Pelo contrário, a Economia deve estar a serviço da saúde, como deveria estar a serviço da educação, da cultura, do esporte e da sociedade como um todo. Assim antes de decidirem salvar a Economia e proteger o Mercado devem saber que tal como o Estado tem suas instituições públicas a Sociedade tem seus movimentos sociais. Este sim, verdadeiros representantes do povo. 

Portanto só falta combinar com esse mesmo povo, e diante de um governo sem autoridade, apesar de um presidente autoritário, que ainda tem pelas últimas pesquisas 20% de apoio popular e uma manada que vai para onde ele mandar como vaqueiro guiando seu gado e oitenta por cento da população contrária a ele, é bom que conversem com os lideres populares, pois os movimentos sociais, centrais sindicais e organizações populares, apesar da criminalização que sofreram nos últimos anos, são aqueles que podem até não conseguir formar um governo, mas ninguém consegue governar sem eles. 

O recado está dado. A Sociedade espera e seus movimento sociais aguardam. Mas nem tanto. Um povo doente e faminto por cura não pede passagem, abre caminho, e assim a desobediência civil poderá tomar conta do mundo. E o Brasil poderá ser a chama dessa mudança. E tal como no Brasil pode se iniciar um movimento de massa com a palavra de ordem <Fora Coronavírus – Vade-Retro Bolsonaro>, no mundo pode acontecer também em vários países como nos EUA com Trump e outros.

Assim são os processos revolucionários históricos. Assim se dão as mudanças de épocas. Assim nascem os novos tempos pós pandemias; sejam eles causadas por tensões políticas, econômicas, sociais ou por suas consequências como a sanitária conforme visto acima.

-* Segundo testemunhas, cerca de 300 homens fortemente armados invadiram o bairro e assassinaram 63 pessoas, deixando outras 30 feridas.


* ACILINO RIBEIRO é advogado de movimento sociais e professor universitário. Autor de vários livros nas áreas de Relações Internacionais; Geopolítica Mundial; Inteligência Estratégica e Movimentos Sociais. Pós Graduado e Especialista em História Política da Humanidade (UNICEUB); em Relações Internacionais e Diplomacia Política (Universidade Católica de Brasília); em Geopolítica e Relações Internacionais (CUC\SP); Inteligência Estratégica e Segurança de Estado (FGF); e em Direito Internacional pela Universidade Gama Filho \ RJ; 

É Professor de Direito Internacional; Direito Constitucional, de Economia Política e de Relações Internacionais na graduação universitária. Leciona Estudos Estratégicos e Segurança Internacional; - Introdução a Geopolítica; - Políticas de Inteligência, Defesa e Segurança; e História dos Movimentos Sociais e Partidos Políticos na Pós Graduação. Pesquisador, conferencista e especialista nas áreas de 1. Defesa Nacional e Segurança Internacional; 2. Inteligência, Defesa e Segurança; 3. Contra Inteligência, Contra Terrorismo e Contra Propaganda; 4. História das Revoluções 5. Diplomacia Federativa e Paradiplomacia. Ex-dirigente do antigo PCB – Partido Comunista Brasileiro também foi militante do MR8 – Movimento Revolucionário 8 de Outubro no combate a ditadura militar. Foi Vereador de Teresina; Superintendente do INCRA no Piauí, ex-secretário de Reforma Agrária do Estado e atualmente é Secretário Nacional do PSB onde coordena os movimentos populares do Partido Socialista Brasileiro.



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